VII Bienal Iberoamericana de Arquitectura e Urbanismo

Categorias: Arquitetura

Selecção de Obras “Panorama IberoAmericano”

 

Relatório

O Delegado Nacional de Portugal solicitou à Ordem dos Arquitectos apoio estritamente logístico e administrativo na recepção dos trabalhos submetidos em qualquer das categorias admitidas.

Na categoria de obras de Arquitectura e Urbanismo foram recebidos 35 (trinta e cinco) trabalhos que foram ordenados pela data da sua recepção, documentados nos termos

regulamentares, a saber:

 

01 | MUDE Museu do Design e da Moda, Lisboa – Ricardo Carvalho + Joana VilhenaArquitectos

02 | Paço do Pombeiro, Felgueiras – César Moreira

03 | Tecer Relações – Paramentaria e vivências religiosas nos Açores, Ponta Delgada- Sérgio Fazendas e Rita Fazendas

04 | Centro sócio-cultural Laranjeiro, Almada – Pedro Mendes Arquitectos

05 | Casa da Cultura, Mira Sintra – Pedro Mendes Arquitectos

06 | Remodelação e ampliação do Centro Comunitário de Frielas, Loures – Bárbara Delgado e Nuno Carneiro

07 | Capela de Santa Ana, Santa Maria da Feira – António Joaquim Lima Teixeira e Nuno Pinheiro

08 | Projecto interiores ISCAD, Lisboa – Joana Mendonça e André Renga Ferreira

09 | La casa de Libro, Madrid – Olga Sanina e Marcelo Dantas Arquitectos

10 | Casa do Bom Jesus, Braga – Jean-Pierre Porcher, Margarida Oliveira e Albino de Freitas

11 | Casa no Alto da Ajuda – Extrastudio (João Costa Ribeiro e João Ferrão)

12 | Café de Bairro na Serra das Minas, Sintra – Extrastudio (João Costa Ribeiro e João Ferrão)

13 | Café/Delicatessen em Setúbal – Extrastudio (João Costa Ribeiro e João Ferrão)

14 | Edifício de Habitação Espaço Tejo, Lisboa – Entreplanos (João Góis Ferreira)

15 | Superfície Comercial MiniPreço, Vila Nova de Gaia – José Fernando Gonçalves

16 | Espaço Público do Cacém – Risco

17 | Habitação Felgueiras, Felgueiras – José Miguel O. F. Melo

18 | Arena Dragão Caixa, Porto – Risco

19 | Hospital da Luz, Lisboa – Risco

20 | Hotel Altis Belém, Lisboa – Risco

21 | Reconversão marginal Ponta Delgada – Risco

22 | Arquivo Municipal de Loures, Fernando Martins e João Manuel Santa Rita

23 | Casa FIVI, Vila Nova de Cerveira – Francisco Spratley

24 | Parque da Cidade e Complexo desportivo, Vila Nova de Gaia – Joaquim Massena

25 | Reformulação edifício escritórios SIBS – ALF 2, Alfragide – Nadir Bonaccorso

26 | Casa de Lousado, Famalicão – Graça Correia e Roberto Ragazzi

27 | Centro de Educação e Interpretação ambiental Corno de Bico, Paredes de Coura- Filipa Guerreiro e Tiago Correia

28 | Casa de Férias em Alpiarça – Gabriela Gonçalves e Leonel Lopes

29 | Casa Cork – Arquitectos Anónimos

30 | Casa Ffat – Arquitectos Anónimos

31 | Treehouse – Dass

32 | Escola de Cajados – Rui Alves e Teresa Rodeia

33 | Viagens El Corte Inglés – Rui Alves e Teresa Rodeia

34 | Estação Biológica do Garducho – Ventura Trindade Arquitectos (José Maria Trindade)

35 | Café + Estrutura de Sombreamento, Sacavém – ateliermob

 

A selecção do Delegado Nacional incidiu sobre estas obras e fundamenta-se nos seguintes princípios:

 

1 – Seleccionar as Obras onde, e de acordo com a apresentação do tema da VII BIAU, seja dada: “(…) uma oportunidade para reflectir sobre a maneira de habitar e transformar o território onde a diversidade de agentes e o intercâmbio de valores constituam a base de conhecimento para conseguir propostas urbanas que eliminem factores de exclusão.”

