Bernardo Pizarro Miranda ganha Concurso Desafios Urbanos’11

Categorias: Arquitetura

De entre os projectos apresentados, o Júri do Concurso deliberou pela seguinte ordenação, dos 5 primeiros classificados:

 

1º Classificado – Bernardo Pizarro Miranda

2º Classificado – Maria João Patronilho

3º Classificado – Luís Seabra

Menção Honrosa – Adriana Floret

Menção Honrosa – Gilberto Maia

 

O relatório do júri descreve a proposta vencedora como “… aquela que melhor compromisso obteve entre programa, condicionantes, originalidade e exequibilidade, que deixa alguma margem de manobra em termos de usos e que pode, sem se comprometer, ser facilmente melhorada. Foi ainda reconhecida a valia da proposta para a fachada voltada à Cruz do Souto, quer na solução, quer no modo como esta é tratada…”

 

BERNARDO PIZARRO MIRANDA – 1º classificado

 

Equipa de Projecto:

Bernardo Pizarro Miranda, Pedro Luz Pinto, Leonor Mota Capitão, Dina Gonçalves Ferreira, Miguel Magalhães e Amna Mesic

 

Reservaremos o termo de «lugar antropológico» a essa construção concreta e simbólica do espaço que, por si só, não poderia dar conta das vicissitudes e das contradições da vida social, mas à qual se referem todos aqueles a quem ela atribui um lugar, por mais humilde e modesto que seja. É exactamente porque toda a antropologia é antropologia da antropologia dos outros que, por outro lado, o lugar, o lugar antropológico, é simultaneamente principio de sentido para aqueles que o habitam e principio de inteligibilidade para aquele que o observa.(1)

Procura-se a inteligibilidade de um lugar, na oportunidade de recondução de um sítio, reaproximando um espaço periferizado e desvitalizado, da cidade “dinâmica”.

O valor patrimonial do conjunto urbano do bairro da Sé, associado à centralidade da sua localização não atenua, porém, o estigma de uma cidade ‘escondida’, com reputação de marginalidade e insegurança. A superação do paradoxo, assim se julga, implicará a ‘ruptura’ com um ‘statos quo’, co-natural ao lugar ‘escondido’ e hostil. Entende-se a oportunidade desta operação, não só no quadro da renovação do património imobiliário mas sobretudo pela introdução de um ‘choque’ funcional e programático. O estabelecimento de novos programas viabiliza a abertura de novos canais de desenvolvimento social.

As propostas encontradas procuram na dialéctica entre as debilidades encontradas e as potencialidades intuídas, a definição de uma estratégia de intervenção que viabilize a dimensão da hospitalidade, regeneradora e criativa.

Propõe-se a diversidade tipológica, associando num mesmo complexo diferentes tipos de função e de habitação: da casa de um piso ao duplex, da ‘casa estúdio’ ao abrigo de uma família.

Comércio local e espaços de produção, associados à ideia de uma ‘cidade criativa’, equipamentos e serviços vários de carácter comunitário serão actividades a acolher, reforçando o enunciado inicial, onde diversas funções, alternativas mas complementares, possam trazer vida e segurança ao lugar publico: a rua; o largo; a cidade re-conquistada.

Privilegia-se nesta fase a ideia de que todos os espaços possam funcionar como extensão do habitar. A diversidade e a intensidade urbana implicam a abertura ao ‘outro’, diferente na forma de entender o espaço a casa o trabalho. A novidade de um outro, a alternativa do uso, a reconstrução de uma comunidade.

 

(1) Marc Augé, ‘Não- Lugares, introdução a uma antropologia da sobremodernidade’, Bertrand Editora, 1994.

 

 

MARIA JOÃO PATRONILHO – 2º classificado

equipa projectista:

Maria João Patronilho, Iva Viana de Lemos e Diogo Dantas.

 

descrição geral

O conjunto de três imóveis a reabilitar, no gaveto da Rua do Souto, de 2 a 12 e da Rua dos Pelâmes, de 3 a 11, está inserido num quarteirão histórico consolidado de 18 parcelas que forma um tecido urbano de características medievais.

Pretende-se reabilitar, remodelar e recuperar três imóveis existentes com cinco pisos acima da cota de soleira na Rua do Souto mas, no entanto na Rua dos Pelâmes com apenas quatro pisos, facto esse devesse à diferença de cotas entre estas duas ruas. Tem uma área coberta 160m2 nos quatro pisos comuns as duas ruas e o piso 0 da rua do Souto foi considerada uma área 79m2, pois desconhece-se a área real deste piso.

