Norman Foster: “É difícil separar a arquitetura da política, porque tendem a misturar-se”

Categorias: Arquitetura

Norman Foster: “É difícil separar a arquitetura da política, porque tendem a misturar-se” – Autor de alguns dos visualmente mais deslumbrantes edifícios da arquitetura contemporânea e com obra espalhada por todos os continentes, Norman Foster junta-se ao Grupo DST, de Braga, para a investigação e desenvolvimento de um novo tipo de edifícios prefabricados.

É uma força da natureza. A calvície reluzente acentua o brilho do olhar penetrante. As palavras saem-lhe a um ritmo pausado e sempre pontuadas por um tom sereno. Pela tranquilidade de quem tem já muita vida vivida. Aos 86 anos, é um dos arquitetos mais mediático e conhecido do mundo. Nascido em 1935 no seio de uma família de fracos recursos económicos, chegou a ter de interromper os estudos para trabalhar.

O longo percurso profissional arranca com o pequeno ateliê Team 4, passa por múltiplos caminhos e desemboca no maior ateliê de arquitetura da Grã-Bretanha, embora com uma constante: a sistemática procura e desejo de associar a tecnologia à sustentabilidade.

Seja na sua primeira obra, uma pequena fábrica construída em 1966, seja no arrojado projeto da Apple Park, inaugurado em 2017. Assinou alguns dos edifícios visualmente mais sumptuosos do mundo, como a icónica torre londrina 30 St Mary Axe, a Torre Hearst, em Nova Iorque, ou a reconstrução do Reichstag, em Berlim.

Com obra em todos os continentes, Norman Foster está agora envolvido num projeto de construção modular, as chamadas casas prefabricadas, com o grupo de engenharia e construção DST, de Braga. Está prevista a aplicação de €215 milhões em investigação, design e produção de edifícios.

O objetivo é criar um processo industrial de fabrico de casas com predomínio de processos ecológicos, redução do uso de energia e aproveitamento e reciclagem de materiais. Norman Foster desenhará o que se poderá considerar um laboratório com quatro mil metros quadrados de construção e 100 módulos habitáveis, destinado a assegurar a criatividade, design e inovação num tipo de construções demasiado marcadas pela ideia de simplismo formal e escassa inventividade.

Numa entrevista feita a dois tempos e com apertadas limitações de tempo, o arquiteto, que vive numa constante roda-viva entre o Reino Unido, Espanha, Suí­ça e Estados Unidos, revela-se um apaixonado pela velocidade. Adora carros desportivos, pilotar aviões, fazer grandes maratonas de esqui ou percorrer longos quilómetros de bicicleta. Esses são os momentos para si próprio.

São privilegiados espaços de reflexão sobre os múltiplos desafios de um trabalho cuja exigência maior passa sempre pela permanente busca de qualidade e beleza, da melhor forma de tratar o planeta, dos melhores caminhos para encontrar um futuro sustentável. Seja a construir uma pequena fábrica, blocos de edifí­cios prefabricados ou a revolucionária sede de uma das principais empresas de computadores do mundo.

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Artigo de Valdemar Cruz . Jornalista

Publicado originalmente no © Expresso

Foto © Paolo Pellegrin/Magnum Photos/Fotobanco.pt

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