 

2 – Sendo 10 o número máximo de candidaturas a seleccionar – e de modo a abranger o número máximo de autores e de bordagens projectuais distintas – eleger um único trabalho por autor, caso estes tenham submetido duas ou mais candidaturas ao Prémio Obras.

 

3 – Valorizar as candidaturas que, para além de se relacionarem directamente com o tema da Bienal, se apresentem – no parecer do Delegado Nacional – como obras de excepção no panorama nacional e internacional; obras que se apresentem como “Projectos Tese” e onde se verifique uma metodologia que evidencie uma clara investigação disciplinar.

É de salientar que, do universo total das candidaturas submetidas, várias se inscrevem dentro dos princípios anteriormente enunciados. Cabendo ao Delegado Nacional a selecção de 10 (dez) candidaturas, a escolha recaiu sobre as seguintes obras, pela ordem da sua chegada:

 

01 Mude Museu do Design e da Moda, Ricardo Carvalho + Joana Vilhena Arquitectos

02 Centro Sócio-Cultural Laranjeiro, Pedro Mendes Arquitectos

03 La Casa de Libro, Olga Sanina e Marcelo Dantas Arquitectos

04 Casa no Alto da Ajuda, Extrastudio

05 Superfície Comercial MiniPreço, José Fernando Gonçalves

06 Espaço Público do Cacém, Risco

07 Arquivo Municipal de Loures, Fernando Martins e João Manuel Santa Rita

08 Casa Cork, Arquitectos Anónimos

09 Estação Biológica do Garducho, Ventura Trindade Arquitectos

10 Café+ Estrutura de Sombreamento, Sacavém, ateliemob

 

Sobre cada uma delas, segue um apontamento dos aspectos que considero mais notáveis:

 

01 Mude Museu do Design e da Moda, Ricardo Carvalho + Joana Vilhena Arquitecto

O Projecto do Museu do Design e da Moda na Baixa Pombalina em Lisboa é uma intervenção rigorosa na adaptação de um edifício/estrutura existente a um novo programa.

A estratégia definida permitiu a exposição de novos conteúdos com uma grande eficácia, não “camuflando” a degradação do espaço existente. A degradação em que se encontrava o edifício na altura da intervenção – causada por uma demolição parcial do seu interior – foi transformada num elemento valorizador e diferenciador do projecto, criando relações intensas com os novos conteúdos programáticos e com o público do novo museu.

 

02 Centro Sócio-Cultural Laranjeiro, Pedro Mendes Arquitectos

O Centro Sócio-Cultural do Laranjeiro propõe, através de uma intervenção clara no tecido existente, um edifício-interface que liga dois arruamentos a cotas distintas.

A estratégia delineada permite resolver, para além de questões topográficas, os diferentes acessos a partir da envolvente e promove uma relação franca do utente com o novo equipamento através de um percurso pedonal que atravessa e expõe o edifício à comunidade.

 

03 La Casa de Libro, Olga Sanina e Marcelo Dantas Arquitectos

O projecto para a Casa do Livro, da Feira do Livro de 2008 em Madrid, assume-se como um projecto declaradamente efémero, retirando deste pressuposto as qualidades próprias para uma intervenção desta natureza.

A partir de um princípio de projecto que relaciona o material que expõe ao material de construção do próprio edifício, desenvolve-se uma lógica que constrói um espaço contínuo e diáfano através de camadas sucessivas de telas brancas e suspensas, criando um pavilhão com uma luminosidade singular e múltiplas possibilidades de uso.

 

04 Casa no Alto da Ajuda, Extrastudio

No contexto de moradias unifamiliares, dos anos 40, do Bairro de Habitação Económica do Alto da Ajuda, Lisboa, o projecto de reconstrução de uma casa propõe novas possibilidades de habitar promovendo uma estreita relação entre os espaços interiores do edifício e os espaços exteriores do lote.

Através de uma estratégia que procura simultaneamente resolver as restrições impostas pelo regulamento e a implementação de um novo programa residencial, o projecto procura qualificar ao máximo as condições existentes, não deixando de estabelecer com o contexto urbano onde se insere uma relação franca e de cumplicidade.

 

05 Superfície Comercial MiniPreço, José Fernando Gonçalves

A possibilidade de gerar, a partir de um programa para uma superfície comercial, um edifício de grande qualidade construtiva, que subverta as lógicas normalmente utilizadas numa operação deste tipo, é a grande mais-valia desta intervenção.

