Estudo Prévio

Entrevista a José Adrião . Formação . Pedagogia e Prática



FORMAÇÃO


Conta-nos como foi o teu percurso académico como aluno, como foi o curso de arquitetura, que professores ou exercícios marcantes tiveste, as experiências que foram construtivas para o percurso como arquiteto.
Entrei para a universidade em 1984, para o curso da Universidade Técnica de Lisboa. Lembro-me perfeitamente do primeiro dia em que entrei para a Escola de Belas Artes, sair do metro no Rossio e subir a Rua Garrett. Estudar no Chiado foi um privilégio.

Durante os três primeiros anos na universidade em Lisboa, a aprendizagem foi feita essencialmente com os colegas. O ambiente na escola era muito intenso. A cidade estava a passar por uns momentos incríveis, os anos 80. A ESBAL era um sítio cheio de energia, tinha, para além de arquitetura, os cursos de pintura, escultura, design. Havia imensos músicos, pessoas que faziam moda e os estudantes de arquitetura estavam imersos nesse ambiente fervilhante de ideias. O “Bairro Alto” estava a começar.

Andávamos em investigação, a descobrir, a passear. As nossas aulas prolongavam-se para a rua, para a cidade e para as viagens que fazíamos pelos arredores de Lisboa. Depois procurávamos ver tudo o que havia para ver: cinema, exposições, concertos. Vivemos a cidade com muitas ganas, participando ativamente – e no entanto sem a consciência que o estávamos a fazer – num dos momentos mais estimulantes que Lisboa viveu nestas últimas décadas.

Depois pedi transferência para o Porto. Na altura só havia duas escolas, Lisboa e Porto. Sentia que as pessoas que vinham do Porto estavam mais bem preparadas. O curso era realmente muito mais exigente. Os professores marcavam e transformavam a vida dos alunos. Havia sempre as conversas sobre “os do Porto e os de Lisboa”. Na altura pensei “Não vou ter esta conversa toda a minha vida!” e mudei-me para o Porto. Pedi transferência do terceiro para o quarto ano.

A arquitetura foi uma primeira escolha, ou foi uma descoberta progressiva?
Não tive a certeza desde o início de que queria ser arquiteto. Não foi uma revelação na minha vida. Foi uma coisa já tardia, por volta dos vinte anos. Acho que o que me fez escolher a arquitetura foram as descobertas que comecei a fazer nessa altura. No entanto tinha também a vontade de aprender cinema. Nasci e, até ir para o Porto, morei sempre em Alvalade, no cruzamento da Avenida de Roma com a Avenida Estados Unidos da América, nos edifícios do José Segurado e do Filipe Figueiredo (01). Alvalade, na altura, era uma zona muito ativa, haviagrupos de música eimensos artistas. A casa onde vivia era por cima do café “Vá-Vá”(02) e por isso sempre estive rodeado daquela energia.

Como foi o Porto?
Quando fui para o Porto tinha vários objetivos: o primeiro era a escola do Porto. Mas também queria ir viver sozinho e a única possibilidade de conseguir isso era mudar de cidade. Depois queria ser aluno do Souto Moura. Então fui falar com o Souto Moura e disse-lhe: “- Gostava de ser seu aluno.” Ele respondeu-me que sim. Foi marcante tê-lo como professor. É uma pessoa inteligente e muito disponível. Lembro-me perfeitamente das aulas. O Souto Moura percorria os estiradores em sequência para falar individualmente connosco sobre os trabalhos, sempre com um lápis grosso. Riscava sobre os desenhos e fazia críticas muito boas. Normalmente havia alunos que o acompanhavam nas conversas em quase todas as mesas, eu era um deles. Tinha realmente um enorme prazer. Recordo-me que procurava sempre desenvolver as bases dos projetos que os alunos apresentavam e via distintos interesses em quase todos. Ativava as possibilidades de cada um. Dizia-nos, muitas vezes: “- Para desenvolver este projeto tens de ir ver isto e aquilo, aquele arquiteto, ou aqueleprojeto do Alvar AAlto”. Depois, mudava de estirador, dizia: “- Para este projeto tens de ir ver o Mies van derRohe…”. Apresentava como referências trabalhos e arquitetos muito diferentes, o que tornava as coisas interessantes e complexas. As direções distintas agradavam-me bastante. Foi realmente um professor extraordinário. Foi fundamental na minha formação e só por isso, ter mudado para o Porto, valeu a pena.

