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O Concurso de Ideias “Desafios Urbanos’12”, lançado pelo portal Espaço de Arquitectura com o apoio dos patrocinadores do portal e da Câmara Municipal de Guimarães, que visava a elaboração de um projecto de reabilitação de um conjunto de imóveis localizados em pleno Centro Histórico da cidade do Porto, Património da Humanidade, atribuiu o 1ºPrémio a Ivo Lapa e Mário Carvalhal, na categoria de Arquitecto, e ao grupo de estagiários Desassociados o 1ºPrémio na categoria de Estudante.
Premiados na Categoria Arquitetos
1º CLASSIFICADO – Ivo Lapa e Mário Carvalhal
“(…) As “Fábricas de Criação” são um programa consolidado em países como Espanha, França, Inglaterra ou Alemanha. Estas fábricas criativas nascem do aproveitamento de antigos espaços industriais que, pelo baixo preço das infraestruturas abandonadas, e pelas características físicas dos espaços amplos e fluídos, oferecem um grande potencial de adaptação.(…)”
“(…) As fábricas de criação estabelecem-se como locais que servem de incubação a pequenos projectos empresariais, fazendo parte integrante de políticas de recuperação económica, inovação, e investigação de novos produtos e práticas, podendo converter-se em motores de investigação em torno das novas tecnologias, da criação artística mais avant-garde, ou das práticas mais artesanais.
Um programa deste tipo normalmente funciona tanto melhor quanto maior for o cruzamento de áreas e de experiências disciplinares transversais que aí se encontrem, tentando atrair criadores com bagagens e experiências diferentes, com o objectivo de lhes oferecer um local de intercâmbio e de diálogo.
É nesta lógica de diálogo entre disciplinas e áreas de produção, ou entre velhos saberes e novas linguagens, que propomos este programa para o imóvel da Fábrica do Cavalinho. (…)”
“Uma abordagem arquitectónica que responda de uma forma capaz às necessidades programáticas de uma fábrica de criação traz consigo uma pergunta essencial: “Como se cria lugar para o indefinido?” De facto, a grande mais valia da reutilização de fábricas desactivadas para este programa é o carácter flexível e neutro dos seus espaços. E esta flexibilidade serve para adaptação a um contexto sempre em mutação, com necessidades que variam com o tempo, com interlocutores diferentes. Como tal, perante este contexto não se deve materializar uma proposta fechada e rígida. Assim, o objectivo foi sempre no sentido de desenhar apenas o essencial e o infraestrutural, definindo a base dos espaços, mas deixando claro o carácter sempre provisório dessa intervenção. Por outro lado, a redefinição da função do edifício exige uma depuração da sua estrutura, deixando apenas o essencial. Isto consegue-se não só eliminando divisórias interiores, como também limpando panos de fachada e permitindo a iluminação natural dos seus espaços. Por outro lado, esta depuração da estrutura permite uma clarificação da estrutura para o exterior, criando uma nova imagem para o edifício, mais aberta, mais clara e transparente.”
2º CLASSIFICADO – Christopher Ribeiro da Silva + Filipa Mota Nunes + Ricardo Branco
“(…) Face à conjuntura económica e social actual, sabemos que os níveis de desemprego têm tomado uma larga escala que continua em crescente. Este é provavelmente o maior problema que a sociedade atravessa actualmente, com especial incidência nas camadas mais jovens, grande parte academicamente formada, mas sem experiência profissional que permita a sua inserção profissional. Por outro lado verificam-se algumas desigualdades quanto aos níveis de especialização, onde a formação intelectual se sobrepõe (numericamente) à artesanal, contudo existe uma maior carência de mão-deobra especializada nesta segunda vertente. Tomando como referência esta realidade, e como forma dar resposta a este problema e necessidade, propomos a revitalização desta antiga fábrica numa Escola de Ofícios Tradicionais (EOT).
Consideramos importante direccionar o olhar para as nossas referências e mais-valias culturais mas sempre com sentido de inovação e foque do seu potencial no futuro.”
