Ordem dos Arquitetos defende classificação do Parque Residencial da Boavista no Porto

Categorias: Arquitetura

A Ordem dos Arquitetos defendeu hoje a classificação do Parque Residencial da Boavista, na zona do Foco, no Porto, onde se inclui um edifício da década de 60, da autoria do arquiteto Agostinho Ricca, que pode ser alterado.

Em comunicado, a Secção Regional Norte da Ordem dos Arquitetos (OASRN) revelou ainda que o seu Conselho Diretivo assinou a petição pública "Pela classificação patrimonial do Parque Residencial da Boavista – Porto", lançada através da Internet na quinta-feira e que hoje conta com 1.633 assinaturas.

A OASRN explica estar em causa o "processo de intervenção artística no edifício de escritórios conhecido como Santo António, no Foco", alertando "o poder local para a importância de preservar e valorizar o conjunto urbanístico e arquitetónico" ali existente.

Trata-se, acentua, "de um exemplo de grande qualidade arquitetónica do panorama cultural e urbano portuense da década de 60 do século XX”.

De acordo com a OASRN, "a alteração" prevista para o imóvel "implica uma destabilização da visão de conjunto" daquele edificado, que é "imperativo salvaguardar" pois "a cidade não deve ser geneticamente tão alterada a ponto de se tornar irreconhecível".

Questionada pela agência Lusa na sexta-feira, a Câmara do Porto informou que "não está tomada" a decisão sobre a reabilitação do edifício de escritórios no Foco e a eventual intervenção do artista Vhils na empena do prédio, divulgada na quinta-feira pelo jornal Público.

A autarquia acrescentou que "o município e o promotor estão a estudar as várias propostas para o local", estando "em cima da mesa" a "possibilidade de uma intervenção artística efémera".

Para a OASRN, "só a visão do conjunto" do conjunto de edifícios do Foco "permite responder a uma promoção qualificada da paisagem e do urbanismo provocadas pelo enquadramento histórico e de desenvolvimento local".

"Assim como só uma visão de conjunto permite escolher o modelo de sociedade em que queremos viver", alerta.

A OASRN recorda que "o edifício modernista inserido num conjunto urbano", foi "desenhado pelo arquiteto Agostinho Ricca em coautoria com João Serôdio e Magalhães Carneiro".

De acordo com a OASRN, a eventual alteração do conjunto "torna extremamente precária qualquer tentativa isolada de benefício social e de mais-valia urbanística".

A OASRN explica ter tido conhecimento da Petição Pública ‘Pela classificação patrimonial do Parque Residencial da Boavista — Porto" e anuncia ter resolvido associar-se à iniciativa.

Para além disso, a OASRN "apela a todos que se associem, por considerar imperativo salvaguardar o património arquitetónico de hoje e do futuro, e por considerar que a cidade não deve ser geneticamente tão alterada a ponto de se tornar irreconhecível".

O espaço inclui "igreja, cinema Estúdio Foco, hotel, clube residencial, galerias comerciais e escritórios – sempre numa linguagem unitária, criteriosamente distribuídos e articulados pelo desenho do espaço público", descreve a petição.

"O valor deste conjunto vem sendo reconhecido por todos, no plano nacional e até internacional, como comprova a sua inclusão como ‘área com interesse urbanístico e arquitetónico’ na Carta de Património que integra o Plano Diretor Municipal da cidade do Porto", refere ainda o documento.

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