Custa-me muito fazer esta afirmação, acreditem, mas a verdade é que a indústria da construção deixou de pensar sobre si própria.
“Como assim?!” – perguntam.
“Assim mesmo!” – digo eu.
Vamos por partes:
– Experimente ir à internet e procure algo ligado a tecnologia (biotec, nanotec, informática em geral, …). Vai encontrar ecossistemas efervescentes, com gente a publicar livros, a produzir podcasts, blogs, entrevistas, vídeos, tudo e mais alguma coisa. E vai ver gente a comentar, a concordar e a discordar.
– Experimente agora procurar algo ligado à construção. Vai encontrar uma paisagem inóspita, com muito pouco, quase nada. E isto não é em Portugal, é no mundo inteiro (aquele que vemos da internet, pelo menos).
Note-se que há muita gente muito bem pensante na nossa indústria. Há muita investigação de ponta, muita arquitetura, engenharia e tecnologia a ser desenvolvida.
O que me refiro é à indústria como um todo, à cadeia de valor que vai do papel em branco até ao edifício a funcionar.
Coisas como a coordenação de projetos, como gerir a informação, a cadeia de decisão, a preparação de obra, a direção de obra, a gestão do custo e do prazo. Como gerir os requisitos do cliente e as suas expectativas. Tanta e tanta coisa extremamente relevante que não se discute nem se fala.
Isto deve-se, penso eu, a não haver uma consciência de que estamos todos na mesma cadeia de valor – clientes, arquitetos, projetistas, gestores de projeto, fiscalizações, construtores, instaladores e fornecedores.
Não serve de muito dizer que o projeto de arquitetura está bestial se a obra foi mal feita, ou se o AVAC funciona mal. Não vale grande coisa uma instalação de AVAC ser do melhor, se o projeto de arquitetura não estiver bem.
A qualidade do trabalho de cada participante num projeto de construção depende do desempenho de todos os outros. Pertencemos todos à mesma cadeia de valor.
É fundamental que tomemos consciência disto, para que possamos assim lançar as conversas, debates e pensamento sobre a melhor forma de desenvolvermos os projetos.
Vamos a isso?
Jaime Quintas, CEO Alphalink
