Mais de metade dos arquitectos portugueses têm menos de 35 anos

Categorias: Arquitetura

“O traço mais marcante da actual composição sócio-demográfica da profissão de arquitecto/arquitecta em Portugal é a sua extrema juventude. Isto acontece com todas as profissões de base universitária mas em poucas delas a renovação tem sido tão acentuada”. A conclusão é do professor Manuel Villaverde Cabral que coordenou um estudo chamado “Relatório Profissão: Arquitecto/a”, e que contou com a colaboração de Vera Borges.

 

Actualmente, mais de metade dos arquitectos portugueses têm menos de 35 anos, uma profunda renovação geracional que “explica muitos dos problemas actuais enfrentados pela profissão e contribui de forma significativa para explicar, também, as diferentes modalidades de inserção na vida profissional”, pode ler-se no mesmo documento.

 

Traço marcante

Outro dos traços marcantes da composição demográfica desta profissão é a sua feminização acelerada. Se em 2006 as mulheres perfaziam cerca de 35,5% dos arquitectos, em 2009 elas já alcançaram os 55% do universo de arquitectos inscritos. E se a profissão se caracteriza por ser jovem, ainda mais são as mulheres que exercem arquitectura em Portugal, pois segundo os dados do relatório, cerca de 70% tem menos de 35 anos. Contudo, embora impressionante, a feminização da arquitectura “tem sido mais lenta do que a da maioria das outras profissões de base universitária, indiciando aliás o carácter fechado da base de recrutamento sócio-cultural da profissão, carácter esse que continua a ser outro traço distintivo da arquitectura”, elucida Manuel Villaverde Cabral no seu estudo. Por sua vez, as arquitectas exibem também percursos profissionais e perfis atitudinais diferentes dos seus pares masculinos, nomeadamente ao nível do percurso formativo, da taxa de actividade durante a licenciatura e da forma de obtenção do primeiro emprego, “revelando as recém-licenciadas um perfil formativo mais escolástico do que prático.

 

Níveis de satisfação

Também no que diz respeito aos níveis de satisfação, o professor Manuel Villaverde Cabral encontrou diferenças entre homens e mulheres. Elas estão mais insatisfeitas do que eles com as condições em que fazem arquitectura, e manifestam-se mais entusiastas com a evolução da arquitectura no sentido da técnica, da especialização, da regulamentação e da protecção ambiental. Por outro lado, eles revelam-se menos exigentes, mas em contrapartida são mais empreendedores. O padrão é o mesmo quando se fala dos problemas que a profissão enfrenta, dando as arquitectas mais atenção à precaridade laboral e à concorrência de outros profissionais, enquanto os arquitectos se preocupam mais com a legislação e a burocracia inerente ao exercício. O mesmo acontece no que diz respeito à Ordem dos Arquitectos, sobre a qual os homens fazem uma avaliação menos exigente, participando no entanto em mais actividades do que elas. “A seguir à idade, o factor género é aquele que introduz a clivagem mais funda que atravessa actualmente a profissão de arquitecto/arquitecta”, conclui Manuel Villaverde Cabral no seu Relatório.

 

Os números

O número de novos arquitectos inscritos na Ordem dos Arquitectos Secção Regional Sul (OASRS) tem vindo a decrescer gradualmente desde 2005, ano em que se registaram 821 novos membros. Nomeadamente, em 2009, foram admitidos menos de 500, mais precisamente 494 ao todo. De acordo com o portal da OASRS, invertendo esta tendência de queda está o número de mulheres entre os novos inscritos que “tem vindo a subir ao longo dos últimos anos, tendo atingido um pico em 2009 de 55 por cento do universo de arquitectos inscritos”. De acordo com dados oficiais, “no final do ano transacto estavam inscritos na Secção Regional Sul da Ordem dos Arquitectos 10.294 membros, 91 por cento dos quais residentes no litoral do País. Esta tendência acentua-se considerando o local de residência dos novos membros – 93 por cento habitam também no litoral”. Dos mais de 10 mil arquitectos membros da OASRS, 79 por cento vivem na Area Metropolitana de Lisboa e destes, 68 por cento residem no distrito de Lisboa.

 

1196 arquitectos nos Centros de Emprego em Março 2010

Dados enviados pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) revelam que se encontravam inscritos nos Centros de Emprego do Continente durante o mês de Março 1196 arquitectos. Segundo uma notícia publicada no portal da OASRS, “em Fevereiro, estavam registados 1161”. E fazendo uma comparação com os números do ano transacto, referentes a 2009, pode-se constatar uma grande diferença: “em Fevereiro havia 800 arquitectos inscritos, e em Março havia 870”. Desde cerca de nove meses a esta parte, à excepção do mês de Dezembro, que os números de arquitectos inscritos cresce nos Centro de Emprego.

 

Evolução mensal dos últimos seis meses:

Julho 09 – 847 (575 em Julho 08)

Agosto 09 – 846 (567 em Agosto 08)

Setembro 09 – 940 (613 em Setembro 08)

Outubro 09 – 1002 (618 em Outubro 08)

Novembro 09 – 1021 (632 em Novembro 08)

Dezembro 09 – 1002 (644 em Dezembro 08)

Janeiro 10 – 1138 (740 em Janeiro 09)

Fevereiro 10 – 1161 (800 em Fevereiro 09)

Março 10 – 1196 (870 em Março 09).

 

fonte: construir

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