Bjarke Ingels projeta a primeira cidade flutuante sustentável do mundo

Categorias: Arquitetura

A primeira cidade flutuante do mundo projetada pelos arquitetos BIG – Bjarke Ingels Group em parceria com SAMOO (Samsung), começa a ser construída no próximo ano na Coreia do Sul e vem responder à contínua subida do nível médio das águas do mar. Os planos da cidade prevêem que esta seja sustentável e independente a nível energético, contando com painéis solares e a capacidade de “tratar e reabastecer a sua própria água”.

O projeto para a primeira “cidade flutuante” do mundo foram revelados na sede da ONU numa reunião que tem como objetivo discutir possíveis soluções aos problemas que vêm com as alterações climáticas. A cidade que será construída no porto de Busan, na Coreia do Sul, veio responder às crescentes ameaças enfrentadas pelas comunidades costeiras à medida que o nível médio da água do mar vai subindo e se começa a fazer sentir a severa escassez de terra.

“Hoje é um marco fundamental para todas as cidades costeiras e nações insulares na linha de frente das mudanças climáticas”, anunciou, em comunicado, Philipp Hofmann, presidente da OCEANIX, uma empresa de tecnologia e design que colaborou com o Programa das Nações Unidas para a Fixação Humana e cidade de Busan no desenvolvimento do projeto. “Estamos no caminho certo para entregar o OCEANIX Busan e demonstrar que a infraestrutura flutuante pode criar novas terras para cidades costeiras que procuram formas sustentáveis ​​de se expandir para o oceano, enquanto se adaptam ao aumento do nível médio do mar”.

As imagens simuladas da cidade mostram edifícios agrupados em plataformas flutuantes que se ligam ao continente e entre elas por meio de pontes pedestres. O projeto prevê o aumento das cidades pelo que, embora inicialmente a cidade conte apenas com três plataformas, cada uma com o seu propósito concreto – “viver, pesquisa e hospedagem” – existe o potencial para expandir para mais de 20 plataformas.

A ideia central do projeto é construir uma cidade sustentável e inteiramente independente a nível energético. “As plataformas flutuantes são acompanhadas de dezenas de postos avançados produtivos com painéis fotovoltaicos e estufas que podem expandir-se e contrair ao longo do tempo com base nas necessidades de Busan”, explica o comunicado.

A cidade também será construída com o intuito de se adaptar ao meio externo e às necessidades humanas. Assim, um dos objetivo do projeto seria que as plataformas não só acompanhassem as flutuações do nível do mar, evitando as ameaça sentidas hoje nas zonas costeiras, mas que fossem também capazes de se “transformar e adaptar organicamente ao longo do tempo”, partindo de abrigar apenas 12 mil habitantes em três plataformas para chegar a uma comunidade de até 100 mil.

A futura “cidade flutuante” ainda se deixa acompanhar de “seis sistemas integrados”: “zero resíduos e sistemas circulares, sistemas de água de circuito fechado, alimentos, energia líquida zero, mobilidade inovadora e regeneração de habitats costeiros”. Cada bairro será também responsável por “tratar e reabastecer a sua própria água”, assim como “reduzir e reciclar recursos e fornecer uma agricultura urbana inovadora”.

De acordo com o testemunho de um representante da OCEANIX ao The Independent, as obras da cidade estão previstas para começar em 2023, mas o desafio de avançar com a primeira cidade flutuante e autossuficiente a nível energético no mundo é “enorme”.

O risco da subida do nível médio da água do mar

O aumento do nível médio da água mar é hoje um dos principais desafios da crise climática, responsável por destruir a biodiversidade das zonas costeiras, assim como criar uma severa escassez de terra, destruindo a vida nas cidades próximos do mar e forçando milhares de pessoas a deslocar-se.

De acordo com dados da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA, citados pelo The Independent, o nível médio da água do mar já subiu cerca de 21 a 24 centímetros desde 1880 e deverá continuar a aumentar. De acordo com o relatório mais recente do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU o nível do mar provavelmente subirá ainda cerca de meio metro até o final do século, mesmo em alguns dos cenários de emissões mais baixas.

Cenários de emissões mais altas, que poderiam provocar o desaparecimento do manto de gelo da Antártida, seriam responsáveis por uma subida de cerca de um metro e meio até 2100, chegando, no mínimo, a dois metros até 2300, com a possibilidade de atingir os sete metros, ou mais. Segundo um relatório publicado em 2019, cerca de 300 milhões de casas serão afetadas pela subida do nível médio das águas do mar nos próximos 30 anos, subindo até 630 milhões até 2100 e afetando três vezes mais pessoas do que inicialmente pensado.

De acordo com o comunicado, “duas em cada cinco pessoas no mundo vivem a menos de 100 quilómetros da costa e 90% das grandes cidades em todo o mundo são vulneráveis ​​ao aumento do nível do mar. As inundações estão a destruir milhares de milhões de dólares em infraestruturas e a forçar milhões de refugiados climáticos a deixar suas casas”.

Por outro lado, e enquanto os refugiados climáticos procuram abrigo, continua a verificar-se um aumento contínuo da população mundial, sentido nas grandes cidades, que se concentra também nas regiões costeiras. “Sem ter para onde se expandir, o rápido crescimento da população urbana está a empurrar as pessoas para mais perto da água, elevando os custos da habitação a níveis proibitivos e pressionando as famílias mais pobres”.

O litoral global continua a viver numa dualidade que redefine os seus limites e a vida que aí se concentrou. Enquanto se continua a agrava a crise climática, aumenta também o risco da subida da água do mar, qie se alia ainda ao risco acrescido de inundação por tempestades, também uma consequência das alterações climáticas.

© Rita Aguiar de Matos .  VISÃO VERDE

Imagens: © OCEANIX / Bjarke Ingels Group

Galeria
noticias RELACIONADOS
PUBLICIDADE

Subscrever Newsletter

Já subscreveu a nossa newsletter?