Pavilhão de Portugal na Bienal de Veneza é “Uma obra em construção”

Categorias: Arquitetura

O pavilhão de Portugal na Bienal de Arquitetura de Veneza trata-se de “uma obra em construção”, disse hoje um dos curadores, referindo-se ao projeto “Neighbourhood — Where Álvaro meets Aldo”, a ser inaugurado no dia 25 de maio.

 

Na conferência de imprensa de apresentação do projeto, centrado no trabalho de habitação social do arquiteto Álvaro Siza Vieira, que vai representar Portugal na Bienal de Veneza, o curador Roberto Cremascoli sublinhou que “o pavilhão de Portugal é uma obra em construção, surge de um lugar que é o campo de Marte na ilha Giudecca, é sobre a prática de um arquiteto, fala de um encontro entre Álvaro Siza e Aldo Rossi”.

 

 

“Há quatro bairros na Europa desenhados por Álvaro Siza, mas sobretudo há as pessoas que são as almas daqueles bairros”, disse Cremascoli, durante a apresentação que decorreu na livraria Circo de Ideias, no bairro da Bouça, no Porto, projetado por Siza.

 

Cremascoli traçou a evolução histórica do projeto de Siza na ilha da Giudecca, em Veneza, que vai acolher a presença portuguesa na bienal, lembrando que o arquiteto português venceu o concurso internacional em 1985, tendo, dez anos depois, sido adjudicado o projeto.

 

“Em 2004, foram entregues aos residentes os primeiros apartamentos dos edifícios de [Aldo] Rossi e [Carlo] Aymonino. Em 2008, os primeiros 32 apartamentos da primeira fase de Álvaro Siza. Em 2010, por falência do construtor, ficaram por acabar 19 apartamentos da segunda fase de Álvaro Siza. E a praça”, elencou o responsável, que divide a curadoria com Nuno Grande.

 

 

Este ano, mais de 30 anos depois, “está a ser lançado o concurso para completar a intervenção de Álvaro Siza naquele lugar”, aproveitando o projeto português para a Bienal de Veneza.

 

“O curador curou uma zona de Veneza doente, que não se completava”, referiu, por seu lado, Siza Vieira, que revisitou para este projeto os bairros da sua autoria, em cidades tão diferentes como Berlim ou Haia.

 

Também presente na sessão esteve o ministro português da Cultura, João Soares, que realçou a importância de Siza Vieira para Portugal e declarou: “Eu, atrás do senhor arquiteto, vou até ao fim do mundo, até onde for preciso”.

 

Em janeiro, o diretor-geral das Artes, Carlos Moura-Carvalho, explicou à Lusa que a ideia era apresentar uma exposição “que tivesse a ver com habitação social, que tivesse a ver com a importância da vizinhança, da proximidade, de receber pessoas de origens diferentes, através da construção e das artes”.

 

Siza Vieira acabou por ser a escolha mais lógica, tendo em conta que tinha desenhado um projeto de habitação social para a ilha de Giudecca, em Veneza, que tem moradores, mas não está totalmente concluído. É lá que o projeto arquitetónico de Siza Vieira será mostrado.

 

A escolha enquadra-se no mote da 15.ª Bienal de Veneza – “Reporting from the front” -, com curadoria do chileno Alejandro Aravena, recém-distinguido com o Prémio Pritzker de arquitetura, que defende a importância da arquitetura no aumento da qualidade de vida das pessoas.

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