Alexandra Paio

100% cidade (II)

100% cidade (II) – A procura de soluções para mitigar questões ligadas à acessibilidade de pessoas com necessidades específicas está na ordem do dia, principalmente considerando o aumento da consciencialização pela igualdade de direitos das pessoas.

Hoje, continuamos a falar do direito à cidade sem ignorar as necessidades das pessoas com deficiência. Num mundo em que o espaço público urbano é definido por tecnologias digitais desenvolvidas com a intenção de melhorar a vida cotidiana dos cidadãos, todos nós devemos lembrar que a cidade inteligente é, também, a cidade acessível centrada na experiência coletiva humana física de todos.

O conceito de cidade inteligente, assente no uso de recursos tecnológicos, tem criado oportunidades na melhoria da qualidade das decisões sobre planeamento e gestão das áreas urbanas, centrada no ganho de eficiência, redução de consumo de energia e melhoraria da mobilidade urbana, tornando os sistemas das cidades mais integrados. Mas serão mais humanos e inclusivos?

Neste campo, ainda há muito trabalho a realizar para garantir a plena participação das pessoas com deficiência. É por este motivo que é definida a Estratégia para os Direitos das Pessoas com Deficiência 2021-2030, um guia que orientará as futuras ações na Europa.

Aqui é evidente o papel das tecnologias.  “A acessibilidade aos ambientes construídos e virtuais, através das tecnologias de informação e comunicação (TIC), a bens e serviços, incluindo transporte e infraestrutura, é um facilitador de direitos e um pré-requisito para a plena participação de pessoas com deficiências em condições de igualdade com os outros”. A tecnologia tem um importante papel a desempenhar no compromisso com o ambiente construído das cidades.

No contexto da acessibilidade urbana, a procura de soluções para mitigar as questões ligadas à acessibilidade de pessoas com necessidades específicas (física, mental, visual ou auditiva) está na ordem do dia, principalmente considerando o aumento da conscientização pela igualdade de direitos das pessoas.

A partilha de alguns exemplos podem ajudar a compreender melhor o caminho a fazer pelas cidades no investimento em soluções tecnológicas para a inclusão. Em Breda, nos Países Baixos, o uso das tecnologias digitais tem sido o garante de igual acesso aos espaços públicos e a um nível de autonomia que permita às pessoas sentirem-se seguras e satisfeitas nas ruas. O compromisso da cidade com medidas de inclusão promoveu o turismo.

O acesso fácil a dispositivos móveis, internet e georreferenciação, tem possibilitado desenvolver várias aplicações que fornecem informação em tempo real para ultrapassar as barreiras das cidades.

Em Seattle, nos EUA, onde os bairros têm declives de 10% a 20%, o município disponibilizou uma aplicação móvel AccessMap aos cidadãos com mobilidade reduzida para mapear os percursos mais acessíveis. No mesmo sentido, Raúl Krauthausen, em Berlim, Alemanha, disponibiliza a Wheelmap, uma plataforma de código aberto, tipo Wikipédia, onde qualquer pessoa pode contribuir para identificar espaços públicos acessíveis a pessoas com cadeiras de rodas.

O BlindSquare, em Helsínquia, galardoado com o prémio Global Mobile como o Melhor Produto ou Serviço de Saúde Móvel, ativado com comando de voz, ajuda cegos e deficientes visuais a navegar nas cidades, a encontrar lugares e a usar os transportes públicos.

Será suficiente? Acho que não! Temos que ser inovadores, em Portugal, e ajudar a definir os padrões europeus de acessibilidade ao ambiente construído das cidades, a produtos e serviços. Todos estes esforços combinados a nível local e europeu são o compromisso da cidade inteligente com mais de 80 milhões de europeus com deficiência.

 

Artigo publicado no © Jornal Económico . Artigo de Opinião de

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