Meus Caros Concidadãos – E agora: Que fazer?

Categorias: Arquitetura

Meus Caros Concidadãos – E agora: Que fazer? | Pompílio Souto (*) . Arquiteto

1.

Estamos todos num aperto.
. O muito que tínhamos melhorado não chegou a tudo e a todos, e a Pandemia veio acrescentar enormes dificuldades a tais circunstâncias pondo em causa, inclusive o nosso modelo e modo de vida.

. Mas isso reconhece-se, felizmente, bem como a necessidade de refletir e aprender com o que de bom e de mau nos trouxe até aqui. Assume-se a indispensabilidade de introduzir alterações na qualificação e sustentabilidade da Vida, e há um enorme esforço de congregação de meios para as concretizar.

Ou seja, estamos já a viver um processo de mudança muito profundo no que somos e como nos relacionamos – uns com os outros e com o planeta -, coisa que temos de tornar bondosa e democrática.

2.
Assim, procurando contribuir para que o desempenho dos cidadãos, neste processo, seja qualificado, oportuno e transversal, imaginámos lançar a iniciativa: “E agora: – Que fazer?”

1.
[quem somos]
1a
Somos um grupo informal de reflexão cívica constituído por cidadãos unidos no desejo de serem melhores – mais conhecedores, mais responsáveis e mais proactivos – na construção de uma sociedade menos desigual, mais educada, culta e participativa na defesa da democracia representativa, e na melhoria geral e sustentada da qualidade de vida das comunidades.

A Plataforma nasceu há 16 anos por iniciativa do que ainda é o seu Coordenador. Somos agora 182. Desses há os fundadores (6), os cofundadores (25) e os demais plataformistas. Destes, 90 são de Aveiro e de “longe” são 40, ao que acrescem os 19 do núcleo de Ovar.
Participam regularmente nas atividades do grupo cerca de 50, aos quais se juntam, pontualmente, 10 de “longe” e 5 de Ovar. As Reuniões Gerais são mensais, envolvem cerca de 35 plataformistas. O dia- a-dia do grupo é assegurado agora, “perigosamente”, por poucos.
Quando necessário constituímos grupos de trabalho e, preferencialmente em parceria com terceiros, realizamos iniciativas temáticas cuja concretização e resultados nos permitem dialogar com as entidades estruturantes da nossa vida coletiva, alimentar um Blogue e um Espaço de Opinião no Diário de Aveiro. Quando é caso disso, tomamos posição pública sobre o que consensualizamos relevante – posições essas que apenas obrigam quem as subscreve.
Não há cotas nem apoios financeiros, o que por vezes nos constrange e tolhe o passo – mas também nos traz vantagens.

1b
O conhecimento que vínhamos construindo, primeiro com o que aprendíamos juntos e depois com o que lhe somávamos envolvendo outros e os demais cidadãos, sofreu agora um enorme revés com o “distanciamento” que a Pandemia nos impôs.

. E se isso é grave relativamente aos projetos que tínhamos em curso, mais ainda o é face ao que a Pandemia tornou urgente trabalhar em simultâneo: o curto e o longo prazo; a pequena e a grande escala.
E isso é muito difícil.

. Há que salvar, proteger e dar futuro a necessidades imperiosas, a vidas dignas e sonhos legítimos de hoje, mas assegurando, para tudo isso e para o mais que se desconhece, um futuro sustentável e o espaço e a oportunidade para a mudança.

Precisamos, agora mais do que antes, de uma nova Agenda Cidadã. Uma agenda que una, que mobilize, que eleve tudo e todos que nela se envolvam.

2.
[o real – agora extremado]

2a
Os medos, os apertos e as desigualdades deslassam as relações interpessoais, dificultam as comunitárias e suscitam as corporativas.

. As falsidades, as demagogias e o lustro das soluções fáceis – no pensar, no fazer e no gostar – são as respostas que crescem. E crescem tanto mais quanto mais indeterminados sejam os pagantes atuais e custos futuros, quanto menos escrutinados os processos e as opções disponíveis e quanto menos educação, cultura e sabedoria pusermos em tudo o que somos e fazemos.

E se há coisas que hoje não faltam são o medo que a muitos tolhe, e o dinheiro que muito escamoteia.
Faltar-nos-á a modéstia de juntar, a capacidade de organizar, a disponibilidade para refletir (o particular e o geral), assim constituindo o pensamento crítico e a pro-atividade cívica indispensáveis ao empoderamento responsável da sociedade.

2b
Há hoje Planos e Estratégias nacionais, regionais e locais de natureza geral e especifica que nos prometem alguma coerência geral, consensualização partidária e ferramentas de avaliação e correção sistemáticas – desde sempre desejáveis, mas muito incomuns entre nós.

Muito disso vai ser sujeito a discussão pública e tudo é, hoje, local, nacional e global.

2c
Entretanto, está a ser disponibilizado muito mais “dinheiro público” do que o habitual e (seja lá como for), mais – muito mais – “fundos europeus” virão. Isso são, obviamente, boas notícias.

. Espera-se, no entanto, que desta vez os propósitos e aplicações dos referidos “fundos” sejam bem mais responsivos e escrutinados. É que, para além do mais, também temos e para breve, Eleições: o que sendo bom e indispensável, habitualmente suscita devaneios, desperdícios e conflitualidades (quase sempre) desnecessárias, porque não ideologicamente sustentadas.

3.
[que fazer, e com quem]

3a
Acabámos de disponibilizar aos Partidos das AM de Ílhavo e Aveiro, o “dossier” que produzimos envolvendo membros do Governo e atores especialmente interessados no “Porto e Ria de Aveiro”, coisa que inclui a síntese dos interesses críticos da Cidade-região.
Retomámos o essencial da “Agenda Cidadã 2030” que oportunamente consensualizámos com as “entidades estruturantes da vida na Cidade-região de Aveiro”, incluindo a Presidência da CMA e a Reitoria da UA.

Começámos a reunir reflexões,
. Quer sobre o “Plano de Recuperação Económica para a década”, de Costa e Silva, que o Governo vai considerar e colocar em discussão pública.

. Quer sobre o Processo de Descentralização de competências da Administração Central, a começar pela eleição (indireta) dos órgãos de governo das Comissões de Coordenação Regional (CCDRs).
Consideramos importante estudar “Como as marcas da pandemia afetaram o país frágil e o robusto” – de Teresa Sá Marques –, centrando isso em Aveiro.

3b
No quadro de tudo isto há os casos e os temas incontornáveis: aqueles que identificaremos oportunamente e que servirão como amostra dos “desafios” que, – em conjunto – era bom que avaliássemos, ponderando a respetiva oportunidade e exequibilidade, acrescentando ou excluindo o julgado necessário.

3c
Por aqui – grupos cívicos, associações e afins – somos muitos.
. Uns mais específicos no objeto e mais efémeros; outros mais abrangentes nisso e mais duradouros. Cada um desses grupos e todos eles ganhavam se conseguíssemos unir-nos no inadiável e possível de algum interesse público.
Sabemos que não estaremos todos nisto e que a coisa não é fácil: encaremo-lo como um desafio e assumamos, por inteiro, os nossos direitos mas também as nossas obrigações de Cidadania.

 

Imagem © Jorge Pinheiro; Pintor [1931] in CimBlg

 

Texto da responsabilidade de (*) Pompílio Souto, Coordenador da PLATAFORMAcidades; grupo de reflexão cívica

NOTA: Veja outros textos desta série no Blogue Plataforma Cidades 
Contacte-nos: plataformacidades.op@gmail.com 

 

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