Requalificação da Biblioteca Municipal do Porto, projeto de Eduardo Souto de Moura, preserva arquitetura setecentista do edifício

Categorias: Arquitetura

O edifício que, desde 1842, alberga a Biblioteca Pública Municipal do Porto está prestes a receber obras de requalificação que incluem a conservação do edificado existente, assim como a ampliação para responder a necessidades de depósito. A Câmara e o arquiteto que assina o projeto, Eduardo Souto de Moura, reforçam a missão de preservar a herança setecentista que serve de casa a um importante espólio bibliográfico da cidade.

Tal como apresentado, em junho de 2021, o projeto, que recebeu a aprovação de todo o Executivo municipal, não sofreu qualquer alteração, estando assegurada a manutenção inalterada – quer a nível da volumetria, quer a nível do desenho arquitetónico – de todas as fachadas do edifício, voltadas para as ruas do Morgado Mateus e D. João IV e para a Avenida Rodrigues Freitas.

“A conservação envolve a adequação e recuperação de todos os espaços existentes na sua adaptação à nova função, bem como a reposição de elementos arquitetónicos destruídos, numa clara definição do programa funcional das áreas de acesso ao público e dos serviços técnicos”, afirma o gabinete do arquiteto.

Com um investimento estimado de cerca de 20 milhões de euros, e para dar resposta à necessidade de reforço de áreas de depósito, a Biblioteca Pública Municipal vai receber, também, nova edificação. A ampliação, que vai triplicar a capacidade do espaço, decorre nos limites da parcela e propõe um prolongamento e “encerramento” com construção de frente urbana na Rua de Morgado Mateus e na Avenida de Rodrigues de Freitas.

Nesta última, acrescenta o gabinete de Souto de Moura, “os volumes formam gaveto, fazendo frente urbana para a Rua do Visconde Bóbeda, com um volume novo, que encerra uma cafetaria no piso 0 e de cércea aproximada ao edifício da Faculdade de Belas Artes”.

A Biblioteca Pública Municipal vai ganhar, ainda, um piso em cave que abrange o novo edificado e o interior da parcela, “traduzindo-se na rentabilização tanto da capacidade de armazenamento como numa maior fluidez nos percursos”.

Segundo a equipa do arquiteto, “a pretensão para as obras de ampliação baseia-se numa correta integração paisagística em que os volumes propostos respeitam as características principais da malha envolvente, privilegiando os alinhamentos da preexistência, com vista a salvaguardar e valorizar a qualidade urbanística do conjunto”.

Com a previsão das obras, a cargo da empresa municipal GO Porto, a decorrer durante três anos, o Município tem em funcionamento o Plano de medidas de reforço e modernização dos serviços das Bibliotecas Municipais e mitigação dos efeitos de encerramento temporário da Biblioteca Pública Municipal.

“Proximidade, identidade (portuense) e digitalização são as ideias-força deste pacote”, afirma o presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira.

Depois da primeira casa no Hospício dos Franciscanos, na Cordoaria, a Biblioteca Pública Municipal – na altura Real Biblioteca do Porto – foi, em 1842, definitivamente instalada no atual edifício, que remonta ao século XVIII e já havia sido o Convento de Santo António da Cidade.

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