Metaverso e sustentabilidade: como o mundo virtual pode nos ajudar a projetar melhor?

Categorias: Sustentabilidade

Com a recente publicidade acerca do metaverso, decidimos abordar esse assunto ainda muito desconhecido! À medida que mais e mais pessoas têm se preocupado em relação às mudanças climáticas, pode ser prejudicial para os arquitetos conscientes da sustentabilidade utilizar o metaverso. Com isso, decidi entrevistar Oliver Lowrie, diretor da Ackroyd Lowrie, um escritório de arquitetura premiado com sede em Londres dedicado à construir as cidades do futuro, que já está usando essa tecnologia para aprimorar os projetos de baixo consumo de energia da empresa.

Um dos maiores desafios que o metaverso está nos trazendo, como arquitetos, é o tema da sustentabilidade. Estamos a poucos anos de 2030, data em que, globalmente, fomos instigados a atingir metas de sustentabilidade destinadas a nos tornarmos melhores ocupantes deste planeta. Se você atende clientes em áreas urbanas maiores, tenho certeza de que notará que um grande número deles está dando preferência para  investimentos de baixo ou zero carbono. Como nos mantemos fundamentados em nossa visão de tornar este mundo um lugar melhor, mas também permanecendo na vanguarda da inovação e do avanço tecnológico?

Por mais que as palavras “Metaverso” e “Sustentabilidade” juntas pareçam contraditórias, Ackroyd Lowrie decidiu fundir o máximo possível de sua abordagem de projeto usando a tecnologia certa para criar soluções mais sustentáveis.

Sara: Como começou sua jornada no metaverso?

Oliver: Minha “jornada pelo metaverso” começou há seis anos na festa de aniversário de um ano da formação da Ackroyd Lowrie, a empresa que montei com meu amigo Jon.

Como não tínhamos muito trabalho finalizado para mostrar, decidimos apresentar alguns dos avanços tecnológicos interessantes que acreditávamos que mudariam a indústria da construção. Tínhamos uma máquina CNC fabricando elementos de construção, uma impressora 3D que imprimia um modelo em escala de um de nossos projetos e, em um canto, tínhamos um espaço para realidade virtual manipulada.

Compramos um óculos de realidade virtual de segunda mão junto com um controle Xbox conectado a um computador desktop. Penduramos o fone de ouvido no canto da sala e projetamos um usuário andando por um de nossos projetos (um novo estúdio de cinema e fotografia) na parede dos fundos do escritório.

Em um determinado momento, vimos o cliente do projeto na fila para experimentar o equipamento. Estávamos apavorados com a reação dele mas, quando desconectou o fone de ouvido, tinha lágrimas nos olhos. “Por que você nunca me mostrou isso? É como se você tivesse tornado real o que eu tenho sonhado nos últimos três anos. E agora que vi, tenho tantas mudanças que quero fazer!”

 S: Isso é muito bom, e como uma pessoa com mentalidade de negócios, posso ver que oferecer esse tipo de experiência a clientes em potencial pode ser um valor agregado inesquecível.

Estou curiosa para entender como você ainda consegue manter seus projetos sustentáveis, enquanto simultaneamente explora a tecnologia de realidade virtual, realidade aumentada e agora o metaverso.

O: Jon e eu trabalhamos juntos pela primeira vez em um projeto escolar enquanto estávamos na Architype, um estúdio de arquitetura sustentável pioneiro. Jon realizou uma avaliação pós-ocupação de dois anos no projeto e obteve uma pontuação muito alta em termos de satisfação do usuário. No entanto, como acontece com muitos projetos escolares, o processo de aprovação envolveu várias partes interessadas diferentes e alguns dos comentários deixaram claro que, embora tenha sido assentido, a realidade era que as partes interessadas não entendiam completamente o projeto baseado apenas em desenhos 2D. O mesmo aconteceu com nossos clientes no estúdio fotográfico muitos anos depois. No entanto, usando a experiência de realidade virtual, conseguimos implementar mudanças antes de chegarmos à construção.

