Inauguração da exposição "Carrilho da Graça: Alentejo"

Início em 14/02/2019 até 25/04/2019

Categorias: exposições

A Câmara Municipal de Portalegre e a Fundação Robinson apresentam, a partir de 14 de Fevereiro e até 26 de Abril, a exposição de arquitetura “Carrilho da Graça: Alentejo”. Estará patente no Espaço Robinson – Núcleo da Igreja de S. Francisco, e tem como base projetos realizados pelo arquiteto João Luís Carrilho da Graça para a região, anteriormente apresentados em espaços museológicos e eventos de referência internacional, como a Fundação Calouste Gulbenkian em Lisboa ou a Europalia em Bruxelas.

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Em 1995, num dos mais paradigmáticos textos sobre a obra de João Luís Carrilho da Graça, Gonçalo Byrne escreveu: «É possível descobrir em Carrilho da Graça uma raiz alentejana. As grandes amplitudes da planície da “estremadura” portuguesa, a sua envolvente luminosidade, coloração e o dinamismo que a vibração da sua enorme quietude transmitem, espelham, de algum modo, a sofreguidão de espaço a que os seus projectos aspiram, criam à sua volta ou organizam no seu interior». Passados 23 anos da publicação do texto de Gonçalo Byrne, que apresentava a obra de Carrilho da Graça das décadas de 70 e 80 do século XX e falava da importância do território do Alentejo para a sua formação, surge agora a oportunidade, com a realização desta mostra, de se fazer um novo balanço da relação deste arquitecto com esta região.
Carrilho da Graça faz frequentemente referência à importância determinante das primeiras recordações, e ao facto de, no seu caso, essas memórias o remeterem para o Alentejo. Descreve a região como um espaço ancestral, com um carácter «esquelético» no qual se evidencia a coincidência entre a sua estrutura morfológica e o que sobre ela se foi construindo. Alude à natureza instrumental desta região para a formação de uma teoria do território, que compreende o facto das linhas e pontos notáveis que caracterizam a topografia estarem na base dos percursos e assentamentos humanos e, portanto, da construção das cidades e da sua arquitectura. Não é, de resto, invulgar que se refira a Évora como uma cidade situada no ponto de encontro de três bacias hidrográficas

Tejo, Sado e Guadiana –,ou a Alter do Chão e a Portalegre como fazendo parte do rebordo de um extenso planalto interior modelado em argilas e margas miocénicas – a Meseta Ibérica.

Se, ao todo, Carrilho da Graça apenas desenhou para o Alentejo vinte e três projectos – de duzentos e dezanove que fez para o território nacional, mas também para Espanha, França, Chipre, Itália, Suíça, Bélgica, Holanda, Alemanha, Áustria, Hungria, Finlândia, Egipto, Brasil e Estados Unidos da América –, a verdade é que foi nesta região que deu início à sua carreira profissional – com projectos como o Complexo de Habitação Social em Alter do Chão (1977-1984) ou o Centro Regional de Segurança Social (1982-1989) – e foi neste território que concretizou alguns dos seus projectos mais aclamados internacionalmente – como a Piscina Municipal de Campo Maior (1982- 1990), a Casa Fonte Fria (1985-1988), a extensão, reabilitação e adaptação do Mosteiro de Flor da Rosa (1990- 1995), a Igreja de Santo António e Centro Social de São Bartolomeu (1993-2008), a Casa em São Sebastião da Giesteira (2005-2008) e a Recuperação do Espaço Público do Centro Histórico de Évora (2011, 2017-2019, ainda em construção).

Neste emblemático espaço da cidade onde Carrilho da Graça nasceu e viveu até à maioridade – a Igreja do Convento de São Francisco em Portalegre –, são então apresentados projetos para o Alentejo anteriormente mostrados em espaços museológicos e eventos de referência internacional – como a Fundação Calouste Gulbenkian em Lisboa, a Europalia em Bruxelas ou La Biennale em Veneza –, com a esperança de que a partir da sua análise melhor se possa compreender a afirmação feita por Carrilho da Graça há já mais de trinta anos: «Ninguém nunca sai da cidade onde nasceu. É aí que se faz a matriz da nossa cabeça e é essa sempre uma das componentes dramáticas da nossa vida. Lembro-me dum quadro do D’Assumpção (que era de Portalegre) que esteve exposto agora na Gulbenkian e a que ele chama… Manchester (!) e que na realidade é a mais forte representação do corte e da presença da Penha de Portalegre, aquela montanha escarpada com uma igreja e com a qual a cidade contracena».». 1

A inauguração conta com a presença do Arquiteto Carrilho da Graça, que fará uma visita-guiada.
Por esta ocasião, será apresentado o livro “Guia de Arquitectura Carrilho da Graça – Projetos Construídos Portugal”, uma edição A+A com textos de Marta Sequeira e Michel Toussaint e fotografias de Nuno Cera.

