Apelo à conservação da Capela de Nossa Senhora das Necessidades, Lugar das Chãs, Leiria

Categorias: Arquitetura

O Conselho Directivo Regional do Sul da Ordem dos Arquitectos (CDRS) tomou conhecimento da intenção de demolição da Capela de Nossa Senhora das Necessidades, no Lugar de Chãs, freguesia de Regueira de Pontes, no concelho de Leiria – edifício com origem no século XVI e uma “inestimável obra de Arquitectura testemunho da religiosidade do passado”.

 

Considerando que “hoje tem-se em geral uma mais forte consciência do que a destruição de uma capela histórica significa”, o CDRS “apela para o bom senso esclarecido das autoridades e população local no sentido de conservar a capela da Chãs e até a valorizar (o PDM de Leiria propõe a sua classificação como valor concelhio), mesmo que se tenha construído uma nova ali ao lado”.

 

“Hoje já não se considera o património arquitectónico como obstáculo ao actual, antes entende-se esse património como potenciador da qualificação dos nossos ambientes de vida, estabelecendo um elo de ligação entre o passado e o presente e ancorando identidades locais”, conclui o CDRS.

 

 

DECLARAÇÃO SOBRE A POSSÍVEL DEMOLIÇÃO DA CAPELA DE NOSSA SENHORA DAS NECESSIDADES NO LUGAR DE CHÃS, FREGUESIA DE REGUEIRA DE PONTES, CONCELHO DE LEIRIA

 

A antiga capela, vulgarmente conhecida por capela de Chãs, com origem no século XVI (tem um retábulo desta época), reconstrução do século XVIII e torre já da década de 20 do século XX é uma estimável obra de Arquitectura testemunho da religiosidade do passado, tal como se pode observar pelo pais fora. É afinal um elemento de uma vasta rede patrimonial que caracteriza as nossas paisagens e territórios e se concretiza localmente em arquitecturas construídas de diversas valias, muitas já classificadas aos vários níveis (nacional, interesse público e concelhio). A sua possível demolição constituiria mais uma machada nessa rede, que é nacional, bem como na riqueza cultural do concelho de Leiria, da freguesia de Regueira de Pontes e do lugar de Chãs. Infelizmente vários têm sido os casos de demolição ou abandono (com consequente ruína) a começar pelo célebre exemplo da demolição da capela românica de Joanes para se construir um novo templo na passada década de 70, caso que alertou todo o país para estas acções, mas não impediu totalmente a sua repetição. No entanto hoje tem-se em geral uma mais forte consciência do que uma destruição de uma capela histórica significa.

 

Deste modo o Conselho Directivo Regional Sul da Ordem dos Arquitectos apela para o bom senso esclarecido das autoridades e população local no sentido de conservar a capela de Chãs e até a valorizar (o PDM de Leiria propõe a sua classificação como valor concelhio), mesmo que se tenha construído uma nova mesmo ao lado. O património arquitectónico é único e não se repete e perante a avassaladora transformação das paisagens e povoações que se verificou a partir de meados do século XX em Portugal, está mais que na actualidade a conservação dos bens patrimoniais, sejam eles construídos (arquitectónicos) ou naturais. Hoje já não se considera o património arquitectónico como obstáculo ao actual, antes entende-se esse património como potenciador da qualificação dos nossos ambientes de vida, estabelecendo um elo de ligação entre o passado e o presente e ancorando identidades locais.

 

Lisboa, 01 de Julho de 2010

O Conselho Directivo Regional Sul da Ordem dos Arquitectos

 

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