Entrevista a Rui Alves e Teresa Rodeia, fundadores da RA + TR Arquitectos

Categorias: Entrevistas

Trabalham em parceria desde 1991, tendo fundado em 2008 a empresa RA+TR Arquitetcos. Rui Alves e Teresa Rodeia encaram a arquitetura como uma atividade pluridisciplinar e entendem o projeto como uma atividade de grande rigor. Em entrevista falam-nos do papel determinante do arquiteto na reabilitação e na regeneração urbanas.

Começamos pelas apresentações. E para quem ainda não conhece o trabalho que têm vindo a desenvolver, podem sugerir uma obra que considerem ser representativa.

Podemos sugerir várias. Entre as relativamente recentes estão o Loft em Marvila ou a Reabilitação de edifício na Rua Ferreira Borges, para Residência Assistida, Academia de Atividades e Cantina Social.

Onde estão sedeados? Quais as áreas de especialização? E qual a dimensão da equipa?

Estamos sedeados em Lisboa, na zona da Estrela. Não temos, propriamente, áreas de especialização embora a nossa atividade sempre se tenha centrado na reabilitação de edifícios. Contudo, fazemos também obra nova e trabalhámos muitos anos em urbanismo. Para além disso, somos ambos docentes de arquitetura. A dimensão da nossa equipa é variável, de acordo com o volume de trabalho sendo, neste momento, de cinco pessoas.

Quais as principais características que marcam as vossas obras?

Embora seja difícil para nós avaliarmos o nosso próprio trabalho procuramos fazê-lo com rigor, atenção ao lugar e às suas características como elemento fundamental para o projeto. Em termos de reabilitação damos igual valor ao interior e ao exterior dos edifícios, portanto rejeitamos o “fachadismo” e é nosso objectivo conciliar as técnicas e a expressão própria do que é antigo e do que é novo. Tal implica respeito pelo existente mas também um equilíbrio entre o novo e o antigo.

E, entre os projetos mais emblemáticos do vosso portfólio, quais destacariam?

Para além dos já aqui referidos, destacaríamos ainda a Casa da Árvore, a reabilitação de edifício no Bairro Alto, em Lisboa ou os nossos projetos premiados, em Leiria e em Alte (Loulé).

Cumprido um ano desde a chegada da Covid-19, como têm sentido o impacto da pandemia no mercado da arquitetura? E, especificamente, na prática do vosso atelier?

No mercado da arquitetura, a principal consequência terá sido, por um lado, o maior atraso na apreciação de projetos, por parte das entidades oficiais, e, por outro lado, o atraso das obras que estavam a decorrer. Quanto à encomenda, não registámos uma diminuição, embora alguns projetos em curso possam estar em reavaliação.

Atualmente, quantos projetos têm em carteira (em que setores e em que localizações)? E quais as perspetivas ao nível de novas encomendas para este ano?

Neste momento temos em desenvolvimento cerca de catorze projetos no Norte, no Centro e no Sul do país. Encontram-se em diferentes fases de desenvolvimento, na área da reabilitação de edifícios para habitação pública, privada, equipamento social e terciário. As perspectivas continuam a ser positivas.

Olhando para o estado atual do mercado imobiliário e da construção, onde identificam o maior potencial de crescimento em Portugal?

O maior potencial de crescimento parece-nos que continua a estar na reabilitação de edifícios, para habitação, e não só.

Nesta fase, o mercado continua muito voltado para a reabilitação e a regeneração urbana. A seu ver, qual é o papel do arquiteto nesse processo que, afinal, é uma prioridade a nível nacional?

O papel do arquitecto é determinante para que a reabilitação e a regeneração urbanas possam constituir, de facto, uma requalificação. Depois de décadas em que o papel dos arquitetos foi secundarizado, com os prejuízos decorrentes ao nível da qualidade urbana de muitas áreas urbanas, parece-nos ser necessário inverter essas práticas e trabalhar para a sua requalificação.

Outra questão-chave e que é cada vez mais incontornável é a sustentabilidade do edificado, não só do ponto de vista energético, mas também ambiental e social. Como é que a arquitetura deve contribuir para este desígnio?

A arquitetura tem um papel fundamental visto que, muitas vezes, define a solução que as especialidades deverão desenvolver. Para além disto, o arquiteto define os materiais de acabamento e tem um papel determinante nas soluções construtivas. Assim, as escolhas do arquiteto, ao nível da escolha dos materiais, das soluções construtivas, tendo em conta a economia circular, o impacto no meio ambiente tanto ao nível do consumo de matérias primas como depois, no final da sua vida útil, são fundamentais. A utilização de energias renováveis e sua conservação devem ser tidas em conta, pelo arquiteto, desde o início do processo de projeto.

E, tendo em conta o estado atual do parque edificado nacional, quais devem ser as prioridades para o tornar mais sustentável?

As prioridades devem passar, nesta fase, pela melhoria das condições de sustentabilidade energética, nomeadamente pelo incremento das soluções de isolamento térmico. Outra questão fundamental passa pela remoção controlada de materiais nocivos ao ambiente das construções antigas e a utilização de materiais obtidos por processos mais sustentáveis, nas novas construções.

Quando prescreve os materiais de construção, que características tem em consideração?

Temos em conta a durabilidade, a sustentabilidade, a produção nacional e, naturalmente, a qualidade estética, no sentido da qualidade de uso dos utilizadores e da relação com o sítio.

Entrevista publicada no site (re)portugal por Susana Correia

Fotos © DR

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