Uncanny Places . Ganha 1ª Edição Emergentes DST

OBRA SURPREENDEU O JÚRI E DESTACOU-SE ENTRE MAIS DE 2 MIL IMAGENS, ORIUNDAS DE PORTUGAL, ESPANHA, GRÉCIA, ITÁLIA E FRANÇA

 

A série de fotografias “Uncanny Places”, da autoria do fotógrafo português Virgílio Ferreira, foi eleita, este sábado, por um conjunto de 20 críticos, como vencedora da 1ª edição do prémio de fotografia internacional “Emergentes DST”, cujo valor ascende a €7500.

 

Segundo o júri, nesta série, o autor recorre a uma exposição dupla para construir as suas imagens, o que lhe permite dotá-las de uma percepção visual com ironia e representar a hierarquia visual que atribuímos aos objectos, às pessoas e paisagens.

 

“É esta simultaneidade que permite ao autor dotar as fotografias, os paradoxos da vida urbana e as relações entre as pessoas de capacidade semântica, colocando protagonismo em elementos formais como o foco e a luz, que habitualmente não têm essa importância na leitura da imagem”, explica Alejandro Castellote, membro do júri e curador independente em Madrid.

 

“Uncanny Places” é um projecto que o autor tem vindo a desenvolver em algumas cidades da Europa, Estados Unidos, China e Rússia.

 

O segundo e terceiro lugares foram atribuídos às séries “In between”, de Stéphane C., e “Sterbebuch”, de Rui Vilela, respectivamente.

 

Nesta primeira edição, a organização recebeu mais de duas mil imagens das quais o júri pré-seleccionou os 70 autores que puderam concorrer a esta distinção.

 

Destes, cerca de metade são portugueses e os restantes provêm principalmente de Espanha, Grécia, Itália e França.

Recorde-se o “Emergentes DST” é um prémio de fotografia a nível internacional lançado este ano pelo Grupo DST, com o apoio dos Encontros da Imagem, festival de renome neste meio artístico.

 

NOTAS PARA O EDITOR

A série “Uncanny Places” explicada por Virgílio Ferreira

“Uncanny Places é um projecto que assenta na ambiguidade expressiva de certas imagens. No diálogo entre mim e o mundo exterior, como motor está presente um questionamento sobre a complexidade do mundo. E é a partir de pólos opostos, magia e lógica, racionalidade e irracionalidade que eu pretendo trabalhar. Considero que algumas destas imagens parecem estabelecer uma relação com uma espécie de arquivo obscuro das nossas memórias inconscientes.

 

Uncanny Places potencia distintas trajectórias que inter-relacionam acções práticas e simbólicas, que podem ter uma pluralidade de matrizes e de significantes, – espanto, medo, memória, ilusão, mito, fantasia – e que visualmente procuro criar.

 

É de uma forma aleatória mas intuitiva que, desprovido de bússola, percorro lugares aparentemente comuns. Esta deliberada desorientação a que me submeto potencia encontros com momentos de serendipidade.

 

Deste modo, num espaço muito curto de tempo efectua-se uma dupla exposição na mesma imagem, do mesmo acontecimento. Intencionalmente isto cria uma noção de continuidade entre o aqui e o ali, onde dois tempos se sobrepõem no mesmo lugar. A presença dessas duas camadas físicas e temporais na mesma imagem diluem-se em luzes diáfanas e atmosferas etéreas, este efeito contraria o habitual fluxo da percepção”.

 

 

Galeria
noticias RELACIONADOS
PUBLICIDADE