“Porquê uma escola?
A solução proposta de uma Escola de Ofícios Tradicionais, visa atribuir uma nova função e potencial para este imóvel. Pretendemos desenvolver um polo de formação especializado fazendo uma aposta na recuperação de algumas actividades tradicionais cuja formação está a cair em desuso mas que consideramos importante recuperar.
Conceptualmente a Escola de Ofícios Tradicionais será uma estrutura versátil, onde se poderão aprender uma panóplia de ofícios tradicionais que consideramos serem de maior expressão. Assumirá uma vertente aberta, de curiosidade, com um ambiente informal e uma forte componente prática centrada em métodos tradicionais e inovadores.
Podemos fazer um paralelismo com o ambiente vivido na Bauhaus, onde o ensino se encontra intrínseco na própria forma de leccionar da escola, baseando-se muito na experimentação prática de ideias e na realização de seminários e workshops para confronto de conhecimentos. É este o espírito vivido na Escola Ofícios Tradicionais, que a torna polivalente e vocacionada para a prática.”
MENÇÃO HONROSA – Arquitectos Matos + Nu.Ma
“(…) Pretende-se através da recuperação do imóvel da Fábrica Cavalinho, poder dar continuidade às políticas de regeneração urbana que tem vindo a ser implementadas na cidade nas duas últimas décadas e como prova de mérito e incentivo resultou em 2001 com a classificação de Património da Humanidade e no último ano, o galardão de Capital Europeia da Cultura, cujo o envolvimento da sua população foi exemplar na preparação e participação dos eventos que decorreram ao logo do ano 2012.
A adequação do imóvel com os novos usos relacionados com a Tecnologia, Talento e Tolerância (Richard Florida e Irene Tinagli) será uma forma de reforçar a economia de escala, com serviços complementares e diferenciadores que consigam catalisar novos investimentos e negócios competitivos.”
“O Cavalinho Creative Center oferece uma oportunidade de gerar bens e serviços transacionáveis de valor acrescentado, num espaço físico recuperado de características industriais e de gestão flexível de usos permanentes e temporários, do domínio privado ao público num ambiente dinâmico e de convergência onde se cruzam os espaços de incubação para negócios criativos e inovadores; oficinas; museu têxtil contemporâneo; restaurante; cafetaria; espaços de fruição, lazer e desporto; business center; lojas; eventos; workshops; co-working; acções pedagógicas; encontros e formação profissional; projectos tecnológicos e artísticos; residências temporárias para artistas e investigadores e redes de solidariedade.
Num mundo actual e global é muito importante para o desenvolvimento do País ter cidades competitivas entre si a nível nacional e Internacional. A cidade de Guimarães pelas suas razões históricas e pelo seu investimento no conhecimento tornou-se uma referência de cidade cultural e criativa, que atrai e promove qualidade de vida não só para viver como para trabalhar.
Com esta proposta de instalar na Fábrica Cavalinho uma Industria criativa e de Engenharia associada ao sector Têxtil, pretende-se reforçar os serviços e complementar as Industrias criativas já existentes localizadas em Santo Tirso, Vila Nova de Cerveira, Porto e Lisboa. O seu êxito depende da ambição dos seus promotores e da gestão de interesses económicos, sociais e ambientais articulados numa estratégia de economia de escala, para responder aos desafios da Internacionalização.”
MENÇÃO HONROSA – Santiago & Torres
“(…)Sendo o programa livre de intervenção, o conceito ideológico da proposta baseia-se em activar programaticamente estes edifícios industriais, transformando-os em novos espaços vivenciais através da introdução de uma nova geração de parques de acolhimento empresarial. Incubadoras de pequenas e médias empresas, superiormente qualificadas quer por via da disponibilização de serviços tecnológicos e serviços de conhecimento intensivo, quer por via de um modelo de gestão inovador.(…)”
“(…)Como podemos actuar neste território em particular, mas com uma estratégia comum de unificação destas estruturas industriais dispersas pelo Vale do Ave?
