Entrevista: Marcelina Guimarães projecta casas que fazem bem à saúde

Os projectos de arquitectura de Marcelina Guimarães são essencialmente pensados na saúde de quem os habita. A arquitecta e CEO de um gabinete de arquitetura e design de interiores com um conceito altamente diferenciador o qual alia saúde ao espaço construído, o Habitat Saudável, é neste momento uma opinion makers de referência em Portugal. A sua marca é vincada à ecologia/sustentabilidade das construções mas sobretudo à influência do espaço fisico na saúde.

Em entrevista ao Diário Imobiliário explica como se projecta uma casa saudável.

O que é e como é um Habitat saudável?

Um “Habitat saudável” é um edifício que reúne um conjunto de critérios de saúde geoambiental favoráveis à promoção da saúde física, mental e emocional dos seus utilizadores. Independentemente da funcionalidade do edifício os critérios a ter em atenção são sempre os mesmos, podendo agrupá-los, essencialmente, em quatro grandes categorias: tóxicos ambientais, contaminação electromagnética, radiações naturais e psicologia do ambiente.

  • Tóxicos ambientais: um habitat saudável deve estar isento de compostos orgánicos voláteis (benzeno, formaldeído,etc.), material particulado (PM2,5 | PM5), gases tóxicos (ozono, dióxido de nitrogénio, dióxido de enxofre, monóxido de carbono e dióxido de carbono);
  • Radiações artificiais: um imóvel deve ter uma ligação à terra do edificio eficiente, com baixos valores de harmónicos na instalação eléctrica, com exposição a ondas electromagnéticas, campos eléctricos e magnéticos alternos de baixa frequência controlados, em especial nos espaços de longa permanência;

Radiações naturais: os espaços devem ser projectados em consonância com os factores de geofísica externa (campo magnético e radiação terrestre), radioactividade ambiental e gás radão

  • Psicologia do ambiente: as emoções que os espaços proporcionam às pessoas também não devem ser descuradas. Um habitat saudável deve ter em atenção a cor utilizada, a orientação solar/luz, o design biofilico, a proporção dos espaços, etc.

Apesar de serem sempre os mesmos critérios, a ter em consideração, seja numa habitação, num espaço de trabalho, numa escola, etc., a forma como “trabalhamos cada critério” varia consoante o uso e/ou tempo de permanência no espaço e a fragilidade dos seus utilizadores (idade, doenças pré-existentes, predisposição genética, comportamentos/hábitos de vida de risco, etc.).

Contudo, a análise de tais critérios servem, de ponto de referência, para que possamos estabelecer um índice de salubridade no edificado. Quando o índice nos mostra parâmetros menos adequados inevitavelmente existe um potencial de risco a médio/longo prazo para que a saúde dos seus utilizadores possa ser afetada em maior ou menor grau de intensidade.

Neste contexto, permita-me sugerir a leitura do livro “Uma casa mais feliz, uma família mais feliz”, da editora “A esfera dos Livros” um livro de dicas cientificamente fundamentado, do qual sou co-autora, e que resume todos estes e outros temas relacionados com o edificado de forma a ajudar quem procura comprar ou construir um imóvel; ou até mesmo a como mitigar e/ou atuar perante um “habitat pouco saudável”!

Como a arquitectura contribui para isso?

Falando por experiência própria, é um pouco mais difícil enquanto projectista fazer um edifício saudável porque os factores a ter em atenção durante o processo são muitos mais, além de toda a legislação e burocracia associada, o que torna o processo mais complexo; contudo fazêmo-lo articulando e colocando em prática um conjunto de princípios e técnicas variadas tais como:

– Princípios de arquitectura bioclimática;

– Projectos de especialidades de engenharia, biocompativeís, ou seja, compativeis com a vida humana (p.e projectos de hidráulica e eléctrico/ITED);

– Princípios de saúde geoambiental;

