Casa do Mira Douro

Casa do Mira Douro – A primeira visita ao terreno revelou-se uma surpresa. O percurso algo atribulado que se faz, parcialmente, em terra batida encaminha-nos a um espaço de pronunciado declive, onde, pelo meio das árvores autóctones, somos bafejados, ao fundo, pela vista do Rio Douro e do encontro do seu afluente, o Rio Sousa. Aqui todo o espaço fez sentido e de imediato a elevação da casa é uma obrigação, permitindo uma maior abrangência visual de todo o anfiteatro natural em frente. De repente, o percurso é esquecido e a prioridade da vida familiar passa a ser a ampla vista e a privilegiada relação com a natureza.

O contágio da envolvente dita a forma depurada de um challet de montanha e a materialidade do conjunto, pautando-se pela continuidade, aplicando o betão aparente tosco como abstração do granito da zona, que percorre todo o perímetro do edifício, e a forra em painéis de madeira que caracteriza a envolvente vegetal, fazendo fluir uma romantização do sítio e um agradável conforto visual.

A morfologia do terreno acaba por resultar na sua verdade, sofrendo uma mínima intervenção e mantendo a maioria da massa arbórea existente, reservando naturalmente um conjunto de espaços funcionais e de lazer, protegidos pelo vão do bloco social da habitação, pousado apenas nas suas extremidades.

A solução do programa habitacional, cerne da vida familiar, surgiu de forma cúmplice, privando a habitação do caminho de acesso e do contágio com os, ainda poucos, vizinhos, e dando prioridade a uma promenade e amplitude que se difunde por todo o espaço interior relacionando-o intimamente com o exterior. A gestão da geometria solar foi uma evidente preocupação, fazendo resolver o volume em conjuntos opostos, separando as zonas sociais das privadas.

O percurso pedonal de entrada conduz a uma porta principal, que ao abrir revela o impacto de um espaço social que, ao ser percorrido, vai ganhando dimensionamento com a inclinação da cobertura, terminando com uma generosa fenestração e varanda para contemplação da vista. Neste momento de pé direito duplo, é incorporado um pequeno mezanino com a função de escritório, focado na amplitude do vale do Rio Douro, e promovendo assim um descontraído momento de trabalho, sem nunca perder relação com o espaço social, núcleo do uso contínuo da família.

No volume oposto, desenvolve-se a zona privada, que recebe a função de dois quartos e uma suite, também ela virada para a paisagem, tanto na zona de descanso, como na fachada em vidro da generosa instalação sanitária privada.

Esta habitação, imbuída no espírito deste específico jovem casal, pretende que se torne um lar de crescimento mútuo e aprendizagem e, cremos assim, ter contribuído em parte para que, do ponto de vista da arquitetura, isso seja fomentado. A nossa pretensão como arquitetos apenas deve tentar ser um ponto de partida que seja identidade do habitante e permita apropriação familiar, evitando mecanizações e obrigatoriedades programadas. Desta forma, acreditamos, surgirá um lar feliz.

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Gondomar, Portugal
Arquitetura
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