Yvonne Farrell e Shelley McNamara recebem o Prémio Pritzker 2020

Categorias: Arquitetura

Foto © Alice Clancy

Este ano, a maior honra da arquitetura, o Prémio Pritzker, foi concedido às irlandesas Yvonne Farrell e Shelley McNamara, da Grafton Architects. As laureadas de 2020, que são educadoras e arquitetas, reconhecidas pelas suas abordagens poderosas, porém delicadas. As suas intervenções contextuais e modernas são muito atentas à história, demonstrando altos níveis de sensibilidade e habilidade.

Em pouco mais de 40 anos, a dupla concluiu vários projetos que ajudaram a melhorar as cidades e responder às necessidades locais na Irlanda, Reino Unido, França, Itália e Peru. Farrell e McNamara, são as duas primeiras irlandesas a receberem o Prémio Pritzker, além de serem as 47ª e 48ª laureadas pela premiação.

A dupla por trás da Bienal de Veneza de 2018, que descreve a arquitetura “como uma das atividades culturais mais complexas e importantes do planeta”, reuniu-se na Escola de Arquitetura da University College Dublin (UCD). Ao se formarem, Farrell e McNamara tiveram a oportunidade de ensinar. De fato, elas sempre consideraram essa parte da profissão como uma “realidade paralela […] e uma maneira de destilar [sua] experiência e presenteá-la para outras gerações futuras”. Elas foram palestrantes em muitas instituições ao redor do mundo, incluindo a École Polytechnique Federal de Lausanne e a Academia di Architettura di Mendrisio.

Em 1978, a dupla fundou a Grafton Architects, que leva o nome da rua do escritório original. As arquitetas e sua equipe possuem um extenso portfólio com importantes projetos culturais e acadêmicos, como o Urban Institute of Ireland, University College Dublin (Dublin, Irlanda 2002); Solstice Arts Center (Navan, Irlanda 2007); Escola Comunitária de Loreto (Milford, Irlanda 2006); e a Faculdade de Medicina da Universidade de Limerick (Limerick, Irlanda 2012).

Iniciando seu despertar arquitetónico nos primeiros anos da infância, McNamara relembra sua primeira descoberta, uma casa do século XVIII na rua principal da cidade de Limerick, onde espaço e luz despertaram seus sentidos. Farell, por outro lado, ficou fascinada por sua cidade natal, Tullamore, Co.Offaly, especialmente por sua paisagem natural, onde se sentia “próxima da natureza”.

Longe de seus projetos no país natal, a primeira encomenda internacional, a Universita Luigi Bocconi (Milão, Itália 2008), foi premiada como o Edifício Mundial do Ano no Festival Mundial de Arquitetura, em seu ano de estreia em 2008, em Barcelona. Mais tarde, em 2015, o desafiante Campus Universitário UTEC Lima (Lima, Peru 2015) recebeu o Prémio Internacional do RIBA 2016 pelo Instituto Real de Arquitetos Britânicos (RIBA, na sigla em inglês).

Em diálogo com o entorno, as arquitetas explicam que estão em constante busca por “uma arquitetura que lide com sobreposições que intensifique seu relacionamento entre si”. De fato, sua Université Toulouse 1 Capitole, School of Economics (Toulouse, França 2019), recentemente concluída, é uma reinterpretação metafórica de uma cidade cheia de pontes, muros, calçadas e torres de pedra.

Contrapartes iguais, como o Pritzker anunciou, o trabalho de Yvonne Farrell e Shelley McNamara sempre girou em torno dos seres humanos. Na verdade, o senso de escala e proporção as ajudou a gerar espaços íntimos em ambientes relativamente severos. Na mesma nota, McNamara afirma que “a arquitetura é uma estrutura para a vida humana. Ela nos ancora e nos conecta ao mundo de uma maneira que possivelmente nenhuma outra disciplina de construção de espaço possa fazer”.

Membras do Instituto Real de Arquitetos da Irlanda e Membras Honorárias Internacionais do RIBA, Farrell e McNamara já haviam ocupado a cadeira Kenzo Tange na Harvard Graduate School of Design (2010) e a cadeira Louis Kahn na Universidade de Yale (2011). Vencedoras do Prémio Leão de Prata da Bienal de Veneza de 2012, para a exposição “Arquitetura como nova geografia”, as arquitetas foram nomeadas em 2018 como co-curadoras da 16ª Exposição Internacional de Arquitetura com o tema FREESPACE. Em 2019, elas receberam a RIAI James Gandon Medal por Lifetime Achievement in Architecture pela RIAI e a Medalha de Ouro do RIBA em 2020.

Finalmente, em relação ao trabalho em andamento, seus projetos incluem o Marshall Building na Escola de Economia e Ciência Política de Londres e a Oxford Street Department Store, ambas em Londres. Suas intervenções em Dublin compreendem o Bairro Cultural Parnell Square, Biblioteca Municipal; o Escritório Central do Conselho de Fornecimento de Eletricidade; o Vicar St Hotel; o Booterstown Recreational Building, o Interpretive Center e o Coastal Meadow e a Dublin 7 Educate Together School.