– Utilização de métodos constutivos e materiais de construção e/ou decoração saudáveis e eco-sustentáveis sempre ajustados ao “budget” do cliente;

– Reciclagem e gestão adequada de resíduos e águas sempre articulados com as especialidades de engenharia associadas;

– Princípios de Biogeometria, muito presentes em todas as grandes obras da história da arquitectura, mas que sabe-se lá porquê se foi desvanecendo ao longo dos últimos séculos…temos vários exemplos desde a Catedral de Notre-Damme, a Catedral de Santiago Compostela, a Ácropele de Atenas, tantos…

– Técnicas de Psicologia do Ambiente;

– Design biofilico;

Para o cliente final é sempre uma enorme mais valia porque o investimento não difere muito de uma construção tradicional e o valor acrescentado ao imóvel construído é muito superior ao de um imóvel tradicional.

Por exemplo para construir uma casa anti radão, por vezes, é suficiente a substituição de uma tela tradicional por uma tela anti-radão com um custo adicional de pouco mais de 4 euros/m2; este diferencial de custo torna-se irrisório no valor global da obra tendo em conta a mais valia em termos de valor acrescentado para o imóvel do ponto de vista da sua salubridade.

Claro que não é assim tão linear pois dependendo da zona de perigosidade pode tornar-se essencial a opção por técnicas construtivas mais seguras e eficazes, mas ao mesmo potencialmente mais complexas – criação de vazios sanitários, sistemas de despressurização activa do terreno, sistemas de pressurização positiva, etc.

Agora obviamente que quanto mais precoce for a intervenção e implementação de determinados critérios mais saudável e mais económico será o edifício.

Em Portugal temos casas saudáveis?

Sim e não.

Em Portugal os arquitectos, regra geral, não têm estas preocupações nas suas obras porque os clientes, por falta de informação e formação, também não o exigem; logo não posso dizer que sejam 100% saudáveis.

Na Habitat Saudável® também avaliamos edifícios não projectados por nós, e encontramos de tudo, mas regra geral, com pequenas alterações conseguimos minimizar alguns problemas. Mas também já nos deparámos com situações bastante graves, já com consequências drásticas na saúde das pessoas…

O que é necessário mudar para as tornar mais saudáveis?

Regra geral existem um conjunto de problemáticas muito comuns no edificado em Portugal as quais deveriam ser trabalhadas em conjunto quer pelos gabinetes de arquitectura quer pelas entidades com responsabilidade governativa seja ao nível do poder local e/ou central. Refiro-me, em concreto, aos:

– Deficientes niveís de qualidade do ar interior (QAI), hoje ainda mais preocupante com o maior uso que as pessoas dão aos espaços habitacionais devido à pandemia; tal está relacionado com os materiais de construção e decoração empregues de elevada toxicidade, com o material particulado presente nos espaços, com os compostos orgânicos voláteis presentes no mobiliário, libertados durante o manuseamento de produtos de limpeza, etc.; mas também devido à presença de gases tóxicos como o dióxido de azoto presente no fumo de tabaco, presente em edifícios próximos a vias de elevado tráfego automóvel, o ozono libertado por certos equipamentos como impressoras a laser…. os niveís elevados de monóxido de carbono, etc.etc.

E tudo isto por vezes é amplificado, em parte, devido aos deficientes níveis de ventilação dos imóveis.

Daí que seja essencial promover, na “prescrição em arquitectura”, a subsituição de materiais de construção e decoração com níveis elevados de toxicidade por outros materiais mais naturais, ecológicos e sustentáveis.

– Parte do parque habitacional não está preparado para fenómenos de calor e frio extremo; na verdade parte das casas portuguesas são frias e húmidas; por outro lado os sistemas de aquecimento mais comuns aquecem apenas alguns cómodos causando oscilações brutais de temperatura no interior do edifício.

