O espaço urbano e as dinâmicas de um rio: o caso da vila Caldas das Taipas

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O espaço urbano e as dinâmicas de um rio: o caso da vila Caldas das Taipas – Simão Pedro de Carvalho Lima 

“…uma articulação entre o ordinário e o emblemático, entre o obstruído e o acessível, entre a retração e a aproximação.”

Há cerca de 10.000 anos, surgiram os primórdios conceitos de cidade, onde a aglomeração e fixação dos povos estava diretamente relacionada com a presença de água. Com o passar dos anos, os rios, foram perdendo o seu caráter primordial e começaram a ser encarados como um entrave face à expansão dos centros urbanos. Por conseguinte as cidades vêm-se impondo aos sistemas fluviais, usurpando os leitos de cheias, transpondo as margens, transfigurando os seus limites, subjugando os seus canais e adulterando a sua nativa função. Atualmente, são notórias as consequências desta expansão urbana descontrolada, resultando no extravasamento dos leitos fluviais nas épocas de maior precipitação. 

Deste modo, o presente trabalho de investigação visa uma mudança de paradigmas relativos à forma como as inundações são vistas e abordadas pela sociedade. Desta forma, a Vila de Caldas das Taipas, significativamente afetada pelas cheias do Rio Ave, é utilizada como mote projetual de abordagem perante a problemática. Após o levantamento das zonas afetadas pelas cheias, é delimitada uma área de estudo, onde consequentemente são analisados os fatores e condicionantes que fragilizam ou originam esta ocorrência. Numa segunda fase, são desenvolvidos e ensaiados diferentes princípios de forma a lidar com a problemática. Posteriormente, após a seleção dos princípios que melhor se adequam á narrativa do lugar, é desenvolvida a proposta. O projeto proposto foca-se na restruturação urbana da zona baixa da Vila, abrangendo três princípios estruturantes: a proteção dos edifícios suscetíveis, a implementação de percursos conetores e a criação de edifícios dinamizadores de fluxos. 

O produto resultante é fruto de uma negociação e articulação do leito de cheia com o desenho urbano, de forma a estabelecer, potencializar e redefinir dinâmicas de circulação e usos em situações de cheias, tendo como objetivo conectar o centro da Vila á zona ribeirinha através de programas e percursos. Toda esta metodologia e proposta resultante particulariza-se pelo convívio permanente com o meio hídrico, ao ponto de integrar, ao invés de suprimir a inundação no desenho urbano, reconhecendo-a não como um problema, mas sim como uma potencialidade projetual, promovendo assim uma articulação entre o ordinário e o emblemático, entre o obstruído e o acessível, entre a retração e a aproximação.

 

Palavras chave: Rio Ave, Cheias, Inundações, Convivência; Dinâmicas.

     

Dissertação de Mestrado de Simão Pedro de Carvalho Lima (Universidade Minho – Escola de Arquitetura) janeiro de 2020

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