Alexandra Paio

Uma oportunidade chamada Alentejo

Categorias: Território

Uma oportunidade chamada Alentejo – São precisos projetos inovadores e agregadores no quadro regional, nacional e internacional. Será o turismo a chave para inverter este percurso? É preciso olhar com atenção para a rede conventual do Alentejo.

Os Censos 2021 revelam que o Alentejo foi a região portuguesa onde a população residente mais diminuiu, um decréscimo de 6,9%, a que se associam baixos indicadores socioeconómicos.

Se continuar neste sentido, uma das regiões nacionais que detém um dos mais ricos patrimónios naturais e culturais, ficará abandonada. A forte identidade cultural do Alentejo, que todos apreciamos, justifica a aposta na preservação e conservação dos inúmeros bens materiais e imateriais que a constituem. São precisos projetos inovadores e agregadores no quadro regional, nacional e internacional.

Será o turismo a chave para inverter este percurso? Mas que turismo? Como poderá o património cultural associado à cultura da economia local, reforçar o desenvolvimento sustentável de base comunitária e a coesão territorial?

Nos últimos anos, têm sido identificadas algumas linhas estratégicas para a definição de possíveis caminhos. No Programa Nacional para a Coesão Territorial, um dos vetores estratégicos que emerge é a condição geográfica dos territórios que se situam junto à fronteira. Uma relação histórica e sociocultural secular, que deve ser valorizada para permitir a interação cooperativa necessária ao sucesso dos projetos.

A “Estratégia para o Turismo 2027 – Pensar o Futuro, Agir no Presente”, com foco na coesão territorial e valorização das populações locais, aponta o turismo como motor de desenvolvimento económico-social local desde que comprometido com a sustentabilidade, a inovação, o empreendedorismo local e a transição digital.

Na Estratégia Regional Alentejo 2030 são estabelecidas várias linhas de ação para atingir um novo patamar de respostas aos problemas mais estruturantes globais e locais, relacionados com as pessoas, a economia e o território, nomeadamente através do desenho de planos de ação local.

A todos estes documentos estratégicos acresce o PRR – Plano de Recuperação e Resiliência que prevê 150 milhões de euros para a valorização, conservação e restauro do património cultural e histórico. O desafio passa por envolver estruturas de excelência ao nível da produção de conhecimento e investigação na área da cultura e património.

O papel da academia é fundamental na promoção de projetos integrados a diferentes níveis: incremento e qualificação da atratividade regional; regeneração urbana e valorização do património; oferta de equipamentos e serviços de base local; qualidade de vida e desenvolvimento sustentável; e valorização da identidade cultural.

Neste contexto, é preciso olhar com atenção para a rede conventual do Alentejo que faz parte do património cultural e representa um recurso endógeno inativo. Se recuarmos 200 anos, verificamos que a rede permitiu a fixação da população em zonas rurais e os conventos eram laboratórios de conhecimento com forte impacto político, social e cultural. Estes testemunhos da história e da identidade das suas comunidades estão abandonados, subutilizados ou em ruínas.

Reconhecer os conventos como veículos de ligação entre o passado e o futuro do património edificado, passa por planear ações diretamente destinadas a estimular o envolvimento efetivo das comunidades na cocriação de soluções.

A solução poderá passar pelo turismo, mas assente em projetos que promovam o desenvolvimento sustentável dos territórios rurais através da criação de um ecossistema de conhecimento, desenvolvimento e inovação transformador do legado conventual do Alentejo num instrumento catalisador da regeneração territorial de base comunitária.

Artigo publicado no © Jornal Económico . Artigo de Opinião de

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