Alexandra Paio

TERRA, dá-lhe as boas-vindas

Categorias: Território

TERRA, dá-lhe as boas-vindas – A Trienal levanta várias questões sobre os recursos de que dispomos e o que fazemos com eles, através de quatro tópicos: Retroactivar, Ciclos, Multiplicidade e Visionárias.

Celebramos a 6ª edição da Trienal de Arquitetura em Lisboa. O tema central é a TERRA, um olhar sobre os seus vários significados e, ao mesmo tempo, um apelo, um grito, que chama a atenção para a urgente ação de todos, arquitetos e não arquitetos, no planeta, na cidade, no bairro, na nossa casa. Uma convocação à reflexão através da voz ativa de vários intervenientes com diferentes sotaques. A arquiteta Marina Tabassum, vencedora do Prémio Carreira da Trienal de Lisboa Millennium/bcp, sublinha a importância dos contributos locais de todo o mundo: “há uma grande responsabilidade social inerente à prática de arquitetura, especialmente no Bangladesh, onde podemos pôr o nosso conhecimento e as nossas competências ao dispor das pessoas para ajudar a melhorar a sua vida e o seu ambiente”. Os curadores e arquitetos Cristina Veríssimo e Diogo Burnay, propõem uma mudança de paradigma social e económico, uma “evolução do atual modelo de sistema fragmentado e linear, caraterizado pelo uso excessivo de recursos, para um modelo de sistema circular e holístico, motivado por um maior e mais profundo equilíbrio entre comunidades, recursos e processos”.

Uma visão alternativa que se presenta em exposições, livros, prémios, conferências e uma seleção de projetos independentes, envolvendo convidados nacionais e internacionais distribuídos pela cidade de Lisboa, até dezembro.

A Trienal levanta várias questões sobre os recursos de que dispomos e o que fazemos com eles, através de quatro tópicos: Retroactivar, Ciclos, Multiplicidade e Visionárias.

Retroactivar, no MAAT, com curadoria dos mexicanos Loreta Castro Reguera e José Pablo Ambrosi, lembra-nos a importância dos instrumentos de que o arquiteto dispõe para trabalhar com os 99% da população mundial, através de uma reflexão sobre dez práticas em contextos vulneráveis.

Ciclos, na Garagem Sul do CCB, desafia os visitantes a deambular pelos “arquitetos que nunca deitaram nada fora”. Os chilenos Pamela Prado e Pedro Ignacio Alonso alertam para a necessidade de contrariar os processos devoradores dos recursos naturais, um dos principais problemas da Terra, e expõem o diálogo entre arquitetura, sustentabilidade, património e memória, para repensar as soluções arquitetónicas.

Multiplicidade, de Tau Tavengwa e Vyjayanthi Rao, no Museu do Chiado, desafia a abordar a diversidade de processos colaborativos informais, expandindo a definição de arquitetura a diversas formas e protagonismos.

Visionárias, na Culturgest, da responsabilidade da europeia Anastassia Smirnova, expõe uma série de visões radicais a diferentes escalas, da cidade ao quarto. É oportunidade de conhecer “a cidade que a Terra precisava” de Roger Anger, que diz: “Auroville não pertence a ninguém em particular. Pertence à humanidade como um todo”.

Em suma, TERRA é o espelho de uma prática profissional que compreende as mudanças sociais e económicas e reconhece o envolvimento da comunidade no processo arquitetónico. Uma convicção colaborativa partilhada por muitos outros arquitetos no mundo contemporâneo, que desenvolveram novos modelos de prática arquitetónica, acreditando que uma arquitetura de excelência não precisa de ser abandonada no processo.

Todos somos chamados a agir para construir lugares sustentáveis numa TERRA globalizada.

“Um trabalho de constante colaboração, de diálogo aberto”, como mencionam os curadores da Trienal.

Artigo publicado no © Jornal Económico . Artigo de Opinião de 

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