A segunda Vida do Oceanário

Categorias: Arquitetura

A partir do restaurante existente no actual Oceanário, vai nascer um novo corpo com cinco pisos, dois dos quais subterrâneos. O objectivo é o de captar novos públicos e assegurar a sustentabilidade económica a médio e longo prazo.

 

O Oceanário de Lisboa, edifício da autoria de Peter Chermayeff, com pouco mais de dez anos mas já emblemático na capital, vai ser ampliado.

 

Com o objectivo de captar novos públicos, e assegurar a sustentabilidade económica a médio e longo prazo, serão oferecidas novas valências, como um auditório, zona de restauração com área infantil e um espaço para exposições temporárias. Pedro Campos Costa é o autor da ampliação, e considera ser este “um desafio complexo – trata-se de intervir num espaço público consolidado e de grande dinâmica, resolver a relação com um edifício existente de uma grande presença arquitectónica e com uma imagem marcante no imaginário dos lisboetas, um espaço hoje em processo de qualificação como património arquitectónico. O desafio é criar um edifício que não seja simplesmente uma peça arquitectónica isolada mas que responda às problemáticas urbanas e dialogue com o edifício existente sem que a ele se sobreponha”, refere.

 

A partir do restaurante existente no actual Oceanário , vai nascer um novo corpo com cinco pisos, dois dos quais subterrâneos, que no entanto procura não descaracterizar o edifício projectado no 1998 por Peter Chermayeff, nem a praça adjacente ao Oceanário . É que, segundo Campos Costa, esta “funciona hoje de forma eficaz e agradável. É um dos pontos mais activos do Parque das Nações, catalisador dum público de passagem e ponto de espera dum elevado número de visitantes do Oceanário”.

 

A solução encontrada foi a de preservar o espaço público envolvente ao Oceanário, aberto e sem nenhum tipo de obstáculo visual, recorrendo a um “volume suspenso”, isto é, um edifício novo ligeiramente afastado do existente e com pouca presença material . Este efeito é conseguido graças à sua forma – a de um prisma irregular – e às fachadas “furadas”, que, juntamente com um jogo de luzes artificiais, desmaterializam a massa construída da ampliação. “Este projecto de extensão não quer, de forma alguma, interferir ou interpor-se a esta área urbana, pelo contrário procura “ampliar” as suas possibilidades ao propor um volume “suspenso”, tecto de uma nova praça, agora coberta”, assegura o arquitecto.

 

Se o motor da ampliação é assegurar a viabilidade económica do edifício no futuro, a sustentabilidade ao nível de consumo energético também não foi descurada. Assim, “a solução formal da fachada responde eficazmente às questões térmicas, criando uma fachada dupla ventilada. A perfuração serve como filtro, e através de uma ventilação vertical natural permite ganhos energéticos, no arrefecimento e no aquecimento do edifício. Para além deste sistema passivo, pretende-se implementar outros sistemas activos, como por exemplo painéis fotovoltaicos ou térmicos, que possam minimizar o consumo de energia do edifício”.

 

O Oceanário prepara-se assim para uma nova etapa da sua curta vida, no rescaldo da euforia da Expo’98, em Lisboa, que ” permite criar uma estimulante dialéctica entre a construção e a nova proposta”.

 

fonte : DN ARTES

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