E que relação tiveste com a cidade?
Cheguei ao Porto em 1987, foi outra fase muito importante na minha vida. Primeiro comecei a viver sozinho; depois, foi a descoberta de uma cidade que eu não conhecia e de uma escola extraordinária, com um ambiente muito intenso. Os meus colegas do quarto ano já estavam juntos há três anos, tinham crescido e aprendido juntos, e eu procurei acompanhá-los. Tive a sorte de ir para um ano e ter colegas que realmente estavam a aproveitar ao máximo o tempo de escola. No meu quarto ano estava um ótimo grupo entre os quais o Guilherme PárisCouto, o Nuno Grande, o João Pedro Serôdio e a Isabel Furtado dos SeródioFurtado & Associados, o Francisco Vieira Campos e a Cristina Guedes dos “Menos é Mais”, o Luís Tavares Pereira e a Guiomar Rosa, dos [A] Ainda Arquitectura, o Pedro Mendes, o Pedro Cortesão, o Paulo Seco e outros também muito bons. Por outro lado, conheci os alunos que tinham acabado de entrar no primeiro ano e que estavam também a descobrir a cidade, comoo Rogério Gonçalves com quem mais tarde fiz uma revista que se chamava DA -Documentos de Arquitectura (03) e o Pedro Reis. Um ano excelente, cheio de pessoas que continuam hoje empenhadas e comprometidas como arquitetos, professores, críticos e cidadãos.

Logo no início do ano resolvemos, por iniciativa do Paulo Seco, arrendar um espaço de trabalho na Rua dos Almadas. Éramos cinco, os que partilhavam espaço ao qual chamávamos Almadas: o Luís Pereira, o Paulo Seco, o Pedro Cortesão, o Vasco Mendia e eu. Havia ainda noutra sala um ateliê de escultura. Fazíamos daquele lugar a nossa casa. Estávamos lá sempre a trabalhar desde que saíamos das aulas até de madrugada. Quando fui para o Porto, fui viver para uma pensão, a pensão Mondariz. Era uma pensão de uns Galegos, na Batalha onde unicamente ia dormir. A nossa vida era basicamente: escola, Almadas e as saídas necessárias, com a energia toda de estudar e estar numa cidade nova.

Toda a gente dizia: “- Tu vais para o Porto no quarto ano, que é o ano mais difícil, vai ser impossível” ou “ – Tu vens de Lisboa onde a escola é péssima.” Fiquei um pouco assustado. Naquela altura fui o primeiro aluno a pedir transferência de Lisboa para o Porto a meio do curso. Frequente era fazer o contrário, do Porto para Lisboa. Mas correu muito bem, consegui ter uma nota razoável. Depois, fui viajar.

No verão já tinha por hábito andar pela Europa, à boleia. Nesse ano a minha viagem acabou por se prolongar mais tempo. Fui para a Suíça, arranjei trabalho numa marcenaria, depois num ateliê de arquitetura e fiquei uns meses. Decidi não voltar para o Porto e continuar um ano a viajar e a ganhar experiência. Penso que os cursos não precisam de ser feitos de rajada. Cada aluno tem o seu tempo. Na altura achei que não tinha maturidade para voltar e ir logo para o quinto ano, apesar do quarto ano me ter corrido bem. Trabalhei então num ateliê em Montreux, na Suíça. Tinha toda a Europa central ao alcance de umas horas de viagem: Itália, Bélgica, França, Amesterdão, Berlim – vi imensa arquitetura. Quase todos os fins-de-semana aproveitava para viajar. Depois decidi ir para Londres onde conheci a Teresa Novais e o Jorge Carvalho, dos aNC, que estavam já a fazer o sexto ano de estágio pela escola do Porto. Enviei currículos e consegui trabalho. Fiquei lá um ano.

Quando regressaste ao Porto, perdeste a turma que tinhas no quarto ano, que tinha sido muito boa…
Perdi a turma excelente que tinha, mas sabia que ia apanhar alunos que já conhecia e gostava. Entre eles o Pedro Pacheco. Quando voltei vinha com uma nova experiência de vida, e fiz o quinto ano com o Carlos Prata. Nesse ano aconteceram coisas muito boas: houve o ciclo de conferências “Discursos sobre Arquitetura” (04), foram ao Porto muitos arquitectos que estavam a começar a consolidar as suas experiências nessa altura – o Herzog e de Meuron, o Peter Zumthor, o David Chipperfield.

Foi também o Josep Llinás, de Barcelona, que me fascinou. No fim da conferência, fui falar -lhe e disse que gostaria de trabalhar com ele. Já estava a prever que o meu sexto ano ia ser uma experiência prática de ateliê. Queria ir para Barcelona, que já conhecia das minhas viagens pela Europa, e ele disse que sim. Quando acabou o quinto ano, o Pedro Pacheco e eu fomos então trabalhar para Barcelona com o JosepLlinás. Pedimos ao Souto Moura para ser o nosso orientador de estágio e ele aceitou. Ter um orientador de estágio como o Souto Moura, voltou a ser um privilégio. Totalmente disponível, com umas críticas e com umas orientações realmente muito boas e atentas.

Passei um ano em Barcelona a trabalhar, a viver, a descobrir outra cidade. Barcelona ainda não era o que é agora. Antes dos Jogos Olímpicos de 1992, Barcelona era uma cidade muito mais dura, com umas ramblas selvagens que tinham um ambiente típico de porto, marinheiros e prostitutas. A Barcelona que conhecemos hoje em dia não tem nada a ver com a Barcelona daquela altura. Nem sequer era uma cidade desejada. As pessoas conheciam razoavelmente Madrid, mas Barcelona não.

