Estado vai avançar com a construção de casas com renda acessível em Almada

Categorias: Arquitetura

O ministro das Infraestruturas e da Habitação classificou como histórico o arranque da primeira obra de construção de raiz de habitação para renda acessível pelo Estado, o que não se verificava há mais de 40 anos.

Pedro Nuno Santos falava na cerimónia que marcou o arranque da primeira obra no âmbito do Plano Integrado de Almada (PIA), que decorreu em Almada, distrito de Setúbal.

A obra que agora se inicia visa a construção de 24 habitações de renda acessível pelo Instituto de Habitação e Reabilitação Urbana (IHRU), em Alcaniça, Monte da Caparica, num investimento de cerca de quatro milhões de euros. O projecto de arquitectura é do atelier Branco del Rio, sedeado em Coimbra, vencedor do concurso de concepção em 2020.

Esta primeira fase no âmbito do PIA prevê ainda a construção de outras 28 habitações na Quinta do Olho de Vidro e 156 em Alfazina. As três empreitadas constituem um investimento total de 31,1 milhões de euros.

O PIA integra ainda outras onze empreitadas.

Ao todo serão 14 empreitadas do PIA, totalizando 1.169 habitações de renda acessível, com um investimento de mais de 165 milhões de euros.

Um dia histórico…!

“Este é um dia histórico e é fácil de explicar porquê. É a primeira empreitada de habitação de construção de raiz do IHRU, do Estado português, desde há mais de 40 anos. É por isso que é histórico, porque significa a mudança de paradigma da resposta em matéria de política de habitação em Portugal”, disse o ministro da Infraestruturas e da Habitação.

Segundo o governante, durante décadas Portugal achou que o mercado trataria dos problemas da habitação, não existindo por parte do Estado a mesma resposta para a habitação que houve, por exemplo, para a saúde ou para educação.

Passadas décadas, adiantou, Portugal vive agora as consequências da ausência de uma política pública de habitação.

“Vivemos um problema difícil, dramático, em matéria de habitação. É dos maiores desafios que Portugal enfrenta nas famílias carenciadas, mas também na classe media”, disse, salientando que o que está a ser feito com verbas do Plano de Recuperação e Resiliência direccionadas pelo Governo para a habitação “é gigantesco”.

Portugal, explicou, tem apenas 2% do parque habitacional público, um valor muito abaixo da realidade de outros países europeus, que têm 30%.

Um projecto para as classes médias

“Era claro que tínhamos de mudar de forma radical a resposta do Estado em matéria de habitação e tínhamos de ser capazes de fazer com a habitação o que fizemos desde o 25 de Abril com a escola pública, a saúde pública e o sistema nacional de pensões”, frisou.

Este projeto agora lançado, adiantou Pedro Nuno dos Santos, é dirigido às classes médias, a uma população de rendimentos intermédios e está a ser construído integrado na cidade de Almada, sem segmentação.

A presidente da Câmara Municipal de Almada, Inês de Medeiros, considerou também o passo de hoje como histórico para o concelho, que vive dificuldades em matéria de acesso à habitação.

“Queremos acabar com o drama da habitação indigna e a falta de habitação do concelho de Almada”, disse Inês de Medeiros.

A autarca considerou importante a criação de uma resposta de renda acessível para a classe média, num projecto que dá o primeiro passo no sentido de uma política de integração em bairros do concelho.

© Lusa/DI

Fotos: CM de Almada e Branco Del Rio

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