Ou seja os niveis de conforto térmico são preocupantes e isso reflecte-se na saúde da população em particular nos grupos de risco como por exemplo os idosos;

– Problemas do foro eléctrico e electromagnético no interior das habitações

Por experiência, dos serviços de consultoria em saúde geoambiental, da nossa empresa em edificios já construídos 30-40% dos problemas detectados em tais edifícios estão relacionados com este factor de risco geoambiental… problemas relacionados com deficiente e/ou ausente ligação à terra no edificio, niveis elevados de “Dirty eletricity”, niveis elevados de intensidade de campo elétrico na zona dos quartos, niveis elevados de contaminação electromagnética provocados por elevada proximidade a antenas de telecomunicações, etc.

Vivemos numa sociedade cada vez mais tecnológica o que é benéfico mas também tem o reverso da medalha… e nesse contexto são cada vez mais os casos de clientes, em particular familias com crianças, despertos para esta realidade que nos contactam alarmados e preocupados com as antenas de telecomunicações que vêm ao longe da sua habitação… no entanto cada caso é um caso e como tal só com as medições efectuadas, com o serviço de consultoria de “Medição de contaminação electromagnética” com equipamentos profissionais é que se pode aferir do eventual risco… e por vezes descobre-se que o “inimigo” não está no exterior (antenas) mas sim na própria casa, no interior das paredes de sua casa.

Ou seja, muitas vezes o factor de risco não é a antena visivel no exterior, mas sim as cablagens eléctricas que correm no interior da parede contígua à cabeceira da cama (ou do edifício vizinho contíguo à cama) ou até dos equipamentos e/ou sistemas de telecomunicações sem fios que temos em nossas casas por vezes mal localizados (telefones sem fios, intercomunicadores de bebé, routers…).

Por isso dizemos sempre: “Só medindo!!”. Atenção que as antenas de telecomunicações e as linhas de transporte de energia eléctrica não são inócuas, mas só medindo poderemos saber a sua eventual perigosidade e como actuar perante determinada situação de perigo.

Além disso torna-se, no nosso ponto de vista, essencial a realização de um projecto eléctrico biocompatível. Com ele conseguimos:

a) dimensionar adequadamente o traçado eléctrico do edifício de forma a permitir a existência de paredes totalmente livres de quaisquer fonte de radiação;

b) uma correta escolha das caracteristicas das cablagens eléctricas e demais objetos essenciais ao projecto eléctrico/ITED;

c) uma óptima ligação à terra não só do edifício como de todos as cablagens, tomadas e eletrodomésticos (abaixo dos 10 ohms para que possa ser considerada biocompatível com o ser humano);

d) escolher sistemas de iluminação adequados ás funcionalidades de cada espaço e ao nosso equilíbrio biológico

– Deficiente exposição solar;

– Edifícios com deficiencias gritantes ao nivel da eficiência energética;

– Falta de espaços verdes em torno dos edificios de habitação colectiva, daí a tendência crescente, nestes tempos de pandemia, pela procura de habitação unifamiliar…

Como a Habitat Saudável ajuda a criar essas casas saudáveis?

Temos uma metodologia de trabalho padronizada e muito rigorosa seja em consultoria a espaços já existentes seja em projecto de arquitectura. Em ambos os casos a aplicação do conceito de “Saúde geoambiental” é transversal sempre numa lógica de criação de espaços saudáveis. Como tal:

1ª fase consiste na realização de um questionário individual a cada utilizador do imóvel para compreender as suas fragilidades físicas, os comportamentos tidos em habitações em que já viveu, os seus objectivos e os seus gostos pessoais em termos estéticos e arquitectónicos.

