“A arquitetura é uma dança entre a criatividade e a técnica”

“A arquitetura é uma dança entre a criatividade e a técnica” – Liliana Maciel tem 36 anos, mas desde os quatro que queria ser arquiteta. Com essa idade, poucas seriam as noções de técnica e desenho arquitetónico, mas agora considera que terá sido algo instintivo escolher arquitetura. Conheça a arquiteta de Santo Tirso que tem a reabilitação como uma das suas paixões.

“Foi algo que nasceu comigo”, começa por contar Liliana Maciel que sempre teve paixão pelo desenho e pelas artes. Fez formação na Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto, mas foi na cidade de onde é natural, que procurou desde cedo entrar no mercado de trabalho. Iniciou a carreira no gabinete do arquiteto Hélder Coelho, em 2008, até que a proatividade e crescente vontade de abraçar novos trabalhos, ideias e desafios, a levam à criação do seu próprio gabinete, em 2017.

A entrevistada identifica-se com a linha arquitetónica minimalista e de elevado grau de limpeza de linguagem. “Para mim, a arquitetura é uma dança entre a criatividade e a técnica, nunca descurando a funcionalidade. O desenho do projeto deve ter linhas que permitem ler a espacialidade da casa e a própria decoração. Preocupo-me muito com a luz, com as questões térmicas, ou seja não projeto a imagem pela imagem. Tento encaixar a vertente artística com a utilidade. Além disso não nos podemos esquecer que um projeto, um desenho, será obra e tem de ser desenvolvido com o objetivo de fazer crescer”, assegura.

Liliana Maciel revela que apesar de apreciar projetar de raiz, a reabilitação é a sua paixão. “A reabilitação urbana é um desafio diferente, que nos impõe condicionantes e surpresas que por vezes surgem em fase de demolição. O meu trabalho passa por compreender questões técnicas, sistemas construtivos e materiais do edifício e encontrar soluções”, conta a arquiteta.

“Olho para a reabilitação, da mesma forma que recordo o esforço dos meus pais e avós ao cuidar da nossa família e da vontade que tenho de cuidar deles. Olho para uma casa centenária e penso ‘porque não cuidar desta casa, mantendo a sua memória e a sua identidade, adaptando-a às atuais necessidades e condições de vida?’, tal como faço com a minha família, fazendo-a crescer, levando os mesmos valores, sem nunca esquecer de onde vimos”, explica.

Recentemente, Liliana Maciel, em colaboração com os arquitetos Rui Vasco Saldanha e Margarida Padrão, concluiu a obra da Casa Verde, uma obra de remodelação em que esteve envolvida e previa isso mesmo: aproveitar, remodelar, manter a traça arquitetónica e modernizar. “Foi importante devolver o charme àquele edifício. Tratou-se de uma obra especial pela sua complexidade, mas mais importante que todo o know-how que trouxe esta envolvência, foi determinante o facto dos clientes terem sido presença constante no projeto. Algumas soluções surgiram por sugestões dos mesmos. Juntamente com toda a mão de obra envolvida, fomos uma grande equipa”, revela, acrescentando que está a desenvolver outros projetos de reabilitação.

“Acredito no poder da partilha, da meritocracia, mas acima de tudo, na igualdade”

Historicamente, as obras são um mundo de homens, onde grande parte dos profissionais é ainda do género masculino. No entanto, o momento de entrada em obra sempre foi tranquilo segundo conta a arquiteta, “em 13 anos, nunca tive dificuldade porque vou com um estado de espírito preparado, com a ideia de trabalhar, passar instruções ou fiscalizar, sempre na base do respeito. Coloco-me de igual para igual, porque sentido de hierarquia é diferente de superioridade. Preocupo-me em conhecer todos os profissionais pelo nome, criar empatia e aprender com a experiência deles”, reflete e sublinha, “acredito no poder da partilha, da meritocracia, mas acima de tudo, na igualdade”.

Para a arquiteta, o sucesso está intrinsecamente relacionado com o trabalho, mas também admite que é “necessário que cada um tenha o seu valor reconhecido. Eu, enquanto mulher, sempre lutei para valorizar outras mulheres. Sinto entreajuda e acredito que esta questão do empoderamento feminino está refletido não só nas mulheres que chegam ao topo de uma empresa, mas sim nas pequenas ações em que mulheres apoiam mulheres, mulheres apoiam homens e homens apoiam mulheres também. O meu sucesso deve-se tanto às mulheres à minha volta, como aos homens e, principalmente, ao apoio que sinto por parte do meu marido, que me impulsiona diariamente. Eu sou tão boa profissional, pessoa ou mãe, quanto as pessoas, as minhas pessoas, que tenho ao meu lado a impulsionar-me”, finaliza.

Fotos: Casa Verde reabilitação em Santo Tirso da Arquitecta Liliana Maciel Arquitetura – © Ivo Tavares Studio

Consulte o projeto Casa Verde AQUI

Entrevista publicada na Revista Gestão Empresarial

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