Casa 15

Casa 15 – Quando conhecemos pela primeira vez um cliente, começamos a viajar pela primeira vez pelos espaços que ainda não foram construidos. Antes mesmo dele perceber quais são os objetivos do projeto, os diferentes espaços começam a tomar forma, por vezes através de uma palavra, outras pela sensação de toque de um material, e outras ainda pelas sensações provocadas pela luz. Cada projeto é uma relação única entre intenções e desejos traduzidos no que é expectável ser o conforto, o prazer, e a sensação de descanso para os habitantes da casa.

Para os clients, todos aqueles que frequentem a casa, devem estar visíveis e integrados na “família”, não obstante estarem a cozinhar, a ler, ou a trabalhar. Por outro lado, também queriam sentir-se confortáveis à noite, sem ser perturbados por sombras ou movimentos exteriores. Assim, a divisão normal e tradicional entre partes sociais e privadas tornou-se ainda mais clara, por consequência destes princípios.

Esta foi a narrativa que iniciou o percurso mental que conecta todos os espaços interiores. Quando chegam à porta, os convidados ainda não antecipam os espaços que vão encontrar, pois os volumes não permitem olhar para o interior. A porta abre-se para um corredor cinza, ligeiramente escurecido para convidar à exploração da luz, criando assim uma expectativa sobre o que vai ser visto de seguida. Os primeiros raios de luz natural são um convite para a sala. Os próximos passos revelam um teto alto, que conecta o piso superior através de escadas suspensas que utilizam a mesma madeira encontrada no exterior da casa e em toda a atmosfera social e de trabalho.

O fluir das pessoas pelos espaços, tanto vertical como horizontalmente, é interligado por meio deste espaço central, onde o teto de madeira se converte no chão do nível superior. Este jogo de continuidade e transição, permite a dispersão da luz natural pelos planos horizontais, tanto no chão como no teto, resultando num graduação de tonalidades entre espaços sociais e de lazer, e espaços de descanso.

Desde muito cedo se acreditou que o contraste entre cinzento e materiais escuros, com a reflexão da luz em superfícies de madeira, seria o melhor modo de marcar o decorrer do tempo. O primeiro momento do dia – o pequeno almoço – é a altura em que a luz natural toca no chão da cozinha e no seu balcão de madeira. O segundo momento aponta a luz para a mesa de jantar, onde o interior e exterior podem ser ligados num espaço extensível semi-exterior. Aqui, tanto o material do teto como o do chão trabalham para diluir as fronteiras dos espaços interiores e exteriores em dias mais quentes. Após este momento, o sol começa a ficar mais baixo, até que incide no armário de madeira da biblioteca, transparecendo um sentimento quente e de conforto, convidando à transição entre o escritório e a sala de estar. O sinal do fim do ciclo do dia é dado pela incidência do último raio de luz natural sobre as superfícies deste espaço.

Durante o dia podemos ver a luz natural a ser refletida e a guiar os habitantes para as zonas mais confortáveis da casa, enquanto que à noite a luz artificial, pela sua localização estratégica, a função de propagar e prolongar a sensação de térmica da luz. A confiança e segurança que a cliente pretendia, é assegurada pelo reflexo da luz sobre a madeira, o que torna este piso numa caixa de luz que convida à exploração, mesmo dos espaços exteriores.

Quando a família começa a transição das zonas sociais para as privadas, o principal objetivo passa por fazer a transição suave entre o espaço contínuo, como é este primeiro piso com a luz a fluir continuamente durante o dia, para um espaço mais tranquilo onde os habitantes descansam. Para isso, as paredes e portas do corredor tem um acabamento de escuro heterogéneo, que apenas é interrompido por uma janela e porta que deixam a luz entrar. Os quartos na fachada poente são mais quentes, pois receberam as últimas horas do sol, intensificadas pela sensação quente da madeira. Existe também um continuidade do chão expandido até uma varanda, que se encontra protegida por um ripado de madeira, filtrando a vista de fora enquanto permite que os habitantes vejam o exterior.

O quarto principal tem uma conexão direta ao jardim de inverno vertical, que reflete a luz de baixo para o piso de cima e vice-versa. A luminosidade da lua vai entrando pelo vidro e invadindo e iluminado o quarto. Uma janela maior foi colocada no canto, criando um momento particularmente interessante quando os raios de luz natural se tornam praticamente paralelos ao chão e teto, mudando o tom da parede de cinzento para praticamente branco, marcando a diluição das fronteiras físicas quer pelo vidro quer pela intensificação do reflexo da luz natural.

Este jogo entre superfícies mais escuras e aberturas mais pequenas tornam o piso superior silencioso e seguro, sem nunca criar uma sensação de confinamento. Mesmo durante momentos mais relaxantes, os proprietários podem-se conectar com o exterior como assim entenderem, caminhando até à varanda exterior para apreciarem o calor transmitido pela madeira, ou deixando a luz da luz inundar os o interior passando através da abertura vertical no quarto principal.

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FICHA TÉCNICA

Projeto

Casa 15 🔗

 

Localização

Braga – Portugal

 

Arquitetura

AM-arqstudio 🔗

 

Arquiteto responsável

André Malheiro

Construtora

RespirarArte

 

Engenharia

Eduarda Oliveira

 

Decoração de interiores

AM-arqstudio

Fotografias
Ivo Tavares Studio🔗

 

Área total construída (m2)

350m2

 

Ano de conclusão da obra

2021

FOTOGRAFADO POR
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