 

Citação do Júri

Yvonne Farrell e Shelley McNamara exercem arquitetura juntas há quarenta anos de uma maneira que reflete claramente os objetivos do Prémio Pritzker: reconhecer a arte da arquitetura e o serviço consistente à humanidade, como evidenciado por um conjunto de obras construídas.

Co-fundando sua prática profissional, chamada Grafton Architects, em Dublin, Irlanda, em 1978, elas buscaram de maneira consistente e sem hesitar a mais alta qualidade da arquitetura para o local específico no qual deveria ser construída, as funções que abrigaria e, especialmente, para as pessoas que habitariam e usariam seus edifícios e espaços. Elas têm um conjunto de obras que inclui numerosos edifícios educacionais, moradias e instituições culturais e cívicas. Pioneiras em um campo que tradicionalmente tem sido e ainda é uma profissão dominada por homens, elas também são faróis para outras à medida que forjam um caminho profissional exemplar.

Muitos de seus edifícios estão localizados em seu país natal, a Irlanda, mas, por meio de concursos, conquistaram importantes projetos em outros lugares do mundo, como Itália, França e Peru. Com uma profunda compreensão do lugar adquirido através de suas pesquisas, aguçados poderes de observação, explorações abertas, sempre curiosas e com profundo respeito à cultura e ao contexto, Farrell e McNamara são capazes de fazer com que seus edifícios respondam a um cenário e uma cidade da maneira mais apropriada, enquanto continuam atuais e modernas. Esse profundo entendimento do “espírito do lugar” significa que seus trabalhos melhoram a comunidade local. Seus edifícios são “bons vizinhos”, que buscam contribuir além dos próprios limites e fazer a cidade funcionar melhor. O North King Street Housing em Dublin (2000) é um exemplo disso: cria um pátio interno e um descanso bem-vindo das ruas movimentadas adjacentes.

Sua abordagem à arquitetura é sempre honesta, revelando uma compreensão dos processos de projeto e construção, desde estruturas de grande escala até os mínimos detalhes. É frequentemente nesses detalhes, especialmente em edifícios com orçamentos modestos, onde um grande impacto pode ser sentido. Por exemplo, o Urban Institute of Ireland (Dublin, 2002) emprega o que as arquitetas chamam de “pele trabalhada” para criar um edifício visualmente interessante por meio de alterações nos materiais que respondem a aberturas, dobras, necessidades de sombra e outras preocupações. Ao mesmo tempo, emprega bom senso, metodologias de controle ambiental para um edifício eficiente e sustentável. Em um local particularmente sensível em Dublin, os magistrais Escritórios do Departamento de Finanças (2009) atestam seu conhecimento e cuidado na seleção de materiais e técnicas de construção com uma grade e portão de bronze cuidadosamente feitos à mão e pedra calcária lixada nas fachadas.

As arquitetas são hábeis e bem-sucedidas trabalhando em diversas escalas – desde grandes edifícios institucionais até uma casa de pouco mais de 100 metros quadrados. Sem gestos grandiosos ou frívolos, elas conseguiram criar edifícios que são presenças institucionais monumentais, quando apropriado, mas, mesmo assim, são divididos em zonas e detalhados de maneira a produzir espaços mais íntimos que criam uma comunidade interior. Em seus grandes edifícios, como o Campus Universitário UTEC (2015) em Lima, Peru ou a Escola de Economia (2008) da Universita Luigi Bocconi, elas alcançaram uma escala humana através da composição de espaços e volumes de diferentes tamanhos. Os diálogos que elas criam entre edifícios e arredores demonstram uma nova apreciação de suas obras e local.

Uma constante em sua prática, as arquitetas entendem como projetar seções complexas de edifícios de modo que as vistas conectam espaços interiores profundos com o domínio exterior e permitem que a luz natural penetre e anime espaços no interior de um edifício. Muitas vezes, a luz sai de claraboias ou janelas do andar superior e atravessam todo o interior de suas obras, proporcionando calor e interesse visual, ajudando os habitantes a se orientarem facilmente nos espaços e fornecendo a conexão sempre necessária ao exterior.

Por sua integridade na abordagem de ambos os edifícios, bem como a maneira como conduzem sua prática, sua crença na colaboração, sua generosidade com os colegas, especialmente como evidenciado em eventos como a Bienal de Veneza 2018, seu compromisso incessante com a excelência em arquitetura, atitude responsável em relação ao meio ambiente, capacidade de serem cosmopolitas e abraçar a singularidade de cada local em que trabalham, por todas essas razões e mais, Yvonne Farrell e Shelley McNamara recebem o Prémio Pritzker de Arquitetura 2020.

©Archdaily

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