Para nós é fundamental conhecer as pessoas. Primeiro porque, independentemente da parte criativa, o projecto é personalizado para o cliente; em segundo lugar porque o grau de intervenção técnica, do ponto de vista de mitigação de eventuais niveis de stress geoambiental, é ajustado de acordo com o historial clinico dos utilizadores. Ou seja, não há necessidade, de utilizar uma dada técnica construtiva e/ou material (caso seja mais dispendioso face a outra opção existente) “só porque sim” não existindo pré-existências que o justifiquem…

Daí pedirmos que partilhem connosco toda informação pertinente para a optimização e personalização do projecto quer do ponto de vista arquitectónico quer do ponto de vista da saúde geoambiental do espaço a construir.

Este 1º ponto é similar seja em consultoria seja em projecto de arquitectura.

2ª  fase passa pela análise do imóvel do ponto de vista da “Saúde Geoambiental” seja em projecto de arquitectura (terreno e/ou imóvel a reabilitar/ampliar) seja num serviço de consultoria a um edifício já construído.

Nesta fase, num projecto de arquitectura, analisam-se todos os factores de origem geoambiental, entre outros, que possam condicionar a salubridade do imóvel a construir; neste contexto faz-se um conjunto de avaliações e mensurações, in loco, com recurso a equipamentos profissionais e posteriormente a informação recolhida no local a construir e/ou reabilitar é tratada em gabinete com a emissão posterior de um relatório de risco de impacto ambiental

Se estivermos no âmbito da consultoria a um espaço já construído o processo é similar sendo que após a recolha da informação/dados é posteriormente entregue um dossier ao cliente com toda a informação e eventuais inconformidades detectadas bem como todas medidas corretivas e preventivas a aplicar para que saiba concretamente o que tem de fazer; aqui somos muito específicos, fazendo menção não só às soluções mas também aos equipamentos, materiais, objectos a utilizar bem como os seus custos aproximados.

3ª Fase corresponde à apresentação ao cliente do Estudo Prévio.

Aqui é importante referir que o relatório de impacto ambiental realizado no âmbito do “Estudo de Saúde Geoambiental” vai ser o elemento norteador do próprio projecto de arquitectura; ou seja aquando da apresentação do “Estudo Prévio” ao cliente é também previamente apresentado este relatório o qual vai justificar parte das opções tomadas na fase de estudo prévio.

A partir deste momento o processo é similar ao de um projecto de arquitectura normal, contudo, sempre com o apoio, ao longo de todo o projecto, do nosso departamento de consultoria ambiental para que possamos corrigir e tomar determinadas opções de forma mais criteriosa e adequada a cada caso.

Além disso tal como referido anteriormente para conseguirmos o nosso principal objectivo que é criar “CASAS SAUDÁVEIS” fazemos uso de várias técnicas que mais uma vez refiro:

– Principios de arquitectura bioclimática;

– Projetos de especialidades de engenharia, biocompativeís

– Principios de saúde geoambiental;

– Utilização de métodos constutivos e materiais de construção e/ou decoração saudáveis e eco-sustentáveis sempre ajustados ao “budget” do cliente;

– Reciclagem e gestão adequada de resíduos e águas sempre articulados com as especialidades de engenharia associadas;

– Princípios de Biogeometria;

– Técnicas de Psicologia do Ambiente;

– Design biofilico;

Que projectos já concretizou nesta linha de actuação?

A empresa “Habitat Saudável” está organizada em três departamentos: consultoria em saúde geoambiental, arquitetura e decoração/design de interiores e mais recentemente consultoria imobiliária.

Esta organização permite-nos trabalhar em todas as fases e todos os tipos de edifícios. O foco da consultoria em saúde geoambiental é avaliar espaços já existentes (habitacionais, empresariais, etc.) para propor soluções de mitigação para eventuais problemas de ordem geoambiental detectados sempre numa lógica de optimização dos espaços do ponto de vista da sua salubridade.

A consultoria imobiliária nasceu para dar resposta aos nossos clientes que procuram imóveis um pouco mais saudáveis e sentem imensa dificuldade em encontrá-los pois não têm apoio num consultor tradicional.

