David Chipperfield é um dos grandes vencedores do Festival de Arquitetura de Barcelona

Categorias: Arquitetura

O projecto do arquitecto britânico David Chipperfield foi um dos grandes vencedores do Festival de Arquitectura de Barcelona, um dos maiores eventos de arquitectura do mundo

 

O projecto da Cidade da Justiça de Barcelona, do arquitecto britânico David Chipperfield, foi um dos grandes vencedores do Festival de Arquitectura de Barcelona, um dos maiores eventos de arquitectura do mundo, que decorreu na cidade espanhola entre 3 e 5 deste mês. O objectivo do Festival foi o de divulgar e premiar os melhores projectos realizados em 2009, em todo o mundo. Portugal, com quatro projectos a concurso, não obteve qualquer distinção.

Originalmente intitulado de “Ciudad de la Justicia de Barcelona y L’Hospitalet de Llobregat”, o complexo é colossal, em tamanho e ambição. Ocupa 240 000 metros quadrados de área de construção, distribuídos por nove edifícios, e situa-se na confluência de duas grandes artérias, a Gran Via e a Carrilet, que dão acesso a Barcelona e à cidade vizinha de L”Hospitalet, respectivamente.

E é também o maior investimento feito pelo Plan de Infraestructuras Judiciales del Departamento de Justicia de la Generalidad de Cataluña. Porque, mais do que um conjunto de edifícios, pretende ser a sede da nova justiça para o século XXI, liderada pela Catalunha, defende o promotor.

O complexo, central e centralizado, congrega os principais serviços de justiça – como os Tribunais de Primeira Instância, de Instrução, Penal, de Violência sobre a Mulher , de Menores ou o Instituto de Medicina Legal, entre outros – e veio substituir o anterior corpo de justiça, que contemplava 17 edifícios , distribuídos entre Barcelona e l’Hospitalet. Conforme referiu David Chipperfield, “este sistema disperso prejudicava e frustrava tanto utentes como funcionários”, para além de diminuir o valor da justiça.

E o arquitecto britânico, que venceu o concurso público internacional em 2002, propôs um conjunto de edifícios que formam uma cidade dentro da cidade, e que tornam o sistema da justiça mais eficaz e célere. Com maior proximidade entre serviços, mas também “com espaços de trabalho flexíveis para as mudanças que possam ocorrer no corpo judicial, e espaço livre para futuras ampliações” , conforme refere na memória descritiva.

Esta opção de fragmentar o corpo judicial é intencional: o conjunto de edifícios ” pretende criar um jogo volumétrico que desafia a tradicional imagem da justiça como algo monolítico e rígido. O projecto procura também uma nova forma de articulação e equilíbrio entre as diferentes zonas de trabalho, públicas e verdes”. De facto, esta Cidade da Justiça tem um grande centro, em forma de praça, a partir do qual se articulam os nove edifícios: quatro de apoio exclusivo à cidade de Barcelona, um de apoio a L’ Hospitalet, dois comerciais – com lojas no piso térreo – e um de apoio às ciências forenses. Estes oito edifícios encontram-se agrupados em dois conjuntos de quatro, ligados subterraneamente. O nono edifício destina-se a habitação social.

Esteticamente, Chipperfield desenvolveu uma linguagem sóbria e rígida, com uma métrica regular, à base de grelhas de betão nas fachadas. Esta regularidade e homogeneidade é , todavia, corrompida pelas cores das fachadas, uma vez que cada edifício contém um pigmento colorido próprio e diferente, e o conjunto vai do cinza ao rosa.

A eficácia deste novo modelo judicial já está à prova e em relação à arquitectura teve máxima distinção. Resta saber se esta arquitectura é inspiradora para utentes, funcionários e restante comunidade catalã.

 

 

Quem é o autor

Atelier fundado por David Chipperfield (n. 1953, Londres) em 1984, em Londres, e que actualmente conta com sucursais em Xangai, Milão e Berlim.

Um dos mais importantes arquitectos da actualidade, com uma vasta obra e prémios, dos quais se destacam os Museus River and Rowing em Henley-on-Thames, Reino Unido, Anchorage, no Alasca, EUA, ou da Literatura Moderna, em Marbach, na Alemanha, com o qual venceu o Stirling Prize em 2007.

Em Portugal, é autor de habitações no Bom Sucesso Design Resort, em Obidos.

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