Da necessidade de refazer estes três imóveis em considerável estado de degradação para responder a novas formas contemporâneas de habitar, foi considerado o seu emparcelamento, dando resposta aos objectivos propostos do presente concurso de desenvolver 3 tipologias de habitação distintas. O piso térreo da Rua de Souto de carácter comercial desenvolvem-se tipologias de usufruto colectivo tanto dos futuros residentes como do publico em geral.

 

conceito geral da proposta

Desconhecendo o estado de conversação do interior dos lotes, e assumindo o seu total estado de ruína, considera-se para esta proposta somente as paredes de pedra de meação entre parcelas.

A implementação de elevador dá resposta à necessidade de rentabilizar funcionalmente e enriquecer a qualidade habitacional, de conforto e de comodidade destas novas tipologias. É este elemento maciço que serve de rotula para toda a proposta, agarrando toda a estrutura de betão nova que corresponde as instalações sanitárias. Todas as restantes lajes de piso serão construídas com metodologias construtivas antigas, apelando à memória colectiva deste tipo de construção.

O emparcelamento dos três lotes permite uma uniformização da proposta permitindo criar um espaço de distribuição comum para todos os pisos e novas tipologias habitacionais.

O programa base foi desenvolvido dando resposta aos objectivos propostos, criação de tipologias T0, T1 e T2 distribuídas pelos pisos e pela área existente. Existe consciência da dificuldade de adaptação espacial das áreas existentes, devido ás dimensões existentes deste tipo de tipologias habitacionais. No entanto desenvolveu-se o organigrama funcional adequando ás áreas existentes, assegurando o seu pleno funcionamento, áreas mínimas necessárias, conforto térmico e acústico.

O objectivo fundamental consiste na adequação do programa funcional, espacial e construtivo de forma a proporcionar um ambiente confortável, acolhedor e familiar para quem vive, tendo como base uma pré existência de elevado valor cultural, social e patrimonial.

 

LUÍS SEABRA – 3º classificado

 

 

Visão e Conceito geral da proposta

A preservação do património Arquitectónico encontra-se balizada historicamente pelos extremos personificados nos conceitos propostos por John Ruskin ou Eugènne-Emmanuel Viollet-le-Duc que identificam respectivamente o antagonismo entre as visões/posições intervencionistas e as não intervencionistas. A intervenção em edificações integradas em tecido urbano consolidado para uso futuro como habitação, sentem, como mais nenhuma outra função, a pressão antagónica entre estas duas posições, ou seja, o confronto entre algo com valor próprio e necessidades simultâneas e prementes de preservação e convergência para padrões de conforto e qualidade contemporâneos.

Neste aspecto, podemos ainda acrescentar que o ambiente doméstico, no sentido lato, sempre foi interpretado como simultaneamente o mais comum e o mais complexo dos desafios para o arquitecto, sendo claramente um dos temas centrais de muitas discussões conceptuais, formais e construtivas ao longo da história, não só da Arquitectura, mas também de outros campos das ciências. A complexidade relativa ao desenvolvimento prende-se sobretudo com a grande quantidade de premissas flutuantes que são inerentes ao processo, não apenas hoje, mas também ontem e novamente no futuro, com contornos indeterminados e em muitos casos impossíveis de

antecipar ou controlar.

As premissas tantas vezes discutidas prendem-se com as metamorfoses do núcleo familiar no tempo, mas também com alterações sociais como a mudança tipificada do núcleo familiar ou a diversidade de nacionalidades e respectivos hábitos culturais num curto raio espacial.

Outra questão importante, tem a ver com a contradição entre a durabilidade das construções ou intervenções no património construído, que na maioria dos casos são pensadas para durar entre 50 a 100 anos, e a assunção que estas se tornam obsolescentes ou redundantes muito antes disso. Além das condições enunciadas anteriormente, o carácter continuamente evolutivo dos aspectos técnicos e tecnológicos da construção também contribui para este facto. A pressão para incorporar nova tecnologia disponível em construções existentes é enorme e em muitos exemplos a impossibilidade da sua assimilação é motivo de insatisfação para o utilizador.

Esta condição de imprevisibilidade remete para a oposição entre a postura mais determinista verificada nas propostas habitacionais mais comuns no século XX, descendentes sobretudo das publicações emanadas dos Congressos do CIAM que se debruçaram sobre o tema, e uma postura mais indeterminada e capaz de lidar com a incerteza.