Todos os serviços de consultoria são coordenados pelo meu sócio Miguel Fernandes.

O departamento de arquitectura e decoração/design de interiores, coordenado por mim, neste momento está mais focado na habitação, mas trabalhamos com todas as escalas e usos. Utilizamos diferentes tipos de materiais e técnicas construtivas, sem preconceitos, desde que sejam saudáveis, ecológicos e sustentáveis; como por exemplo:

– Casa de Labruge, Vila do Conde, em painéis de madeira CLT – “CROSS LAMINATED TIMBER”. Os painéis são fabricados off-site e rapidamente montados e aparafusados sobre fundações de betão armado.

Casa de Ortigosa, Leiria, em blocos de betão celular autoclavado e rodeada de pérgulas em madeira com plantas de folha caduca que protegem os grandes envidraçados a sul.

Casa Fibonacci, Castro Daire, em painéis de palha prensada dentro de uma estrutura em madeira de pinho nórdico tratado, esta obra é 100% ecológica e natural.

Casa do Pórtico em Almada que apesar de ter um método construtivo mais tradicional, em alvenaria, tem um isolamento térmico/acústico em aglomerado de cortiça, com tintas e acabamentos naturais.

O que espera para o futuro da habitação em Portugal?

Vivemos tempos de muita incerteza. É difícil para todos nós pensar no futuro a médio/longo prazo, mas de uma coisa tenho a certeza: durante e pós-covid, estamos a olhar para o “habitat“ com novos olhos e a perceber que de facto os espaços têm uma influência brutal na nossa saúde física, mental e emocional.

Os edifícios de escritórios, por exemplo, já não podem mais ser um aglomerado de trabalhadores sentados em frente aos computadores. A pandemia expôs, a nu, algumas deficiências de grande parte dos espaços de trabalho que não estavam preparados para o covid e o pós covid; falo por exemplo dos deficientes sistemas de ventilação, ou seja, a falta de ventilação natural dos edifícios de escritórios, o mau e excessivo uso do ar condicionado como se fosse a solução para todos os problemas térmicos. A mesma problemática está presente na falta de luz natural conjugada com sistemas de iluminação artificial inadequados. São apenas alguns dos exemplos mais flagrantes e que já não fazem sentido.

A este nivel a pandemia penso vir trazer novas tendências ao nível dos escritórios com a maior flexibilização dos mesmos, com a eventual menor necessidade das empresas terem grandes espaços devido à possibilidade de parte da sua equipa trabalhar em casa de forma permanente e/ou rotativa. Outra tendência será a integração de espaços de escritórios nos edifícios de habitação colectiva para que os condóminos possam trabalhar “fora de casa” “sem sair verdadeiramente do seu edifício” com vantagens inegáveis ao nível da mobilidade e gestão do tempo.

Nos edifícios habitacionais, as famílias fechadas “num 3X4” aperceberam-se de que a sua casa afinal não era apenas um local para dormir e comer.

Numa altura em que muito falamos de saúde e que muito mais tempo passamos em casa, nunca foi tão pertinente, para as familias, questionarem-se sobre a saúde de sua casa e sobre o seu impacto… como tal num estalar de dedos a qualidade e conforto do espaço doméstico passou a ser uma prioridade. Daí que hoje em dia o predomínio por edifícios com áreas verdes e jardins, coberturas acessíveis, iluminação e ventilação natural, óptima exposição solar, varandas e terraços generosos, espaços internos aconchegantes e acolhedores sejam uma prioridade para quem procura ou constrói casa…contudo infelizmente o nosso parque habitacional não está ajustado a tais necessidades quer em qualidade quer em quantidade…

Como tal urge um novo paradigma para a arquitectura em Portugal e no Mundo. Uma arquitectura mais consciente e pensada para as pessoas, focada na diversidade de vivências e usos. Acima de tudo uma arquitectura mais saudável e sustentável.

 

© Diário Imobiliário

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