Entrevista a Mariana Morgado Pedroso

Entrevista a Mariana Morgado Pedroso «Architect Your Home é completamente inovador no meio da arquitetura»

 

Quer melhorar a sua casa? A Architect Your Home tem um método único e à medida de cada um, através de um menu de serviços de arquitetura e decoração. Renova quartos até projetos de grande escala, desenvolve home-staging (montagem de casas para venda) e tem em mãos a reabilitação de edifícios antigos.

Já recuperou o Palácio Nacional de Queluz ou o Hotel Le Consulat em Lisboa e tem 12 ateliers com 27 arquitetos em Portugal.

Mas vamos ao seu início. Tudo começou quando a arquiteta Mariana Morgado Pedroso estava a ler uma revista inglesa de decoração e se deparou com a publicidade da Architect Your Home (AYH). Nunca tinha visto um anúncio publicitário feito por um gabinete de arquitetos. Na altura, tinha 32 anos e vontade de criar o seu negócio próprio, algo que fosse para além de um atelier tradicional de arquitetura – e este conceito encaixava que nem uma luva no que idealizava para si. Daí até trazer a marca para Portugal foi uma questão de persistência.


A origem da AYH advém da visão de um casal de arquitetos, que criou em 2002 um “Menu de Serviços” para chegar aos proprietários ingleses e a todos os “self-builders” de arquitetura. «No Reino Unido, é comum as pessoas fazerem renovações e até construções de raiz, sem a ajuda de um arquiteto, acompanhados apenas pelo construtor», conta à Líder Mariana Morgado Pedroso. Este “Menu” possibilitava a uma vasta franja de pessoas o apoio de profissionais arquitetos e decoradores nas suas renovações através de um inovador sistema que permitia uma pequena consultoria até a um projeto chave-na-mão integral.

«O sistema foi muito bem-sucedido, e alargou-se para uma rede de arquitetos pelo país, o que o tornou ainda mais interessante trazer o conceito para Portugal», explica visivelmente satisfeita. Hoje, além de clientes portugueses, tem também angolanos, americanos, franceses e ingleses. E, agora, com uma forte componente online, no sentido de a empresa poder dar continuidade a todos os projetos durante a pandemia.

Traz para Portugal a marca Architect Your Home em 2012. O que tem de diferente este conceito no nosso mercado?
O Architect Your Home é um sistema completamente inovador no meio da arquitetura, por dois fatores principais. O Menu de Serviços – único e que permite aos clientes utilizarem os serviços de um arquiteto tanto ou quando precisarem – por exemplo podem contratar alguém apenas para dar ideias para um quarto de bebé ou renovar uma casa-de-banho até projetos de grande escala, acompanhando desde a arquitetura até à decoração e especialidades com equipas dedicadas e conhecedoras. E pela nossa rede de arquitetos, por todo o País, que trabalham em uníssono, partilhando ideais e formas de trabalhar – temos tido um desenvolvimento acentuado no sentido do acompanhamento total, em especial junto de clientes estrangeiros e promotores que procuram um serviço completo de profissionais que trabalham sob a mesma chancela o que facilita a comunicação. No AYH acreditamos que a boa comunicação é a base para projetos bem-sucedidos, pelo que fomentamos a escolha de arquitetos e ateliers para a nossa equipa que tenham a comunicação nas fundações da sua prática profissional, um cliente bem acompanhado, deve estar a par do desenvolvimento do projeto, e ajuda muito ir esclarecendo as várias etapas da burocracia dos licenciamentos, ou os passos necessários numa obra para prevenir mal-entendidos entre arquitetos e clientes.

Neste momento tem 12 ateliers com 27 arquitetos. Trabalha no sentido de manter alguma estética ou tipo de marca?
Estamos muito contentes com a dimensão e dinâmica que os ateliers têm tido trazido. O Architect Your Home junto dos arquitetos, enquanto marca, promove o sentido de comunidade entre os ateliers – temos conseguido criar uma rede que vai muito além de apenas partilharmos projetos, é um grupo de pessoas que partilha ideais e conhecimentos, o que permite chegar mais longe enquanto equipa, e esta partilha entre nós é algo que me dá um enorme orgulho. Em relação ao Architect Your Home na sua ligação com os clientes a marca é apologista que a comunicação é a base de um bom projeto, por isso trabalhamos muito junto dos arquitetos a questão de comunicarem com os clientes para melhorarem a fluidez do projeto e resultados mais satisfatórios para ambos os intervenientes.

