Pandemia muda “casa portuguesa”: Espaço exterior e escritório doméstico são novas prioridades

Categorias: Arquitetura

A pandemia veio mudar a “casa portuguesa”, com a necessidade de ter um espaço exterior privado e uma área reservada para trabalho a emergirem como duas grandes prioridades no pós-confinamento, quer na procura de uma nova casa quer nos ajustes da casa atual, conclui o inquérito Nova vida, Nova casa?  Realizado pela JLL, este survey pretendeu aferir sobre o impacto da pandemia nas necessidades habitacionais dos portugueses e desvendar as novas preocupações que surgiram desta experiência.

“Sendo certo que a principal função da casa será sempre relacionada com o dia-a-dia pessoal, e que a escola, trabalho e o lazer continuarão a realizar-se maioritariamente fora da residência, o facto é que a pandemia confrontou-nos com a necessidade de utilizar os espaços que tínhamos para todas estas funções de forma simultânea. Esta experiência veio mudar inevitavelmente a forma como olhamos as nossas casas e veio evidenciar novas prioridades. A casa pós-Covid deixa de ser um refúgio de final de final/início de dia, muitas vezes com uma perspetiva utilitária, para ser um espaço onde o conforto, o lazer e a facilitação de um leque mais vasto de atividade deve poder ocorrer”, comenta Maria Empis, Head of Strategic Solutions da JLL.

Realizado junto de cerca de 1.400 inquiridos, o estudo conclui que 49% dos portugueses faria ajustes na sua casa devido à pandemia, sendo a criação de um espaço de trabalho (51%) e a modernização do espaço exterior (34%) as duas principais alterações, destacando-se ainda a intenção de redecorar a casa (33%).

Conclui-se também que 43% dos inquiridos mudaria de casa como consequência do confinamento, quando antes da pandemia apenas 19% estava à procura de uma nova habitação. Neste processo de procurar uma nova casa, a possibilidade de ter um espaço exterior privado foi o fator que ganhou maior relevo no pós-Covid, passando no grau de “muito importante” de cerca de 38% para 60% (+22 pontos percentuais). Quem vive num apartamento foi quem mais passou a valorizar este fator (aumento de 23 pp), destacando-se os inquiridos que vivem com parceiro/a e filhos. 

 “A procura por espaços exteriores já era uma realidade em crescimento antes da pandemia, mas o confinamento veio intensificar a importância destes espaços com o aumento das horas que passamos em casa. A existência de espaços exteriores permite maior sensação de bem-estar, praticar exercício físico ao ar livre ou simplesmente relaxar. Só nos últimos 3 meses, em plena pandemia, a JLL teve um aumento de 24% nas vendas e arrendamentos de casas com terraço”, nota Patricia Barão, Head of Residential da JLL.

O estudo nota que há uma maior valorização dos espaços ao ar livre em geral, com as áreas exteriores de uso comum como piscina ou ginásio do condomínio a ganharem também relevância, uma tendência que se prende como facto de “emergir uma clara preocupação com as questões relacionadas com o bem-estar e lazer, em contraponto ao pré-covid, quando os critérios de procura de casa eram mais marcados por uma perspetiva utilitarista e quotidiana”, explica Maria Empis.

Outra prioridade marcante na procura de casa passou a ser a existência de um “escritório doméstico”. Ter um espaço privado para o trabalho ganhou uma importância acrescida com a pandemia, passando de um critério de cerca de 20% dos inquiridos para cerca de 40% (+20 pp). A massificação do teletrabalho durante o confinamento está na base desta valorização, pois se antes 59% dos participantes não trabalhava em casa, agora 84% acredita ser ideal trabalhar a partir casa pelo menos um dia por semana, exigindo um espaço adequado para isso.

Não obstante, diz o estudo da JLL, há mudanças na casa – com novas prioridades e espaços re-imaginados para acomodá-las – mas não no estilo de vida. Se é verdade que 43% das pessoas mudaria de casa como consequência da pandemia, apenas 15% se mudaria para fora das cidades/centros urbanos. Além disso, é importante notar que todos os aspetos que antes se valorizavam na casa também não perderam importância face ao pré-covid, com fatores como a luz natural, a temperatura, pouco ruído, internet potente, eficiência energética e a proximidade de zonas verdes a manterem-se como as principais exigências de quem procura uma casa.

O estudo conclui ainda que o mercado residencial está cada vez mais no mapa dos investidores, incluindo dos pequenos aforradores, com 49% dos inquiridos a relevar já ter investido ou pensar investir neste tipo de imóvel. A localização e o preço mantêm-se como os principais critérios da procura, mas há uma valorização cada vez maior de imóveis com áreas exteriores, de estacionamento e de tipologias pequenas.

“O mercado residencial tem sido visto como um dos mais resilientes durante a pandemia, inclusive resistindo à pressão dos preços. O grande impacto foi na atividade de venda, que mesmo assim não parou e já está a recuperar. É um mercado de futuro para o investimento imobiliário e um motor para a recuperação da nossa economia”, termina Patrícia Barão.

Metodologia do estudo

O inquérito Nova vida, nova casa? – Teve a pandemia Covid-19 impacto nas necessidades habitacionais? foi concluído em junho de 2020, com respostas de cerca de 1.400 pessoas, das quais 59% do sexo feminino e 41% do masculino. 32% dos inquiridos tem entre 35 e 44 anos e outros 34% entre 45 e 54. A maioria dos inquilinos (59%) vive no centro urbano, 27% na periferia urbana e os restantes 14% fora da cidade. Em termos de partilha de casa, 55% vive com parceiro/a e filhos, sendo ainda de destacara que 75% dos inquiridos vive em casa própria.

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