Vivíamos no Borne, ao pé de Santa Maria do Mar, nessa altura um bairro mal-afamado que hoje se transformou num bairro caro e turístico.

A minha relação de proximidade com Barcelona continuou ao longo dos anos. Em 1996 comecei a fazer o Mestrado organizado em simultâneo pela Universidade Politécnica da Catalunha (UPC) e pelo Centro de Cultura Contemporânea de Barcelona (CCCB) que era coordenado pelo Manuel de Solà-Morales. Esse mestrado, por uma série de razões, parou. Por esse motivo inscrevi-me no Mestrado Metropolis, coordenado pelo Ignasi de Solà-Morales. Os professores eram bastante bons, havia aulas e conferências ótimas. O Ignasi era uma figura ímpar e um intelectual brilhante. Falava sem medo sobre assuntos bastante polémicos e delicados, tanto de arquitetura como de política, como a questão basca e catalã. Era corajoso e não tinha problemas em ser politicamente incorreto. Muitas vezes, isso, na academia e nas instituições perde-se, com prejuízos óbvios para pluralidade da investigação. A parte curricular do mestrado era dada no CCCB, por isso continuei no meio da cidade. Isso fez-me assistir toda a evolução de Barcelona tal como a conhecemos hoje e perceber que o que se passou em Barcelona durante duas décadas, de 1992 até agora, foi fruto de planeamento e de muito trabalho, com uma grande antecipação e com muitos arquitectos envolvidos.

Na altura em que fizeste o curso, a Europa era o destino por excelência de quase todos os jovens portugueses. Hoje em dia estamos a assistir a um outro tipo de viagens, para fora deste continente. Há outro tipo de interesses…
A viagem, naquela altura, era uma coisa muito importante. A minha geração, dos anos oitenta, passou uma fase importante de descoberta. Depois do 25 de Abril as coisas começaram a mudar muito rapidamente. Líamos livros como o Jack Kerouac, “Pela estrada fora”, e víamos filmes como o “Subway Riders” do Amos Poe e o “Stranger than Paradise” do Jim Jarmush. Havia um apelo à viagem. Na Europa, junto àssaídas das cidades havia uma multidão de miúdos a apanhar boleia. Lembro-me uma vez numa saída de Paris, éramos quase uma centena. Havia uma população que realmente viajava e que o fazia com naturalidade e prazer, e que apreciava imenso essa liberdade. Quando saíamos em viagem não tínhamos destino fixo. Íamos viajar por viajar, com pouco dinheiro, e quanto mais tempo ficássemos, melhor. Ia-se parando para ganhar algum e continuar a viagem, mas o principal intuito era viajar. Agora viaja-se de uma maneira diferente. Na altura era impensável apanhar um avião, porque era muito caro. Ia-se de comboio. Mas, muitas vezes, para poupar o dinheiro do inter-rail, e porque era mais divertido, ia-se à boleia.

Em Lisboa, quando tinha quinze ou dezasseis anos, todos íamos para a praia à boleia. As pessoas iam para a Praça de Espanha e estendiam o braço: parava um carro e levava-nos para a praia. Agora não, agora os miúdos vão quando têm carro. Há o problema da insegurança – que às vezes é mais ficcionado do que real. Quer dizer, todos nós então fomos confrontados com situações de perigo real, mas sabíamos enfrentar e resolver essas situações.

A viagem é um complemento direto de formação essencial. Os arquitetos têm a necessidade de ir ver coisas. Quando o Souto Moura dizia “Vão ver este projeto”, vocês queriam era mesmo ir lá ver, não é?
Claro! Íamos ver o Adolf Loos, no bairro mais periférico de Praga, ou o J.P.Oud nos subúrbios de Amesterdão. Conseguíamos chegar lá: tínhamos ido, tínhamos visto. Essa experiência, para nós, era muito importante. Acho que é fundamental ver onde é que as coisas estão, perceber a sua relação com a envolvente, perceber o cheiro, a textura. Mais tarde, o Ricardo Carvalho e eu (mais o Ricardo que eu) começámos a organizar umas viagens com um grupo de alunos, professores arquitetos e amigos. Éramos vinte ou trinta, e fizemos viagens memoráveis. Fizemos uma que, para mim, foi determinante. Fomos a Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre, em doze dias. Tínhamos os dias totalmente programados – claro que estas viagens são completamente diferentes das outras viagens – estas viagens têm um objetivo muito específico, que é ver arquitetura, e realmente há coisas que se não forem planeadas não se conseguem fazer.

