Casas portuguesas na série “As Casas Mais Extraordinárias do Mundo”

Se ainda não entrou no fantástico mundo dos programas sobre casas, arquitetura e decoração na Netflix, não sabe o que está a perder. “As Casas Mais Extraordinárias do Mundo” é um deles.  A segunda temporada da série que é um original da BBC chegou à plataforma de streaming. Há quatro habitações em Portugal.

O arquiteto Piers Taylor e a atriz Caroline Quentin conduzem o formato. Cada programa é dedicado a um país e o segundo episódio da segunda temporada centra-se em Portugal, onde a dupla apresenta quatro casas de sonho.

Caroline e Piers visitam uma casa automática, uma casa em forma de serpente, uma casa deslumbrante em forma de X e uma casa num parque natural.

The Wall House . Cascais . Guedes Cruz Arquitectos (ver projeto)

A casa mais incrível — e que abre o episódio — fica em Cascais. Chama-se The Wall House e foi construída pelo atelier de arquitetura Guedes Cruz. “Da rua, a casa não mostra muito. Mas depois de atravessarmos a ponte, existe um completo e sofisticado puzzle tridimensional”, descreve Taylor.

É uma verdadeira fortaleza — e até tem uma ponte (que não é levadiça mas podia ser) a ligar a rua ao interior da habitação. O primeiro sinal de que não nos encontramos numa casa qualquer acontece logo ao início. Caroline Quentin abre o portão automático, que está coberto de plantas, com um mini comando. Na verdade, tudo é telecomandado naquela residência.

Um dos aspetos mais impressionantes na arquitetura da casa são as paredes, que alternam entre a madeira, o cimento e vidro. Elas são também móveis — e, mais uma vez, telecomandadas. A ideia é abrir a casa no verão para deixar passar o ar e permitir o acesso às zonas exteriores, ou fechá-la durante o inverno para proteger a habitação dos ventos frios que chegam do Atlântico. “É bastante invulgar”, comenta Taylor.

No interior, as divisões são minimalistas e há luzes e sombras subtis que criam um ambiente agradável. Convém lembrar também que “As Casas Mais Extraordinárias do Mundo” foca-se sobretudo na arquitetura e menos na decoração.

É difícil de perceber o que está dentro e fora da casa propriamente dita, já que o espaço é bastante móvel. É possível eliminar as paredes de vidro que ligam a sala à zona da piscina de baixo, por exemplo, onde também existe uma área com mesas e cadeiras para comer, trabalhar ou descansar durante algum tempo. Além disso, esta área tanto pode ter sol como sombra, consoante a época do ano ou até a altura do dia.

Todas as divisões têm vista para os campos de golfe, a que é possível aceder diretamente pela sala de estar e pela zona da piscina. Ah, e por cima da piscina, existe — rufar de tambores — outra piscina feita de acrílico transparente. Ou seja, deixa passar a luz e é possível estar a nadar enquanto vemos outras pessoas a nadarem em cima.

“Estar numa casa como esta é, sem dúvida, um dos maiores privilégios na minha vida”, disse Caroline Quentin.

Casa na Gateira, Penela . Camarim Arquitectos (ver projeto)

Chama-se Casa na Gateira, mas o nome por que também é conhecida é A Cobra. Esta habitação tem um formato que faz lembrar uma cobra a descer o planalto. É ali que vive o casal britânico Neil e Shirley, que colaborou com o atelier de arquitetura Camarim para este projeto.

Foi construída de forma a respeitar a inclinação da terra. Por isso é que tem aquele formato. No interior, as paredes são de cortiça e o design dos quartos centra-se na pureza do branco. Há um mini pátio interior que só é acessível através de uma porta meio escondida. A fachada da casa mistura o ferro com rocha entalhada.

Uma das maiores qualidades da habitação é a vista extraordinária — e a piscina, claro.

Casa Monte . Muda . Pereira Miguel Arquitetos (ver projeto)

A entrada é discreta e atravessa uma zona de dunas e pinheiros para chegar a esta casa perto da Comporta. Apesar de se chamar Casa Monte, é mais conhecida como a Casa das Dunas. Outra peculiaridade é que tem a forma de um X ou, se preferir, de uma cruz distorcida.

Está perfeitamente integrada na natureza em que está envolvida. Há duas dunas artificiais que cobrem até ao telhado um par de pontas da casa. Uma das pernas da cruz é a sala de estar e jantar. A outra é um quarto de hóspedes, que fica junto da garagem. As restantes duas têm quartos e as casas de banho. No exterior, mesmo junto da casa, fica uma bela piscina.

Dentro do espaço, como tem esta forma singular, todas as janelas estão viradas diretamente para a natureza. O projeto é do arquiteto Luís Pereira Miguel. A maior parte da casa é construída em cimento — no inverno absorve o calor e torna a habitação quente; no verão basta abrir as janelas para criar uma ligação direta com a piscina.

André, o dono da casa, diz que a grande vantagem é a privacidade e o contacto com a natureza. “Queria uma coisa mesmo, mesmo simples, e passei momentos muito emocionais aqui. Foi onde os meus filhos nasceram e cresceram”, explica no episódio.

Casa Gerês . Gerês . Atelier Carvalho Araújo (ver projeto)

A imponente Casa Gerês é onde vive José Ferreira, que usou a sua profissão — trabalha numa empresa de vidros de alta tecnologia — para construir a casa de sonho em conjunto com o atelier Carvalho Araújo.

A sala é enorme, como se fosse o pátio de uma prisão — mas sem todas as partes más associadas a isso — e é possível abrir as laterais em vidro para aceder aos espaços exteriores, onde existe uma zona de chill out. A construção é em ferro, vidro e madeira e vários dos materiais usados são rudimentares.

“Isto não tem nada de chique”, comenta Taylor, que não o vê como um defeito. Existe ainda um quarto — estilo anexo — de hóspedes onde podia entrar uma girafa, dada a altura. Garante o mínimo de privacidade e continua próximo da casa.

A zona exterior é igualmente impressionante. Uma cascata natural foi desviada para abastecer uma piscina enorme, ajustada à natureza à sua volta.

 

©NIT . Texto Ricardo Farinha 

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