 

Foi neste contexto, de intervenção em tecido urbano consolidado, ávido de capacidade para dar resposta a uma ocupação contemporânea diversa e complexa social e economicamente que se procurou integrar e sedimentar esta proposta. Os princípios enunciados por John Habraken, centrados na sua obra teórica seminal Supports: An Alternative to mass housing, encontram na reabilitação um caminho possível para a sua proposta em que a separação entre “Suporte” e “Preenchimento” é um factor fundamental de sucesso, ou seja, a reabilitação física de construções existentes se preenchida com “matéria” moldável e flexível o suficiente para aceitar contextos e fluxos altamente diversos pode ser uma resposta muito eficiente na contemporaneidade.

Assim, o propósito é propor a preservação máxima do existente e potenciar as suas possibilidades e capacidades de adaptação a diferentes utilizadores e a um futuro que é sempre pleno de incertezas. Para isso projecta-se um preenchimento interior disponível e aberto, para o qual aqui se enunciam uma série de bases para o desenvolvimento do projecto:

1 – Consolidação dos elementos construtivos e característicos mais perenes da construção

existente

2 – Introdução de novos elementos construtivos exclusivamente de carácter “seco”, privilegiando

o leve, flexível e reversível.

3 – Dotar todas as fracções da possibilidade de expansão ou retracção (vertical e horizontal) de

forma orgânica e simples.

4 – Concentrar zonas de acessos e serviços em núcleos reconhecíveis.

 

ADRIANA FLORET – Menção Honrosa

 

O conceito: «HOME SWEET OFFICE»

As recentes mutações sociais e económicas que ocorreram na cidade do Porto, determinaram o conceito orientador da nossa proposta. Se, por um lado, as intervenções dem reabilitação urbana levadas a cabo no Centro Histórico e Baixa ajudaram a criar condições para a irrupção de uma procura por parte de um público jovem e para a renovação do ecossistema económico que resultou no florescimento da actividade empresarial ligada à vida nocturna e às indústrias culturais, por outro lado, subsiste uma manifesta dificuldade deste mesmo público em conseguir aceder à habitação e a espaços de trabalho adequados ao seu perfil. Entendemos a reabilitação urbana como um processo de rehabitação, mas também de reanimação económica, onde as indústrias criativas, actividades tradicionais, e os serviços de proximidade terão um papel muito importante a desempenhar. De modo a dar resposta a estas novas formas de habitar propomos tipologias versáteis e multifuncionais, onde seja possível conciliar a esfera da intimidade necessária ao habitar com a esfera pública do negócio e do lazer.

«Home sweet Office» é um conceito que procura resolver esta equação, fornecendo numa tipologia a função habitação conjugada com a função escritório/atelier, sem comprometer os requisitos específicos de cada uma delas. A oferta destas tipologias, que se adaptam naturalmente à morfologia arquitectónica dos edifícios históricos em questão, preenche uma lacuna no mercado imobiliário, o qual se tem mostrado pouco atento a estas novas realidades, para além de apresentar uma solução económica para profissionais liberais em início de carreira e jovens criadores, quer por via da poupança numa das rendas (casa/escritório), quer pela minimização dos custos ambientais das deslocações casa/trabalho.

 

GILBERTO MAIA – Menção Honrosa

 

O desafio urbano com que hoje nos deparamos não se resume à reabilitação de três lotes na zona histórica do Porto. Trata-se da reabilitação do coração e centro da vida da cidade, que é Património da Humanidade da UNESCO e que tem vindo a observar um abandono crescente da população residente. O facto de se tratar de uma cidade turística não garante que os lotes em mau estado de conservação sejam remodelados na sua totalidade. É um processo lento mas que tem vindo a mostrar bons resultados no repovoamento do centro histórico do Porto.

Tendo em conta esta sensibilização do lote, enquanto parte integrante da cidade, a proposta pretende atingir três pontos principais:

– simplicidade, clareza e sobriedade na proposta;

– valorização da riqueza patrimonial e ambiental do quarteirão em geral e dos lotes a intervir em particular;

– criação de um estilo de vida adaptado às exigências actuais de conforto térmico, acústico, energético e funcional.

 

Procurou-se manter a casca do edifício quase na sua totalidade, mantendo os elementos de valor e eliminando aqueles que não contribuem para a valorização do edificado. Desde o primeiro instante, a preocupação ambiental e económica foi tida em conta, na escolha de materiais naturais e renováveis/recicláveis/reutilizáveis produzidos em Portugal.

 

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