Houve um dia em que vimos a Marquise, do Oscar Niemeyer, o SESC Pompeia, da Lina Bo Bardi, a FAUUSP, do Vilanova Artigas e o MUB do Paulo Mendes da Rocha. Foi determinante. Conhecia as obras da Lina Bo Bardi de publicações, mas as suas obras (como quase todas) não se podem entender se não forem experienciadas. Coisas assim, nunca tinha visto, nunca tinha sentido. Intuía que havia aquela forma de fazer arquitetura, mas nunca a tinha visto construída. O Vilanova Artigas fala da “espacialização da democracia e da liberdade, onde todas as atividades são lícitas”. Realmente chega-se à FAUUSP, e percebe-se que aquele edifício tem uma estratégia e um programa muito claro na construção da arquitetura. Entra-se no recinto do campus universitário e depois chega-se a um edifício que é a escola de arquitetura. Esse edifício não tem portas na entrada. Não tem literalmente portas. Há um átrio gigante, iluminado com luz natural que dá acesso a umas rampas enormes que vão dar às salas de aula. Nesse trajeto não se passou por uma única porta. São espaços que estabelecem uma relação total entre eles. É muito potente.

Há uma coisa que me fascina na arquitetura brasileira dos anos cinquenta, sessenta e setenta que é a construção programática da liberdade e da democracia. Os edifícios são muito generosos, muito fáceis de usar, muito simples. A Marquise do Niemeyer é exatamente isso: uma grande pala que protege do sol e da chuva e onde se podem fazer imensas coisas. Podemos estar por baixo da Marquise num dia de sol, e de repente começar a chover, como acontece muitas vezes no Brasil, e as pessoas param e ficam ali a olhar para a chuvada… Depois, a pala é uma cobertura gigante com umas gárgulas que recolhe as águas da chuva. Quando para de chover, as gárgulas continuam a deitar a água que a cobertura acumulou. As pessoas começam a andar de skate e de bicicleta e a passear de um lado para o outro e continua a sair água a jorros da cobertura pelas gárgulas, para pontos específicos do parque e do jardim. Quando a arquitetura consegue através de coisas muito simples, muito claras, com esta intensidade poética é realmente emocionante.

PEDAGOGIA E PRÁTICA  


Nas aulas que dás aqui na UAL também proporcionas aos alunos a experiência da viagem.

O Juan Herreros explicou uma vez um projeto que fazia com os alunos, na escola de Madrid. Combinava encontrar-se com eles algures em Marrocos. O programa era criar um albergue que deveria abrigar um viajante que ia da Europa em direção ao sul do continente africano, e um africano vindo do sul a emigrar para o norte. Estas duas pessoas iam encontrar-se num sítio específico, e – nessa altura – iriam ter exatamente as mesmas necessidades: comer, descansar, refrescar-se, tomar banho, etc. Este albergue devia ter a função de poder receber, de uma forma confortável, estas duas pessoas. Um exercício excelente não é? Nós, na impossibilidade de irmos para Marrocos, ou para mais longe, começámos por um exercício na Ilha de Faro e depois repetimos em Sagres, Arrifana e Porto Covo. A ideia principal é tirar os alunos da sua zona de conforto, que é a cidade onde vivem, e ir para sítios que são, para a maior parte deles, desconhecidos. Assim conhecem-se uns aos outros. Estão lá um fim-de-semana, a dormir, a passear, na praia. Depois, quando voltam, têm de fazer uma apresentação do sítio de uma forma muito intuitiva. O exercício tem a ver com essa deslocação, estar num sítio estranho, num sítio que não faz parte da rotina. Numa fase seguinte começamos com a análise e então o entendimento do território começa a revelar-se.

Neste momento o terceiro ano tornou-se um ano marcante, e vocês fazem muito por marcar essa passagem do terceiro para o quarto ano, reforçam muito a importância do terceiro ano…
O terceiro ano com o Ricardo Carvalho, e agora também com o Rui Mendes, é o final de um ciclo e por isso tem de haver uma espécie de síntese. Nesse sentido propomos exercícios específicos que evoluam de uma escala territorial para uma escala mais íntima do habitar. Sítios como a Arrifana, Sagres, Porto Covo, a Ilha de Faro, são muito assimétricos. Têm os períodos de verão, extremamente intensos, e os de inverno, ondemuito pouco acontece a não ser esperar pela próxima temporada alta. São lugares maravilhosos, com paisagens extraordinárias, mas cheios de problemas, com planeamentos equivocados, com construções mal feitas. Por exemplo, na Ilha de Faro e na Arrifana, as casas ilegais, construídas de uma forma precária, estão muito mais em consonância com o lugar do que as casas legais, de fundações em betão, paredes de tijolo, paredes duplas, piscinas, essas coisas todas. Mas, muitas vezes, essas construções ilegais, mesmo sendo frágeis, põem em causa o território onde foram construídos. Na Ilha de Faro tiveram de ser demolidas, porque o território está em erosão séria e alguma coisa tem de se fazer.