A estratégia delineada promove relações de continuidade entre a envolvente dispersa e o novo edifício, criando plataformas de contacto entre o público e o privado, que estabelecem um novo espaço público e de uso comunitário. O edifício propõe-se no tecido urbano, como um “quase equipamento público”, definindo novas regras de ocupação do solo.

 

06 Espaço Público do Cacém, Risco

O Cacém, cidade na situada na periferia próxima de Lisboa, é caracterizado por um edificado construído a partir de ausência de planeamento, por um crescimento desordenado e casual e pela quase inexistência de espaços públicos qualificados.

O projecto do Espaço Público do Cacém, inserido no Plano de Pormenor da Área Central do Cacém, é uma intervenção que propõe criar centralidade num tecido urbano disperso e fragmentado. O projecto estabelece e promove a continuidade de diferentes sistemas, viários, pedonais e naturais, e a consolidação de um grande espaço público até aí inexistente.

 

07 Arquivo Municipal de Loures, Fernando Martins e João Manuel Santa Rita

O Arquivo Municipal de Loures é um conjunto de vários edifícios, que se complementam entre si. O projecto propõe a criação de um equipamento público, constituído por zonas livres e edificadas, numa área de charneira entre um tecido urbano desqualificado e uma extensa zona agrícola, futuro parque da cidade.

A estratégia define-se com a criação de uma praça/plataforma suspensa sobre a paisagem e o futuro Parque Urbano. Esta praça estabelece-se como o principal espaço público da área envolvente e articula as relações funcionais entre os vários edifícios, Biblioteca, Arquivo Municipal e parque de estacionamento.

 

08 Casa Cork, Arquitectos Anónimos

A Casa Cork explora a possibilidade de edificar uma moradia unifamiliar, no meio rural, com materiais de construção pouco usuais e com um orçamento de baixo custo. Esta experiência produz uma obra singular num contexto onde a rápida transição de uma cultura semi-rural para uma cultura semi-urbana originou, tal como a Casa Cork, construções de carácter híbrido.

Esta casa, com uma matriz tipológica de grande clareza e simplicidade, promove uma estreita interacção os espaços interiores e o terreno “quase natural”. A ausência de grandes artifícios produz um tipo experiência e de habitar, que pela sua essencialidade, nos remete directamente para o contexto rural no qual a casa foi construída.

 

09 Estação Biológica do Garducho, Ventura Trindade Arquitectos

Numa paisagem caracterizada pela forma quase essencial com que o homem interveio sobre o meio natural, este projecto procura através dos mesmos processos de construção de paisagem a criação de um novo equipamento. Este equipamento – Estação Biológica do Garducho – teria de se assumir, pelo próprio programa que alberga, como exemplar.

De modo a minimizar a ocupação do solo, preservando o terreno natural onde se implanta, o projecto toma como apoio três construções em ruína preexistentes, que passam a funcionar como suportes de um novo volume que se suspende sobre a paisagem.

O volume suspenso incorpora distintas funções do edifício e o terraço no seu topo permite, pela sua altura, uma leitura do território circundante até inexistente.

 

10 Café+ Estrutura de Sombreamento, Sacavém, ateliemob

Através de uma estratégia simples e eficaz, promove-se a transformação zonas de estacionamento viário situado entre blocos de habitação, em espaços públicos.

Numa superfície de pavimento em cubo de calcário, que se estabelece em continuidade com os pavimentos do tecido urbano envolvente, o projecto prevê a instalação de três volumes – um café, uma loja e uma superfície de sombreamento – dois quais dois foram construídos.

Estes dois volumes promovem um tipo de ocupação do espaço público, de carácter mais permanente, ajudando a consolidar a sua vocação como zonas de estadia. São, consequentemente, estas as obras que remeto para submissão ao Júri que irá definir o “Panorama Iberoamericano de Arquitectura e Urbanismo”.

 

Lisboa, 29 de Março de 2010

José Adrião

Delegado Nacional de Portugal

à VII BIAU

 

fonte: arquitectos.pt

Galeria
noticias RELACIONADOS
PUBLICIDADE

Registe a sua Empresa

Crie a sua conta gratuitamente e promova os produtos da sua empresa.

World Architecture Festival 2022

Take a ticket here »