A coisa mais sustentável que podemos fazer é construir edifícios corretamente na primeira vez. Isso é sustentável porque é provável que os edifícios acabem sendo mantidos na forma atual, em vez de serem alterados ou demolidos por não funcionarem adequadamente. Quanto mais pessoas testarem o projeto em RV, mais provável que ele funcione quando você o construir.

S: Então, entendemos como a RV pode melhorar o processo de projeto, mas isso ainda não é o metaverso…

O: Há alguns anos falávamos sobre realidade virtual remota e multiusuário, mas nunca tivemos o incentivo de configurá-la completamente. Quando o Covid chegou, aplicamos um processo de RV remoto e com multiusuário em funcionamento no primeiro mês de lockdown. Hospedamos o modelo em uma instalação de armazenamento na nuvem e pudemos encontrar nossos clientes nesse espaço, conversar com eles por meio dos fones de ouvido para que pudéssemos realizar reuniões de projeto dentro do modelo que estávamos projetando. Este era de fato nosso pequeno metaverso.

Nos próximos anos, as pessoas vão olhar para o metaverso e estremecer da mesma forma que fazem quando ouvimos nossos pais falando sobre navegar na Internet. Para nós, como arquitetos, trabalhar em espaços tridimensionais online já é a norma e atualmente fazemos isso via Archicad. Todos os nossos modelos são armazenados na nuvem e acessados por vários usuários de diferentes escritórios e compartilhados com outros consultores. Também podemos acessar facilmente o mesmo modelo por meio de fones de ouvido de realidade virtual em nosso escritório e em casa.

S: Seu foco principal de projeto é as cidades, como você acha que isso fará diferença no desenho de futuras paisagens urbanas?

O: A razão pela qual fico tão empolgado com a aplicação do metaverso ao processo de projeto é porque não quero limitar o feedback que obtemos como arquitetos apenas aos clientes e stakeholders para os quais projetamos. Estamos construindo uma empresa que projeta as cidades do futuro e, portanto, para fazer grandes cidades, elas devem ser testadas pelo maior número possível de pessoas.

Atualmente, os eventos de consulta pública são exercícios de suporte para construção, em vez de testar um projeto. Apenas as melhores vistas são mostradas, enquanto eu quero que todas as pessoas experimentem cada parte das cidades que estamos projetando para garantir que elas sejam as melhores possíveis.

Ninguém experimenta uma cidade em uma forma bidimensional, eles a experimentam andando pelas ruas, e a melhor maneira de testar uma cidade sem construí-la é via RV. O metaverso é uma ferramenta de consulta pública interativa em 3D que, se bem usada, pode nos ajudar a testar as cidades que queremos habitar no mundo real. Se acertarmos, só temos que construí-la uma vez, e é por isso que o metaverso pode ser uma ferramenta para alcançar a sustentabilidade.

O tema do metaverso está sendo explorado por arquitetos, globalmente. Esta primavera, de 1 a 5 de maio, será realizado o Disrupt Symposium, primeiro evento do gênero Business of Architecture projetado para inspirar e educar em questões de negócios e operações práticas. Neste evento, convidamos Patrick Schumacher, diretor da Zaha Hadid Architects, com uma palestra sobre o tema: “Oportunidades no metaverso”, além disso, serão apresentados conselhos que os arquitetos empreendedores podem seguir hoje para criar estratégias de sucesso como arquitetos para o metaverso.

Outros tópicos do evento incluem estratégia de negócios, desenvolvimento de negócios, aquisição de clientes, gestão financeira, vendas, marketing, comunicações, branding, mídia social, relações públicas, negócios de especialização, posicionamento especializado, publicação on-line e impressa, liderança, formação de equipes, recrutamento, retenção e deixando um legado.

 

Artigo publicado no ArchdailyEscrito por | Traduzido por Camilla Sbeghen

 

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