UNIVERSIDADES ESTUDAM ARQUITETURA RURAL TRANSFRONTEIRA NO DOURO INTERNACIONAL

UNIVERSIDADES ESTUDAM ARQUITETURA RURAL TRANSFRONTEIRA NO DOURO INTERNACIONAL

 

Uma equipa de peritos da área da arquitetura está a desenvolver um estudo «pioneiro» da morfologia e organização das construções rurais genuínas da região transfronteiriça do Douro Internacional.

 

 

«Este trabalho assenta no conhecimento da arquitetura rural dos dois lados da fronteira e ao mesmo tempo tenta perceber se a agricultura praticada na região gerou formas arquitetónicas diferentes em termos de escala e uso de materiais, relativos à qualidade de vida que cada comunidade procurava», disse à Lusa Manuel Diogo, coordenador do projeto.

 

O trabalho, que junta as faculdades de Arquitetura da Universidade Lusíada do Porto, Técnica de Lisboa e Escola Técnica Superior de Valladolid, vai caracterizar a arquitetura, os espaços privados e públicos daquela região e a importância dos vazios na organização dos próprios núcleos rurais.

 

Do lado português, a investigação desenvolve-se no território compreendido pelos concelhos de Vimioso, Miranda do Douro e Mogadouro, enquanto do lado espanhol o trabalho envolve toda a zona raiana da Província de Zamora, sobretudo a que enquadra o Parque Natural das Arribas do Douro.

 

«É importante que se invista na recuperação deste património para que aja uma alternativa a vida nas cidades e evitar o despovoamento do mundo rural», frisou.

 

O projeto foi aprovado e financiado em 75 mil euros pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia, tendo recebido a classificação de «excelente» pelo painel de avaliadores constituído por peritos internacionais provenientes de universidades americanas e gregas.

 

«Desde há muito tempo que é decisivo para Portugal desenvolver um trabalho que se direcione para um terreno que tem sido permanentemente ostracizado, como é caso do interior, e fazer com que os jovens regressem à terra », disse Manuel Diogo, que foi também secretário de Estado da Administração Interna no governo de Antonio Guterres.

 

«Há pessoas a recuperar casas nas aldeias, outras a vender, mas o importante seria criar condições para o regresso de população as zonas raianas do interior», acrescentou.

 

Manuel Diogo disse conhecer este património raiano evidenciando ainda a oportunidade deste projeto perante as ameaças de descaracterização provocadas pela «gradual desagregação e pela perda de identidade da imagem do mundo rural, marcando o desajustamento e as assimetrias da relação campo/cidade, e interior/ litoral».

 

Este projeto de investigação pretende agora fornecer informações importantes às próprias comunidades de fronteira e contribuir para o reforço do conhecimento científico que tem vindo a desenvolver-se sobre os ambientes patrimoniais na Europa, uma vez que o resultado a alcançar será de uma publicação obrigatória.

 

O trabalho de investigação tem a duração de três anos.

 

Fonte: Lusa

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