A resposta a esta questão lançou-nos para a implementação de um programa inovador,
revitalizador deste edifício, como modelo a aplicar nas restantes estruturas que se encontram marginalizadas. Este edifício será a sede da área empresarial do Vale do Ave, um invólucro, contentor de um conjunto de empresas com características, dimensões e actividades muito distintas que promovam sinergias através da possibilidade de mobilidade dentro da rede de incubadoras em toda a região. É aqui que o conceito de “Walking Factory”- Fábrica Caminhante” se tornou fundamental para a nossa concepção da intervenção neste território. Não se trata apenas de um contentor de empresas estáticas e constantes, mas interpretadas como organismos vivos em constante mutação, as empresas terão a possibilidade de se moverem nesta rede de parques empresariais optimizando o seu crescimento quer ao nível de mercados, cooperações, recursos, articulações com diversas entidades e públicos alvos.
O conceito de toda a intervenção materializa-se a partir da implementação dos PODS,
contentores de empresas, funcionam como espaços de trabalho móveis, de dimensões e configurações modulares, permitindo funcionar isoladamente ou em conjunto. Os PODS, elementos comuns em toda a rede de parques empresarias propostos, maximizam a mobilidade e flexibilidade das empresas, organizando e estruturando, numa lógica comum todos estes territórios. (…)”
Premiados na Categoria Estudantes
1º CLASSIFICADO – Estagiários Desassociados
“ (…) O programa que se propõe surgiu, então, como resposta a uma pergunta que hoje é bastante pertinente. Qual o papel de Portugal na indústria e na economia globalizadas? E, como consequência desta, uma outra. Em que é os Portugueses são bons? “ (…)
“ (…) Aquilo que se propõe incubar aqui é a aliança entre a tradição/empirismo e o conhecimento tendencialmente científico proveniente das academias. Juntar o hábito de bem-fazer à portuguesa com a cultura e conhecimento globalizados. Assim, complementam-se as diferentes tradições/indústrias tipicamente nacionais – calçado, vestuário, azulejaria, joalharia, tapeçaria, mobiliário – com o prefixo “design de”, na linha de pensamento norte-europeia que, há já várias décadas, promove essa fusão entre artesanato e indústria. (…)”
“ (…) Mais do que o modelo vulgar de incubadora – edifício de escritórios com rendas controladas para jovens empreendedores –, que também se pretende alcançar neste projecto, reconhece- se a urgência em reconciliar desenho de concepção e factura, importando alguns dos ensinamentos daquela que é, certamente, a escola de design mais influente do século passado, a Bauhaus. Reúnem-se sob a mesma nave os desenhadores e os artesãos, os mestres de formação académica ou empírica e os jovens-aprendizes, para que as gerações que se aproximam da jubilação passem o conhecimento à seguinte, criando uma sinergia renovadora do artesanato, arquitectura e design portugueses, não pelo modernismo forçado, mas pela conjugação de técnicas consolidadas, diferentes especialidades e respostas aos novos problemas.
Não é uma escola. Não é uma rampa de lançamento para jovens licenciados entrarem em concorrência (pérfida) com aqueles que já se encontram no mercado laboral. É um novo conceito de incubadora para a indústria criativa portuguesa, que procura contaminar o espaço desabitado da Cavalinho e contribuir para o relançamento da economia local e regional. (…)”
2º CLASSIFICADO – Daniela Silva / Gonçalo Silva
“(…) O encerramento das inúmeras fábricas texteís aqui existentes, bem como em toda a região do Vale do Ave tem vindo a tornar-se recorrente ao longo das ultímas décadas e não afecta apenas social e económicamente, mas também territorialmente, começando a ser clara a precentagem alta de edificado industrial que se encontra ao abandono, como é exemplo disso a antiga fábrica do Cavalinho, em tempos idos uma grande empregadora da região.