No início, não existe um programa definido de projeto. Vamos aos sítios para descobrir quais são os temas e as questões relevantes para abordar. Há uma primeira fase bastante intuitiva, que é aprender a olhar para as coisas. Chegamos ao sítio, por exemplo a Arrifana, passeamos, e somos confrontados com uma paisagem escassa, rarefeita, rude, ventosa. Depois, quando começamos a estudar a flora, a fauna, a geologia percebemos que há dezenas de espécies protegidas, únicas no mundo, e passamos a ter de repente imensos dados para projeto que necessitamos de selecionar e hierarquizar. E não são só as várias camadas de vegetação, fauna e geologia, mas também os de uma ocupação humana milenar. Há caminhos onde conseguimos imaginar que tenham por ali passado pessoas há três mil anos em direção ao sul, ou do sul em direção ao norte.
Quando começam a aparecer estas camadas todas, as coisas começam a ser muito interessantes. Pensamos que a experiência que os alunos devem ter neste terceiro ano é aprender a construir um projeto a partir de uma estratégia muito clara que consiga identificar os problemas e que não crie outros problemas. Quando começamos a trabalhar não há programa e, aos poucos, com a evolução do trabalho detetamos os problemas ou os eventuais programas que estão em falta naqueles lugares. Pode ser um centro social, pode ser um pequeno albergue, pode ser um surf camp. Normalmente é com base na análise elaborada pelos alunos que decidimos o que se vai fazer.
No terceiro ano queremos que os alunos aprendam a construir o projeto desde uma grande escala até ao detalhe, sempre seguindo um raciocínio que deve estar em sintonia, do início ao fim. 

Quando as estratégias definidas têm como base o território e as questões são reais, os projetos tendem a ter uma simplicidade e uma naturalidade que está próxima do evidente eisso, nestafase, pode ser interessante. Todos os projetos têm de conter raciocínios claros e precisos.
Queremos que os alunos consigam explicar bem as suas opções. Por isso, desde o princípio, a apresentação dos trabalhos é sempre feita em partilha perante os professores e perante a turma. Os alunos chegam ao fim dos semestres e, peranteo júri final, sabem explicar coerentemente um raciocínio. Dizer exatamente as frases certas no momento certo, de acordo com um texto elaborado que faz a síntese do projeto, e isso é muito gratificante.

Na minha formação, ao longo dos seis anos de estudo em Lisboa e no Porto, creio que apresentei duas vezes um projeto perante uma plateia. Foi algures no segundo ano em Lisboa, e na apresentação da tese final perante o júri no Porto. Acho difícil que um aluno, que vai ter como profissão explicar constantemente as suas ideias e raciocínios a outros, fique preparado desta forma. Penso que os alunos agora saem mais bem preparados da universidade do que eu saí.

Muitos dos nossos alunos estão a trabalhar em Angola, ou na América do Sul, partem para um contexto muito diferente do europeu, de que falavas inicialmente. Será que este tipo de exercício também os prepara para trabalhar nestes países?
A preparação nas escolas portuguesas, em geral, é boa. Com o curso da UAL adquirem instrumentos e ferramentas de trabalho que, em comparação com muitas universidades que já conheci, são de um excelente nível. Adquirem uma coisa que é fundamental: saber pensar, eraciocinar, dentro de um âmbito disciplinar. Conseguem criar raciocínios e esses raciocínios podem ser aplicados a escalas pequenas ou a escalas maiores. Penso que um aluno, a partir do momento que começa a saber encadear e desenvolver, através de projeto, uma estratégia de trabalho coerente, cria um método que pode aplicar em diferentes situações. É preciso identificar bem os problemas, as necessidades de um determinado sítio ou lugar, é preciso resolver as questões de uma forma justa e acertada e é preciso simplificar. As ferramentas e os instrumentos que adquirem na universidade são sempre úteis, seja para trabalhar em Angola, seja para trabalhar num instituto de conservação da natureza, seja para trabalhar em planeamento, seja para trabalhar em urbanismo, ou simplesmente como cidadãos.

Os alunos descobrem a arquitetura e o prazer da arquitetura em momentos diferentes: alguns no primeiro ano, outros no segundo, outros no terceiro. Acontece termos alunos que por alguma razão estão desmotivados, ou que ainda não perceberam o sentido das coisas. Por vezes descobrem connosco que o que estão a fazer na universidade pode ter sentido e que podem obter imenso prazer com isso. Há alunos que repetem anos, que chumbam, e depois são alunos brilhantes. O que é preciso é ter calma e saber que, na universidade, é preciso estar completamente atento. Li uma vez num sítio qualquer “Diz-me que professores tiveste, eu dir-te-ei quem és”. Esta frase tem sentido para mim. O contrário, é passar ao lado de cinco anos fundamentais e, eventualmente, ser um profissional medíocre.