Como é que o vosso gosto e estilo evoluem? Como definiria o vosso traço?
O Architect Your Home não tem um estilo único – cada arquiteto desenvolve o seu traço, gosto e traz a sua escola, e o acumular da nossa experiência coletiva traz projetos muito ecléticos e variados em estilo, o que permite aos clientes ter uma grande variedade de oferta quando procuram um profissional para os acompanhar num projeto, desde arquitetos especializados em questões energéticas, ambientais a grandes equipamentos, reabilitação do património. Na decoração também temos decoradores de vários estilos, do clássico ao mais trendy e concentramos as energias na sede em garantir uma boa entrega ao cliente, deixando a criatividade ao arquiteto.

 

Qual é a estratégia e princípios guia?
O Architect Your Home pontua-se pela diversidade na oferta de equipas e serviços na área da arquitetura e interiores e pelo rigor na entrega dos projetos e casas aos clientes. Em termos estratégicos tem-se posicionado no mercado dedicado à área residencial, e em oferecer uma resposta com serviços ao nível de todo o País. Em termos estratégicos, posicionámos sempre também a empresa como oferta para clientes estrangeiros, com equipas multilíngues e acompanhamento à distância, com uma plataforma online muito forte que nos permite desenvolver todo o projeto, montar a casa e fazer uma entrega de uma casa mesmo sem alguma vez termos estado com o cliente – esse posicionamento no mercado trouxe clientes de várias nacionalidades que procuram viver ou investir em Portugal a confiar no AYH como o parceiro certo para os seus negócios.
A oferta de serviços é muito variada mas pontuada sempre por um acompanhamento muito profissional, por exemplo, temos desenvolvido projetos de home-staging (montagem de uma casa para venda) a um ritmo rápido para uma empresa de gestão de créditos que precisa de colocar casas no mercado para recuperação de investimentos – para tal fazemos o projeto de decoração e montamos a casa de forma rápida, de acordo com as tendências do mercado e temos equipas desde o Algarve ao Norte a desenvolver este serviço.

Desde que iniciou o projeto, como retrataria as épocas que a arquitetura acabou por atravessar no nosso País? A arquitetura está em crise? Como é que conseguimos mudar isso?
O lançamento do Architect Your Home foi uma lufada de ar fresco na área da arquitetura em 2012, vivia-se uma crise financeira que já tinha começado em 2010, e perduraria até 2014, fruto da crise financeira global 2007-2008 e lembro-me no pico da crise da quantidade de falências diárias anunciadas. Contudo, lembro-me também de sentirmos que era o momento certo, que nada de semelhante existia no mercado e na altura de a preocupação maior ser como seria aceite dentro do sector, mais do que junto do público em geral. O sector da construção atravessava, à data, uma crise enorme e os gabinetes de arquitetura ressentiam-se muito com isso, com vários ateliers a fecharem e os arquitetos a procurarem emprego fora do sector. Ter a capacidade de inovar, pensar fora da caixa, foi algo que nos permitiu inovar num sector muito tradicional e no fundo encontrar uma oportunidade estratégica de posicionar os serviços de arquitetura para o público em geral de uma forma fresca e nova e o posicionamento na área da reabilitação. A ideia foi bem aceite por todos, e tem evoluído muito positivamente. Em 2020 enfrentamos um desafio diferente do criado pela crise do subprime – de repente parou tudo – é uma crise relacionada com a saúde o que traz reações inesperadas e obriga a uma estratégia diferente daquela que usámos em 2012 – é certo que vivemos todos um tempo difícil e incerto, mas até agora o sector aguentou o embate da COVID-19. As obras não pararam em Portugal, com uma suspensão temporária no início desta crise, e veremos o que nos traz 2021. Em termos de posicionamento apostámos na divulgação nacional e internacional das consultorias AYH online – temos feito muitas para clientes que estão fora de Portugal e para quem está em casa e quer fazer uma renovação, mas não quer pessoas de fora a entrar em sua casa – em que comunicamos através dos meios digitais para desenhar com os nossos clientes as suas ideias permitindo desenvolver um projeto à distância.  Tem sido uma forma de adaptação a esta nova realidade do teletrabalho e também uma forma de continuar a prestar os serviços para quem ficou em casa durante a pandemia, algo que já fazíamos para os clientes que estão fora de Portugal.


