Pedro Matos Gameiro e Pedro Domingos vencem Biblioteca e Arquivo Municipais de Grândola

Categorias: Arquitetura

Chega-se protegido pelas palmeiras e pelo muro que desenha, no recesso do edifício, a zona coberta de entrada. Daí, e depois dessa pausa, acede-se ao átrio, um espaço distribuidor de dupla altura que revela e anuncia a sala de leitura, espaço sublinhado por lanternins translúcidos que controlam e estabilizam a luz emanada, donde se retoma a sombra das árvores nos espaços de transição e na varanda que devolve o olhar antes exprimentado.

 

O novo edifício da Biblioteca e Arquivo Municipais de Grândola constitui-se – enquanto equipamento público de livre acesso, pela sua escala, localização e programa – como um elemento de referência, estruturante da caracterização e do reconhecimento da cidade, em contraponto à malha de contínuo urbano.

 

Interessa-nos, por isso, tornar clara, sólida e identificável a presença do edifício na praça e incluir o equipamento no roteiro público, promovendo a continuidade entre os espaços interiores e o adro que a praça desenha.

 

O edifício, pela sua natureza e organização espacial, potencia as qualidades espaciais da praça e celebra a presença do notável conjunto de palmeiras que, desde há anos, habitam e qualificam este nó, que se constitui como epicentro de ligação entre o Jardim 1 de Maio a Sul/Nascente e a Praça das Laranjeiras, a poente.

 

O espaço de entrada é organizado a partir da Praça da República, através de um muro que, curvando, limita e estabiliza as relações entre a praça, os edifícios a Sul e a rampa que agora se interpõe.

 

Esta área, exterior e coberta, corporiza e identifica a natureza do edifício, servindo a transição de escala, formalizando o acesso e estabelecendo uma ligação directa e de nível ao Átrio/Recepção, a partir do qual se acede a todos os espaços de serviço público do edifício.

 

Em dependência directa do Átrio/Recepção, onde se localiza o balcão de atendimento, organizam-se o Bar, a Sala Polivalente e a Sala de Exposições, que abrem, à vez, à praça e ao espaço público, permitindo autonomizar a sua exploração e maximizar a visibilidade destes espaços, que funcionam em complementaridade.

 

Por intermédio da escada principal, estabelece-se a ligação da cota de entrada com o piso elevado, através de um espaço duplo que antecipa a Sala de Leitura, lugar fundador de todo o programa. O espaço duplo permite relacionar os dois momentos, ampliando e intensificando a experiência do percurso.

 

À chegada ao piso superior, um vão abre sobre a varanda e olha a Praça e as copas das palmeiras, reposicionando o visitante e potenciando o reconhecimento do lugar.

 

A sala de leitura é, aqui, tomada como o âmago e a razão de ser de todo o conjunto. Da memória fixam-se exemplos notáveis de bibliotecas e de salas de leitura que constituem parte significativa da história do Homem.

 

A sala de leitura, desenhada de forma a permitir a utilização autónoma e diferenciada entre as secções de Adultos e de Crianças, a partir de um acesso comum e central, é entendida como um espaço único, procurando-se dessa forma a escala adequada, em resposta à proximidade de contacto com a Praça e à especificidade de usos que serve.

 

Esta sala é regrada a partir de uma métrica regular, sublinhada por um conjunto de lanternins translúcidos que controlam e estabilizam a luz emanada, propiciando a concentração e o estabelecimento de uma relação íntima com o livro.

 

As diferentes secções são servidas por um conjunto de salas de menor dimensão, periféricas e mais reservadas, em contraponto ao espaço central, destinadas a usos específicos, mais interiorizadas, ou mediando a relação com a varanda sobre a Praça e abrindo ao exterior.

 

A ampla varanda olha a Praça a partir de um plano elevado e permite a leitura no exterior, diversificando as possibilidades de uso, construíndo no seu limite Norte um espaço complementar, coberto e protegido, em articulação com a Secção de Crianças, sugerindo a possibilidade de leituras em grupo num ambiente exterior controlado.

 

O edifício organiza o conjunto de espaços públicos, em ambos os pisos, numa posição frontal com a praça, estabelecendo um limite claro com os espaços de funcionamento interno. Os espaços de serviço, que intermedeiam o contacto de fecho do quarteirão, organizam-se igualmente em dois pisos e dispõem de um circuito de acessos verticais próprio.

 

O estacionamento concentra-se no piso em cave. A rampa de acesso, partindo do ponto onde a Praça, a Nascente, encontra a Rua Teófilo Saguer, ajuda a estabelecer um limite com o edifício dos Bombeiros, filtrando a sua presença e minimizando o impacto que uma estrutura desta natureza provoca.

 

Imagens:

18:25 empreiteiros digitais, Luca Martinucci

 

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