De alguma forma enfatizas muito a importância dos saberes complementares à arquitetura, das outras coisas que uma pessoa vai descobrindo, quer seja em termos académicos, pelas viagens, pela música e pelos amigos…
A arquitectura pode ser feita de tantas formas, e há tão boa arquitetura e tão diferente! Há uma coisa que me parece muito interessante: quando as coisas são genuínas. Quando há arquitectos que têm um discurso genuíno sobre as coisas, isso nota-se. Quando o Ricardo Carvalho e eu fomos diretores do Jornal dos Arquitectos, entre 2006 e 2009, fizemos entrevistas a diferentes arquitectos – Álvaro Siza, Aires Mateus, Souto Moura, Gonçalo Byrne, Jean Philippe Vassal, Carrilho da Graça, Juan Herreros, Manuel Graça Dias, Manuel Salgado, Paulo Mendes da Rocha, os Promontório e Zumthor. Cada um deles expôs a sua maneira de se relacionar com o mundo. A arquitetura que produzem transmite isso. Creio que das diferentes combinações entre a nossa maneira de fazer, a nossa forma de sentir e de nos posicionarmos no mundo como cidadãos e profissionais, podem resultar coisas incríveis. Mas as coisas só se tornam interessantes e só conseguem ser realmente úteis para os outros quando são genuínas. Mesmo contendo contradições e não sendo lineares. Por isso, o que dizemos aos nossos alunos é: “Percebam quais são os vossos interesses, percebam como é que querem estar no mundo e, depois, apresentem-nos uma visão de como é que isso se pode transportar para a arquitetura”.

Gosto da diversidade, da heterogeneidade. Gosto de ver as pessoas a pensar de maneira diferente, gosto de ser confrontado com o desconhecido. Aliás, a viagem é isso mesmo, confrontarmo-nos com o desconhecido.
Em relação aos alunos, às perspetivas de trabalho que eles podem ter no futuro, creio que a nossa profissão está em transformação, o mundo está em transformação. O Gianni Vattimo, que é um filósofo, diz: “A vida é bela porque muda.” Nós não sabemos quando vai mudar, não sabemos para onde, mas sabemos que muda; e os arquitectos vão ter de encontrar novas formas de fazer. Mas isso não é novidade. Já sabíamos disso. Desde o início da História que as coisas estão sempre a mudar.

Quando a minha geração saiu da escola, ao contrário do que era comum, fizemos uma coisa que foi interessante e quase geracional. Perante a complexidade da profissão, perante a nossa inexperiência, resolvemos a trabalhar em duplas. O Pedro Pacheco e eu formámos dupla, a Inês Lobo começou a trabalhar com o Pedro Domingos, o Ricardo Bak Gordon com o Carlos Vilela, Cristina Veríssimo e o Diogo Burnay, o Pedro Ravara e o Nuno Vidigal, em Lisboa. Mais tarde também os Aires Mateus, os ARX e o Ricardo Carvalho com a Joana Vilhena. Também, no Porto, a Cristina Guedes e o Francisco Vieira de Campos, o Luís Tavares Pereira e a Guiomar Rosa, o João Pedro Serôdio e a Isabel Furtado, juntaram-se em duplas. Foi a nossa forma de responder perante as coisas que estavam a acontecer. Houve também outras formas, por exemplo os Promontório, que criaram um corpo maior. Penso que o que vai acontecer é que as gerações depois de nós vão encontrar novas formas de se relacionar a nível de trabalho e de criar oportunidades de trabalho. Vão juntar-se ainda mais, vão juntar-se menos, vão juntar-se de forma diferente? Nós juntámo-nos em duplas de arquitectos, mas porque não se formam grupos de arquitectos e engenheiros, ou arquitectos e agentes imobiliários ou arquitectos e construtores? Porque é que as coisas são estanques? As próximas gerações vão encontrar de certeza uma resposta para o que está a acontecer neste momento. Como? Não se sabe. Nós fizemo-lo à nossa maneira, eles vão ter de fazer da forma que encontrarem.

Os projetos que estão a fazer refletem essa mudança?
Está tudo mais flexível, muito mais rápido, mas já na nossa altura também era muito rápido. A nossa profissão mudou muito, em vinte anos. Cada vez mais os arquitetos vão ter de estar desde o princípio do processo. Como exemplo dou um trabalho, que foi a recuperação de um edifício na Baixa Pombalina, o “Projeto Fanqueiros”(05). O ateliê trabalhou com o cliente desde o princípio. O cliente queria investir em Lisboa, queria comprar um edifício antigo, porque gosta muito de Lisboa e da arquitetura do centro da cidade. O ateliê fez o contato com agências imobiliárias para encontrar edifícios para recuperar que servissem os interesses do cliente. Montámos todo o processo de concurso com as empresas de construção, com as empresas de fiscalização, procurámos eventuais apoios de entidades estatais, fomos à procura de dinheiro disponível emfundos europeus. Os arquitetos têm, cada vez mais, de estar dentro de todo o processo. Já não podem estar só a fazer projeto no ateliê, têm de ser agentes ativos de uma forma muito mais alargada.

Há pouco dizias que gostavas de diversidade. Gostava de saber se isso se reflete no ateliê, nos colaboradores, no vosso processo de trabalho. …
No ateliê somos um grupo pequeno, cinco, e as coisas processam-se de uma forma muito normal. O método e a maneira de trabalhar vão variando um pouco de acordo com as pessoas que entram no ateliê e com a especificidade de cada trabalho. No ateliê, cada projeto tem um colaborador responsável que é o chefe de projeto. Eu assumo o papel de coordenador geral. Em conjunto tomamos decisões.
Temos determinadas preocupações, que se espelham também na forma como dou aulas, que é tentar perceber com a maior profundidade possível o sítio onde estamos a trabalhar, fazer críticas ao programa e depois construí-lo da forma mais rigorosa e clara que conseguirmos.

