Arquiteto Tomás Reis quer criar parque memorial para explosão em Beirute

Categorias: Arquitetura

O arquiteto português Tomás Reis, propõem criar um parque memorial, no local da explosão mortal que abalou Beirute no mês passado. Para lembrar a explosão e as suas vítimas, arquiteto sonha em criar um memorial no local como parte da reconstrução do porto.

A explosão de 4 de agosto matou pelo menos 190 pessoas, feriu milhares e causou danos generalizados em toda a cidade. A explosão aprofundou a crise política e económico do Líbano, com a renúncia do governo e a França liderando os esforços para estabilizar o país.

Não está claro se os oficiais de Beirute começaram a discutir o que fazer com o local no centro da explosão.

Tomás Reis, de 29 anos, decidiu seguir em frente e fazer as primeiras ilustrações de seu projeto pessoal, que até agora não tem apoio de nenhuma organização, disse ao Arab News.

Embora ele nunca tenha estado no Líbano, o arquiteto foi movido a começar a traçar planos “voluntariamente” depois de ver a quantidade de danos “Beirute sofreu com a explosão quando o Líbano estava a enfrentar dificuldades”, disse ele.

“Algumas cidades mudam com eventos específicos – pense no grande incêndio de Londres, no bombardeio de Hiroshima ou no terramoto de Agadir. Esses eventos são momentos decisivos. 

A explosão deveria ser esquecida e o porto reconstruído como era? Uma reconstrução deve incluir um monumento numa praça?”  Foi a partir destas questões, que o arquiteto se inspirou para criar uma solução para o parque.

O arquiteto, está a propor que os elementos restantes no local da explosão se entrelaçam com uma paisagem que segue linhas concêntricas – como ondas de choque, semelhantes às da explosão ocorrida.

“O antigo silo de grãos em ruínas, próximo a uma cratera com mais de 40 metros de profundidade, é uma imagem muito marcante, difícil de negligenciar“. Tomás Reis diz que se o seu projeto fosse aprovado, iria criar uma nova imagem da cidade sem deixar de lado o seu passado.

Memória descritiva do projecto:
A imagem dos silos em ruínas, ao lado de uma cratera com mais de quarenta metros de profundidade, deixada pela explosão, é difícil de apagar. Nas imagens que criei, estes elementos são integrados num conjunto de espaços verdes que seguem linhas concêntricos – como ondas de choque.
Desta vez, porém, as ondas de choque, em vez de gerarem destruição, limitam os espaços verdes, formando declives concêntricos. Os que estão voltados para a cratera da explosão são minerais, isto é, são de pedra ou betão. Os declives voltados para o exterior têm vegetação, de preferência autóctone, adaptada às ondas de calor do Mediterrâneo Oriental.
Por outras palavras, do interior da cratera ver-se-ão encostas áridas, evocando os momentos difíceis que se seguiram à explosão, enquanto que, do lado da cidade e do porto, a vegetação será abundante – mostrando que o Líbano terá dias promissores, mantendo a riqueza cultural que marcou os últimos milénios.
Este projecto, iniciado de forma voluntária, coloca várias questões: pode o porto ser reconstruído tal como era? Ou devem assumir-se os as pré-existências, marcadas pela explosão?
Independentemente das escolhas, Beirute irá continuar a desenvolver-se, tal como aconteceu nos últimos milénios. E na resposta às crises podem surgir espaços agradáveis, sem perder a memória do lugar.
© Arab News
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