A par deste fenómeno de desindustrialização, Guimarães desenvolveu a capacidade de se reinventar, enquanto a indústria seguia o seu percurso decrescente, a autarquia virou-se para a preservação e reconversão destes espaços e viu-os como uma oportunidade de dinamização económica e social. (…)”
“(…)Esta proposta procura seguir os mesmos principios, de preservação e tributo ao legado industrial da região, mas também fazer resurgir o potencial artístico do têxtil. No principio o desafio era localizar uma lacuna na rede de infraestruturas e serviços da cidade de Guimarães, e após perceber este aumento de falências por parte das fábricas da região, não demorou até supor que existisse uma unidade museológica que albergasse todo um espólio de equipamentos industriais que relatassem a história da região do Vale do Ave.
Esse museu existiu de facto, primeiramente localizado nas instalações de uma antiga fábrica na cidade do Porto, este encerrou em 2006 para dar lugar a uma pousada do grupo Pestana, permanecendo até hoje “desalojado”.
Ainda em funcionamento, existe outro museu em Vila Nova de Famalicão, trata-se de uma área de 1200m2 onde se relata o processo produtivo da indústria têxtil desde os métodos artesanais até aos mais contemporâneos. Contudo, também este se encontra numa situação provisória trantando-se as instalações de uma solução temporária.
Com base nos factores anteriormente referidos, e uma vez que o tipo de intervenção a efectuar era de carácter livre, a decisão, incidiu na criação de um edificicio programáticamente direccionado não só á homenagem da indústria textil que marca a história do local, como também capaz de possibilitar a exploração de novas abordagens ao textil, reintegrando-o na cultura e até na economia de Guimarães. (…)”
MENÇÃO HONROSA – AMMN
“A Capital Europeia da Cultura 2012 trouxe um novo rumo à cidade de Guimarães e consigo floresceram iniciativas das mais diversas áreas; cientificas, culturais e sociais. Pensar num novo futuro para Guimarães significa manter vivas as infra-estruturas criadas, realçar as existentes e impulsionar novos interesses globais. A cidade de Guimarães pode se mostrar ao mundo, como um núcleo intenso e dinâmico onde co-habitam Centros de Arte, Laboratórios de Investigação Tecnológica, Incubadoras de Empresas entre mais.
Pessoas de todo o lado acabarão por passar pela cidade, em passeio, em trabalho, num projecto de investigação promovido pela Universidade, por outros tantos de motivos e a pequena cidade acabará por se tornar num lugar sedutor onde se pode viver e trabalhar.
Neste sentido, ’house it’ é a ideia de um projecto experimental, onde do esqueleto de uma fábrica desactivada se montam e desmontam casas pré-fabricadas. Estas serão o abrigo para uma nova vaga de transeuntes que se fixará por um, dois, quatro anos e enquanto isso o que ora foi apenas um esqueleto transformouse num corpo vivo e parte integrante da cidade. ’House it’ caracteriza-se pela ideia; ‘constrói fácil e pelas tuas próprias mãos’. As habitações são construídas in loco pelos seus futuros habitantes tornando-os parte integrante do projecto desde a sua génese.”
MENÇÃO HONROSA – Elementos
“Dessa maneira, a função proposta prende-se com uma vontade de reutilização sustentável destes espaços, pelo que o facto de este imóvel ser relativamente “genérico” facilitou a profunda mudança de função. Propôs-se assim, e tendo em conta os equipamentos já existentes na cidade, uma Escola de Hotelaria. Por um lado, esta possibilitava a permanência e aumento da população jovem na cidade, em complemento aos cursos já existentes na Universidade do Minho, não sendo, no entanto, coincidente com nenhum deles. Um programa deste tipo daria um contributo real aos esforços colectivos de revitalização da cidade, dando de certa forma continuidade ao extraordinário programa de Guimarães como capital europeia da cultura, sendo mais um de muitos contributos que juntos possibilitam a Guimarães ser continuamente a cidade atractiva em que se tem vindo a tornar cada vez mais, e quefoi ao longo do ano de 2012.”
Relatório do Júri download