Álvaro Domingues

Sociedade em Rede

Categorias: Crónica

Este é o território da sociedade em rede. Uma sociedade extremamente diferenciada que tem à sua disposição uma parafernália de próteses técnico-sociais que permitem ao indivíduo navegar por múltiplas relações, cruzamentos e bifurcações: da escala local à global, do sucesso à ruína, do ruído à solidão (em rede). Com rede pode-se estar em qualquer lado moendo ignorâncias, rumores, certezas convenientes e derivas voláteis. Sem rede é um sarilho.

Para além dos nossos grupos e lugares de pertença, a rede quebra barreiras, abre um campo infinito de possibilidades; não se resolve nenhuma desigualdade ou injustiça social, mas pode ajudar. A rede é uma estrutura sem centro, um suporte de relação e dissipação. Tudo pode estar algures na rede; tudo se pode relacionar com tudo e nada; tudo se pode transformar – a rede é uma máquina de produção de invisibilidade. Como labirinto de múltiplos caminhos, ninguém sabe dizer onde está realmente ou sequer quem é ao certo. A voz dos desorientados pergunta incessantemente ao ouvido da sociedade ingovernável de onde é que se pode ver melhor, onde é que está o ponto fixo. Não está. Agora é ponto móvel, um vórtice; dos infinitos fios que nos tecem, podemos escolher os que mais nos convierem e mudar de ideias a seguir.

Era um dia de névoas neste lugar. Sem barreiras, podia-se ir dali à torre ou à auto-estrada pelo meio das moitas rasteiras. A rede enredou-se e foi ao chão. Não tarda nada e enferruja-se em novelos de ferro velho.

Das nuvens virá então uma rede sem arame e sem fios e a cidade chegará onde a rede chegar, densa, rarefeita, pobre, opulenta, diversa e contraditória como sempre.

Fonte:

https://www.juponline.pt/opiniao/post/artigo/sociedade-em-rede.aspx

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