Penso que a arquitetura começa no programa e que todas as opções devem ser equacionadas. Normalmente temos a necessidade de por em dúvida os programas que nos dão para desenvolver porque muitas vezes confrontamo-nos com opções que pensamos não serem as mais acertadas. Fazer arquitetura, desenhar, construir, é um processo muito longo, trabalhoso e caro. Não há muita margem para falhar. Deve-se desenhar o necessário e pensar se o necessário também o é daqui a cinco anos. Porque, como já constatámos, as coisas mudam rapidamente. Depois é um trabalho em equipa. E por vezes temos a sorte de toda a equipa ser boa, inclusivamente o cliente e o construtor. Fazer arquitetura é realmente um trabalho em equipa.

Que tipo de trabalho estão a fazer neste momento?
Este ano trabalhámos essencialmente em reabilitação. Lisboa tem um tecido urbano muito interessante e há muitas coisas que estavam para ser demolidas mas que felizmente, com esta crise, vão permanecer. Estamos também a trabalhar na Mouraria e na Junqueira.
Há zonas em Lisboa que têm edifícios ou conjuntos urbanos com imenso valor quer a nível tipológico, quer a nível construtivo. Houve uma altura que tive ateliê na Rua da Padaria, na Baixa Pombalina. Aí fui confrontado durante tempos com contentores à porta dos prédios repletos de caixilharias, portas e portadas com duzentos anos, como se não valessem nada.

Neste momento percebemos que aqueles elementos construtivos podem ser preservados, que são eventualmente imperfeitos, mas que não deixam de ter valor por isso.
Outra questão importante é que as reabilitações permitem trabalharmos com tipologias que não são as convencionais. Nas últimas décadas construiu-se em Portugal edifícios de apartamentos que repetiram a tipologia dos T até à exaustão. Por exemplo, a tipologias dos T – que pensamos ser universal mas que é tipicamente portuguesa – têm invariavelmente uma zona da casa com os quartos e uma zona com a zona social. Quando entramos em casas desconhecidas com essa tipologia sabemos exatamente onde estão a casa de banho, a cozinha, etc., porque etsão sempre no mesmo sítio. Na Baixa Pombalina as casas, mais do que quartos e salas, têm espaços, que se podem transformar no que for necessário, durante um período de tempo específico.

Reabilitámos também um apartamento popular em Alcântara onde os dois quartos se situam em lados opostos da casa. No meio está a zona social. Deste modo o apartamento pode ser partilhado por amigos mantendo a privacidade. As tipologias que temos encontrado nos edifícios que estamos a recuperar sugerem outro tipo de habitar, mais flexível e talvez mais adequado ao momento atual. Por não estarem sujeitos às normativas, muitas vezes absurdas, a que estão sujeitas as novas construções, podemos explorar outras combinações que não estão de acordo com o standard, mas que no entanto revelam grandes possibilidades.
Criam-se espaços atípicos, menos convencionais, inesperados e por vezes imperfeitos e isso interessa-me muito na arquitetura.
Há um tipo de arquitetura que convoca e incorpora essa imperfeição. Estou interessado em coisas que emanem e que incorporem o real, o imperfeito, e que sejam de algum modo incompletas e provisórias. É isso que nos faz mover.

Nos últimos anos, os ateliês que mais me estimulam são os que têm este tipo de estratégia perante o projeto. O Herzog & de Meuron desde a universidade que me interessaram muito. A Casa de Pedra é um exemplo disso. Conseguem transformar coisas simples e banais em coisas extraordinárias, e as estratégias de projeto variam sempre muito de programa para programa. Por exemplo, falando da Tate Modern, ou do Rehab Center, são dois edifícios excecionais que se desenvolvem a partir de um reequacionamento do programa. A Tate revolucionou na altura tanto o que era a reabilitação de um edifício industrial, como a noção de museu. 

O Rehab foi um dos edifícios mais comoventes que alguma vez vi. É uma unidade pós-traumática, para vítimas de acidente. O edifício emana um conforto e uma delicadeza enorme. Madeira, vidro, cortinas brancas, luz e água. Estas duas obras são feitas quase em simultâneo e as estratégias – e consequentemente os materiais de que são construídas – mudam, para responder acertadamente ao programa. Estes edifícios são mesmo feitos para as pessoas. Só adquirem significado, ou só são realmente arquitetura, com pessoas. Há muitas obras de arquitetura que dispensam pessoas. São de tal forma completas e de tal forma perfeitas que se tornam num sistema fechado. Estar ou não estar alguém dentro dos edifícios é, nestes casos, totalmente indiferente. A pessoa que usa o edifício é remetida simplesmente para um papel passivo de espetador. Gosto de obras de arquitetura que se completam com as pessoas, que motivam as pessoas a participar no edifício e a completá-lo. É assim que gosto de fazer arquitetura.