Já foram desenvolvidos 350 projetos d
esde restaurantes, hotéis, casas privativas e unidades para aluguer. Cerca de 75% dos clientes do AYH Portugal são estrangeiros. Podemos dizer que o seu trabalho engloba muitas culturas?
No Architect Your Home contamos com centenas de clientes de quase todas as nacionalidades, o que o torna a nossa sede num polo cultural interessante, acima de tudo pela forma como é necessário gerir estes clientes – o que esperam de nós em cada cultura – mais do que pelos estilos de arquitetura e decoração. Um bom profissional sabe responder às questões de estilo de um cliente americano, francês ou angolano adaptando-se ao que fará o cliente confortável em sua casa, e são muitos os desafios, desde formas diferentes da nossa de viver “a casa” até pequenos detalhes que estamos atentos para conseguir chegar ao melhor projeto possível para cada caso. Acima de tudo este ecletismo de clientes, trouxe-nos desenvoltura e abertura de espírito e estamos sempre prontos para um novo desafio.

Quando olha para trás, quais são os projetos mais emblemáticos e que mais orgulho tem?
Existem alguns projetos que nos trazem bastantes memórias e dos quais temos muito orgulho, destaco a Recuperação do Palácio Nacional de Queluz, o Hotel Le Consulat em Lisboa, e projetos de reabilitação de edifícios antigos na zona de Lisboa e Porto, para investidores privados que foram feitos com muita dedicação e que atingiram em pleno os objetivos dos clientes. Nos projetos de decoração destaco a “casa do baloiço” como um exemplo bem-sucedido de projeto à distância e que em um mês de projeto e um mês de montagem se conseguiu destacar os pontos fortes da casa, utilizando designers e produtos portugueses inéditos para um resultado original.

 

Se pudesse escolher ter feito algum projeto nacional, qual seria?
Destacaria a possibilidade de fazer parte de uma equipa de recuperação do património residencial nacional.

Qual é a parte mais difícil deste trabalho?
A gestão das várias equipas e projetos – embora seja um desafio interessante obriga a uma visão conjunto de todas as matérias em movimento e ao mesmo de detalhe para saber o que se pode fazer para melhorar cada projeto em curso atendendo às sensibilidades de ambos os intervenientes – arquitetos e clientes – o que se revela por vezes um desafio de conseguir o bom-senso e um bom projeto, e vai muito além do desenho de arquitetura.

Quais são as prioridades com a marca?
Manter a marca posicionada no sector da reabilitação e das grandes obras nacionais. Temos vindo a crescer nesse sentido e continuamos a apostar em dar resposta a desafios dessa natureza, oferecendo aos nossos clientes uma nova perspetiva e abordagem às questões da arquitetura, com uma flexibilidade, inovação que traz todo o serviço de arquitetura para outro nível na oferta de serviços na área.


Fale-me do seu percurso académico e profissional? E porque decidiu seguir esta área?
Especializei-me na área da Reabilitação, Restauro e Recuperação do Património Arquitetónico, e essa especialização na recuperação de imóveis históricos tem marcado o meu percurso mais recente. Iniciei a minha carreira profissional junto do arquiteto Manuel Salgado, onde entre 2004 e 2008 participei em inúmeros projetos de desenho urbano. Seguidamente, e até 2012, colaborei no atelier Frederico Valsassina Arquitetos, integrando equipas em projetos de reabilitação de edifícios. O trabalho intenso de quase uma década junto de alguns dos mais prestigiados gabinetes de arquitetura em Portugal capacitou-me a experiência na execução de grandes projetos, alguns dos quais premiados. Sempre gostei de desenho e criar e a arquitetura surgiu no liceu como um caminho profissional a seguir para o meu futuro.

Paralelamente à atividade em atelier, lecionei a cadeira de Arquitetura na Licenciatura de Engenharia Civil no Instituto Superior Técnico (2006-2009) o que trouxe o contacto com centenas de estudantes e permitiu-me desenvolver aptidões na área da comunicação que viriam a revelar-se muito importantes mais à frente no percurso. Essa especialização na recuperação de imóveis históricos tem marcado o seu percurso mais recente. A partir de 2012 tem trabalhado em nome próprio com vários clientes, desenvolvendo tanto projetos de edifícios novos como reabilitações na área do Património. Entre os projetos individuais destacam-se a recuperação de apartamentos em Lisboa e dois edifícios de habitação para o centro histórico de Cascais e, na área do Património, os projetos para a recuperação do Pavilhão Robillon – Cafetaria e Auditório para o Palácio Nacional de Queluz e a Escola Portuguesa de Arte Equestre, no Picadeiro Henrique Calado em Lisboa. À experiência profissional e ao valioso conhecimento adquirido durante a última década, foi a visão de mercado e uma capacidade empreendedora que permitiram contra todas as previsões e desafiando o contexto e a conjuntura, no final de 2012 implementar em Portugal a empresa Architect Your Home, que até agora tem ocupado o meu panorama profissional, sendo que já estou a explorar novos desafios para a próxima década.

 

Entrevista publicada no site Best Team Leaders por TitiAna Amorim Barroso

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