Requalificação do Edifício Cruzeiro transformado em Centro de Artes Performativas de Cascais

Categorias: Arquitetura
No passado dia 28 de setembro deu-se o “tiro de partida” para a nova vida de um dos mais icónicos edifícios do Monte Estoril. A noite foi de festa e muita inspiração, antecipando o nobre destino que o Edifício Cruzeiro irá ver cumprido, previsivelmente, dentro de dois anos. Com um investimento municipal de 7,7 milhões de euros, o centro comercial dos anos quarenta do século passado, vai funcionar como Centro de Artes Performativas com vista a integrar o conceito mais amplo de Vila das Artes de Cascais.
O chão dos corredores largos era revestido a calçada portuguesa, com setas a indicar a obrigação de circular pela direita. No primeiro andar, lojas para senhoras. Um ringue de patinagem, um cinema, dancings, um salão de fado e outro de jogos juntavam-se ao lote de 40 estabelecimentos. Por cima da porta da entrada, com caixilho singelo, a palavra “Cruzeiro”. Foi assim batizado o primeiro centro comercial em Portugal.

Hoje quem passa pela zona nobre e centro histórico do Monte Estoril, mesmo em frente ao Teatro Experimental de Cascais, depara-se com um edifício praticamente devoluto e com sinais de degradação evidentes.

Desde a notícia da aquisição do imóvel pelo município, que o arranque das obras para a requalificação do Cruzeiro é aguardado com expetativa, sobretudo por parte daqueles que ainda guardam na memória o inovador centro comercial, frequentado por gente da realeza europeia, alguns exilados da 2ª Guerra Mundial e muitos turistas que tornaram o Estoril num luxuoso centro de veraneio da Europa.

Este sábado, finalmente, aconteceu numa cerimónia simbólica com o Presidente da Câmara de Cascais, Carlos Carreiras, a entregar a chave do edifício a Fernando Menezes Falcão, ao Administrador da empresa responsável pela obra.

Por uma noite o edifício voltou a ganhar o brilho de festa de outrora. Pelo palco e pelas varandas e torreão do icónico imóvel, passaram o canto, música, teatro e dança, antevendo o conjunto de talentos que em breve vai encontrar ali a sua nova casa.

Devolver ao Cruzeiro a dignidade de outros tempos e coloca-lo ao serviço da Cultura e fruição da população, sempre foi uma prioridade para a Câmara Municipal de Cascais.

” Foi preciso muito empenho e ainda mais trabalho para estarmos hoje aqui a dar início aos trabalhos de recuperação do Edifício Cruzeiro, mas estamos certos que este vai ser outro dos pontos altos da Cultura do Monte Estoril e de Cascais e é isso que nos motiva e nos inspira”, referiu Carlos Carreiras, Presidente da Câmara de Cascais, ao referir-se ao caminho de muitas dificuldades e obstáculos para que hoje tivesse sido possível assinar o auto de consignação da obra.

O Arquiteto Miguel Arruda aceitou o desafio de recuperar o icónico edifício da autoria do arquiteto Filipe Nobre de Figueiredo, colocando-o, novamente, no centro das atenções e transformar o local num cenário urbano de excelência compatível com a vivência do Monte Estoril.

Um auditório municipal para 300 pessoas, as novas instalações da Escola Profissional de Teatro de Cascais e uma biblioteca com conteúdos relacionados com o Teatro e o Cinema são algumas das novas funcionalidades que integram o projeto para o local. Tudo isto através de uma intervenção integrada ao nível do espaço público, onde se inclui uma ampla praça, possibilitando a criação de fluxos e atravessamentos pedonais.

Aliás, os alunos da Escola Profissional de Teatro de Cascais quiseram marcar a sua presença na cerimónia com algumas performances em palco, assinalando o entusiasmo de todos, alunos e professores, pelas futuras novas instalações da escola que Carlos Carreiras confessou sonhar com o dia de tornar  a Escola Profissional em “Escola Superior de Teatro”.

Visivelmente emocionado, Carlos Avilez, fundador da EPTC e do Teatro Experimental de Cascais, a companhia de teatro mais antiga da Europa a produzir sem interrupções há 50 anos, expressou que a recuperação do edificio vizinho ao Teatro Mirita Casimiro “é um sonho tornado agora realidade” e que “vai muita alegria no coração de todos com este fantástico presente da nova escola” .

A EPTC conta atualmente com 150 alunos e tem visto adiada a possibilidade de crescer, devido às grandes limitações da atual escola na Amoreira. Com as novas instalações no Cruzeiro, prevê-se que a escola possa aceitar o dobro dos alunos e mesmo chegar, no futuro, aos 600.

Preservar a identidade daquele que é considerado o primeiro centro comercial a nascer no país, é o grande objetivo do município que adquiririu o imóvel, justamente, porque o anterior projeto para o local não corresponder às expectativas dos cascalenses.

Contudo, houve grandes entraves técnicos em relação ao projeto, já que os estudos do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) defendem a incompatibilidade do estado de conservação e resistência da estrutura do imóvel com as exigências de segurança atuais. Pelo que, concluiu o relatório do LNEC, não é possível evitar a demolição do imóvel.

Ainda assim, será assegurada a memória do edifício, através da reconversão das características da construção existente, nomeadamente a implantação, a volumetria e a cércea, bem como a conservação do seu aspeto exterior com recuperação integral da fachada principal, da fachada poente e do torreão sul, que não deverão ser demolidos.

Prevista está, ainda, a construção de uma praça e uma galeria exterior no piso térreo, o auditório e a relocalização da farmácia existente, assim como um café e estacionamento. Os pisos 2 e 3 serão totalmente destinados à Escola de Teatro que contará com 17 salas de aula e de trabalho, biblioteca, receção e arquivos.

O Edifício Cruzeiro virá, assim, a fazer parte integrante de um polo cultural que numa questão de metros inclui o Conservatório de Música de Cascais, a Escola de Dança, o Museu da Música Portuguesa e o Casino Estoril. Daqui nascerá, assim, a Vila das Artes, integrando o Teatro e o Cinema, a Dança e a Música.

” As expetativas são muitas e esperamos daqui a dois anos termos aqui um auditório que faz muita falta para fazermos as apresentações da Orquestra Sinfónica de Cascais e não só”, sublinhou o maestro Nikolay Lalov que dirige o Conservatório de Música de Cascais.

Com uma atividade muito intensa no concelho, Lalov que também dirige a Orquestra Sinfónica e a Orquestra de Câmara de Cascais e Oeiras, já tem muitos projetos para ocupar as salas do futuro Cruzeiro e para a Academia das Artes.

” Um dos projetos que quero apresentar é a possibilidade de se ter aqui cursos de verão para Ópera e master classes com projeção internacional”, exemplificou o Maestro que já não vê a hora do “edifício ficar pronto”.

 

Texto + fotos ©Câmara Municipal de Cascais

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