Então a arquitetura não é afinal para fazer o mundo perfeito…
Creio que não. Prefiro as coisas normais. Existe uma naturalidade que o belo e o perfeito não conseguem conter.

01 Filipe Figueiredo e José Segurado projetam em 1952 o cruzamento das duas mais importantes avenidas do bairro de Alvalade com 4 grandes blocos de 13 pisos dispostos na perpendicular, contrariando a praça prevista no plano. O programa funcional apontava, igualmente, para uma solução típica de "unidade de habitação": galerias interiores, habitações mínimas, duplex, terraços utilizáveis. O sétimo piso, situado ao nível central do edifício, é tratado formalmente como uma alheta de separação que marcava o piso comercial, terciário e de serviços. A execução transformá-lo-ia, porém, num programa tradicional de habitação, anulando o piso central de serviços e remetendo para o piso térreo o comércio. A vibrante expressão formal desenvolvida com um rigoroso profissionalismo, seria contudo mantida vincando-se a alheta separadora dos dois volumes, o colorido vibrante do magenta, a profusa variedade de materiais e texturas, o escultórico desenho das varandas como caixas salientes da fachada. Ana Tostões in: Conjunto Urbano Vá-Vá, La Vivienda Moderna”, 1925-1965. Registro DOCOMOMO Ibérico.

02 Café Vá-Vá. Inaugurado em 1958, com assinatura do arquiteto e designer Eduardo Anahory. Com uma esplanada com vista para as novas avenidas de Lisboa (cruzamento entre as avenidas de Roma e dos EUA), tinha a presença habitual de gente conhecida e com capacidade de intervenção pública nas décadas que precederam o 25 de Abril de 1974. Havia o grupo do cinema, do chamado cinema novo, o António Pedro Vasconcelos, o Fernando Lopes, o Paulo Rocha, que morava no prédio do Vá-Vá [e que fez do café cenário para um dos filmes emblemáticos da história do cinema português, Verdes Anos] Lauro António. Havia o grupo dos músicos, o Fernando Tordo, o Paulo de Carvalho, o Carlos Mendes, muitos jornalistas, o Luís Villas-Boas (do jazz), pintores. Ir ao Vá-Vá era fazer oposição ao regime, quanto mais não fosse pelo simples facto de lá se falar mais ou menos abertamente de coisas que não se podiam murmurar sequer noutros locais.
Vinte anos depois, já com o país em liberdade, a todos estes juntava-se uma nova geração de músicos que queriam cantar rock em português. Zé Pedro, guitarrista dos Xutos & Pontapés, assume que a sua "fase de arrastar a vida nas esplanadas" foi passada no café do cruzamento da avenida de Roma com a avenida dos EUA. Zé Pedro lembra-se que os Sétima Legião ensaiavam ali perto ("até chegávamos a ouvir os ensaios da esplanada"), os elementos dos Heróis do Mar também marcavam presença. O Vá-Vá fazia parte do que Zé Pedro classifica como "a rota punk": era ali que a malta se juntava para depois ir aos bares, "as grandes noites loucas passavam sempre por lá". De dia, era ponto garantido de encontro com malta da música. Luis Francisco In: Público P2 “O que torna este café tão especial” 25-07.2007.

03 DA – Documentos de Arquitectura- Publicação com a direção de José Adrião e Rogério Gonçalves. Fizeram parte da equipa editorial Francisco Vassalo e Pedro Pacheco. Saíram 4 números desde o Verão de 1999. O primeiro número foi uma edição fotocopiada. Foram publicadas entrevistas a diferentes arquitectos tais como: José Gigante, Josep Llinàs, Josep Quetglas, Manuel Gallego e Vitor Figueiredo. A.E.D.A., Associação de Estudos Documentos de Arquitectura.

04 Discursos sobre Arquitectura – Foi um ciclo de conferências que reuniu, em 1990, no auditório da Escola Superior das Belas Artes do Porto, um conjunto notável de arquitectos. A Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto marcava assim a entrada na última década do século com uma iniciativa de grande alcance e ambição. Alguns nomes, então numa primeira fase da sua carreira, como Jacques Herzog e Peter Zumthor, seriam mais tarde reconhecidos com o Prémio Pritzker. James Stirling, uma figura central na arquitectura do pós-guerra, faria aqui uma das suas últimas conferências.
O ciclo Discursos sobre arquitectura foi organizado, em 1990, por Carlos Machado, Eduardo Souto de Moura, João Pedro Serôdio, José Bernardo Távora, José Paulo dos Santos, Manuel Mendes. Jorge Figueira in Discursos (Re)visitados – Ciclo de Vídeo. U.Porto, Faculdade de Arquitectura da Ubiversidade do Porto

05 Projeto Fanqueiros – Projeto de 2011 da José Adrião Arquitectos na Baixa Pombalina de Lisboa. O Projeto recebeu o Prémio Vasco Vilalva para a recuperação e valorização do património 2011 e o Prémio FAD Interiorismo/Opinião 2012.

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