O Centro Hípico tem uma história riquíssima, ligada à região de Trás-os-Montes e Alto Douro e à paixão das gentes da terra pelos cavalos e pelos desportos hípicos. É também a história de um dos melhores campos de saltos da Europa e da sua relação com o Parque de Pedras Salgadas no auge do turismo termal. E é também uma história de declínios. A decadência do Centro Hípico é gradual mas, a partir dos anos 90, acentua-se até parecer irreversível.
Em 2013 arrancam as obras de recuperação. Os tempos mudaram e, com eles, as necessidades dos utentes. Os espectadores deixaram de ser uma reduzidíssima classe privilegiada e a modernização da indústria de espectáculo trouxe a democratização no acesso às coisas. As novas regras internacionais para os concursos, obrigaram a uma profunda reformulação. A necessidade de rentabilizar o Centro Hípico obrigou a repensar o modelo de obtenção de receitas, assente na sazonalidade muito reduzida dos concursos de saltos. Construíram-se 32 boxes e um picadeiro.
Os edifícios novos tentam dialogar com os existentes e com a natureza em redor. As boxes, por exemplo, são revestidas com painéis de cortiça. Além de ser um material autóctone, a cortiça, ao envelhecer, vai adquirir texturas e tons semelhantes às do arvoredo circundante, diluindo-se organicamente na paisagem. Mas o exemplo mais emblemático desta arquitectura da invisibilidade é o do picadeiro. Todo revestido com troncos, parece ter sido adoptado e abraçado pela vegetação que o envolve. Os troncos e o tempo farão com que a flora acabe por tomá-lo por completo, tornando-o definitivamente seu.
Projeto
Centro Hípico de Pedras Salgadas
Localização
Pedras Salgadas, Vila Pouca de Aguiar, Portugal
Cliente
Câmara Municipal de Vila Pouca de Aguiar
Arquitectura
Rebelo de Andrade
Arquitetos
Luís Rebelo de Andrade, Pedro Carta, Patrícia Matos, Marco Marinho, Raquel Jorge
Projecto de Estruturas
DX2 Engenharia
Projecto de Infraestruturas
Abílio das Neves, Paulo Pedroso (Águas e Esgotos), proM & E, Building Solutions (Electricidade e Segurança)
Construção
Vilacelos, Construção
Fotografia
FG+SG – Fotografia de Arquitectura
Texto
Valério Romão
Área
1760 m2
Ano
2012 – 2015