NOTA:
O “Guia de Arquitectura Carrilho da Graça – Projetos Construídos Portugal” será oficialmente lançado dois dias antes da exposição de Portalegre, a 12 de fevereiro, pelas 18h30, na sala ribeiro da fonte, ccb – centro cultural de belém, praça do império, em lisboa e contará com a presença do Arquiteto.
A apresentação do livro será feita pela Arquiteto Eduardo Souto de Moura. Em simultâneo, será inaugurada a instalação de vídeo “Estranha Leveza”, de Nuno Cera, resultado do convite feito ao artista à sua participação no livro. A instalação, que ocupará um objeto efémero projetado pelo Arquiteto Carrilho da Graça, estará patente até ao dia 3 de março de 2019 no Jardim das Oliveiras – CCB.
Digna-se a estar presente Sua Excelência O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa. 
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Curadoria _ Marta Sequeira • Projeto expositivo _ João Luís Carrilho da Graça, João Cruz • Produção _ Rita Faustino • Design gráfico _ João Cruz • Textos _ Marta Sequeira • Maquetas _ Paulo Barreto • Desenhos _ João Cruz, Hugo Lima • Projeto apoiado pela República Portuguesa – Cultura / Direção-Geral das Artes e co-financiado por Fidelidade Seguros • Patrocínio _ Hotel José Régio • Uma produção _ Câmara Municipal de Portalegre e Fundação Robinson
 
1 excerto do texto de introdução à exposição, de Marta Sequeira

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Exposição “Carrilho da Graça: Alentejo”
Data da inauguração: 14 de Fevereiro às 17:00
Data de encerramento: 26 de Abril
Local: Espaço Robinson – Núcleo da Igreja de S. Francisco
Morada: Rua D. Iria Gonçalves Pereira 2 A, 7300-298 Portalegre
Horário de funcionamento: segunda a sexta-feira , 10:00 às 13:00 e das 14:00 às 17:00 Entrada livre
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João Luís Carrilho da Graça, nascido em Portalegre em 1952, arquiteto desde 1977, vive e trabalha em Lisboa.

Prémios e distinções
1992 – prémio da associação internacional dos críticos de arte
1993 – prémio valmor
1994 – prémio secil de arquitectura
1998 – prémio valmor
1999 – prémio FAD
1999 – ordem de mérito da república portuguesa
2004 – prémio bienal internacional da luz – luzboa
2008 – prémio pessoa
2008 – prémio valmor
2010 – prémio piranesi – prix de rome
2010 – prémio valmor
2010 – ordem “des arts et des lettres” chevalier – república francesa
2012 – medalha da “académie d’architecture”, paris
2012 – prémio internacional de arquitectura sacra “frate-sole”
2012 – prémio bienal ibero-americana de arquitectura e urbanismo
2015 – “international fellowship” do royal institute of british architects
2015 – membro honorário da ordem dos arquitectos
2018 – prémio bienal de arquitectura de buenos aires
2018 – prémio “leon battista alberti” do politécnico de milano, campus de mantova 2018 – prémio “ar pa fil” guadalajara, méxico

Professor na Faculdade de Arquitectura da Universidade de Lisboa entre 1977 e 1992 e, posteriormente, entre 2014 e 2019; na Universidade Autónoma de Lisboa entre 2001 e 2010; na Universidade de Évora entre 2005 e 2013; na Universidade de Navarra entre 2005 e 2015; na Cornell University, New York, em 2015. Atualmente, professor na Cátedra Unesco Leon Battista Alberti do Campus de Mantova do Politécnico de Milano.
Doutor Honoris Causa pela Faculdade de Arquitectura da Universidade de Lisboa.
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