Gaia quer pôr mais cidadãos a dizer o que faz falta na rua onde vivem

Categorias: Arquitetura

Gaia quer pôr mais cidadãos a dizer o que faz falta na rua onde vivem |   © Público

 

Em 2019, o quarteirão da Biblioteca Municipal, em Gaia, foi a experiência piloto do projecto “Meu Bairro, Minha Rua” que procurou soluções para a requalificação da zona junto dos seus moradores. Agora, a iniciativa alarga-se para novas áreas do concelho.

 

“Dá outro ar”, comenta um jovem virado para o quarteirão da Biblioteca Municipal, em Gaia, onde, numa tarde de segunda-feira, se reúnem algumas pessoas para aproveitar o sol. É o caso de Aldina Carvalho, da sua amiga América Costa e do marido José Costa e, ainda, da “dona Glória”, uma senhora já de idade que, sem proferir uma única palavra, caminha devagarinho, amparada pela bengala.

 

“Tem sido muito bom, especialmente para a dona Glória”, relata Aldina Carvalho, apontando para a rampa de acesso construída a caminho da Escola Secundária Almeida Garrett: “Foi um senhor que mora aqui que pediu a rampa”, acrescenta ainda. Aldina Carvalho e América Costa falam também dos encostos dos bancos, dos carrinhos de bebé que agora passam pela área com mais facilidade, das flores que ornamentam o espaço e do circuito de água que voltou a funcionar no painel de azulejos.

 

“Agora há mais grupinhos aqui, não é só pessoal mais novo”, contam Ricardo Ferreira e João Martins, dois jovens que viram um dos seus pontos de encontro subitamente rejuvenescido com a iniciativa “Meu Bairro, Minha Rua”, um projecto que convida os moradores gaienses de zonas com maior necessidade de intervenção a responder a um questionário. Assim, através da identificação dos principais problemas e desafios, procura-se intervir, quer em espaço público, quer nas relações entre moradores.

 

Questionários e visitas ao local

Resultado não só de questionários mas também de visitas aos locais, o quarteirão da Biblioteca Municipal sofreu alterações que vieram dar um novo brilho ao quotidiano dos seus moradores. Exemplo disso é a rampa de acesso universal que foi construída para alunos com mobilidade reduzida da escola secundária Almeida Garrett e para a população mais idosa, bem como as passadeiras que agora são mais e melhores, permitindo uma maior visibilidade para os carrinhos de bebé atravessarem a rua, e a colocação de um ripado de plástico reciclado num antigo muro que vem convidar os cidadãos de mais idade a encostar-se.

Levaram-se ainda a cabo pequenas reparações no pavimento e nos passeios do jardim da Biblioteca, pintaram-se os muros existentes e transformaram-nos em bancos de jardim e, por fim, pôs-se novamente em funcionamento o circuito de água no espelho de água, um painel de azulejos.

O objectivo do projecto passa também pela promoção da interacção social em espaços verdes, com disponibilização de wi-fi, construindo-se parklets e reforçando-se a mobilidade suave através de apoios de bicicleta e de pavimentos confortáveis. Isto em paralelo com um trabalho desenvolvido a partir das escolas e outros espaços de socialização, com o intuito de “reconstituir um sentido de comunidade que começa ao nível local, na escola, no bairro, na rua ou no prédio”, segundo informa a autarquia. Este trabalho está a ser realizado em parceria com o Instituto Padre António Vieira através do programa Ubuntu no Bairro, que quer dar resposta à “falta de participação e desresponsabilização dos cidadãos, entre eles e para com os espaços”.

Três novos quarteirões a seguir

O quarteirão da Biblioteca foi palco do Fórum Internacional de Gaia (FIGaia) de 2019 (de 13 a 15 de Setembro) e do Ubuntu Fest, incluindo várias iniciativas culturais e cívicas, numa lógica de promoção da “coesão social” e da “defesa de uma ética de cuidado”. Ainda foram preparados espaços de reflexão e de intercâmbio na Escola Secundária Almeida Garrett através do workshop “Viagem por todo o Mundo”, que contou com a participação de convidados internacionais como José Ramos Horta, John Volmink, Gisella de Andreis e Patrick Magee.

Este quarteirão, que o PÚBLICO visitou, foi o primeiro lugar onde se implementou este projecto, mas agora é a vez de três novas áreas do concelho serem sujeitas a mudanças: o quarteirão do Cedro, o quarteirão de Quebrantões e o quarteirão de António Sérgio. Neste momento, a autarquia está a recolher a opinião dos moradores através de questionários distribuídos pelos CTT e disponibilizados no site da Câmara Municipal. As propostas serão apresentadas numa sessão pública, sendo discutidas e ajustadas às necessidades dos utentes do espaço. “Com esta metodologia, verificamos que o cidadão se envolve com o projecto, abraçando-o e vivendo-o como sendo seu”, afirma a autarquia.

 

Texto de  © Público

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