Casa na Praia Grande

Situada em Sintra, a Casa na Praia Grande está inserida no Parque nacional de Sintra-Cascais, num lote marcado pela presença abundante de pinheiros e pela vista para a Serra de Sintra.

O projeto parte da vontade de construir o espaço (da casa) a partir do vazio deixado entre pinheiros, estratégia que se sustenta na ideia de fusão/aliança entre o edificado e o espaço natural. O ponto de partida – o conjunto de pinheiros existentes – originou uma composição volumétrica de distintos volumes aos quais correspondem os diferentes usos. A sua disposição no terreno atende à orientação solar, à topografia assim como à posição das árvores a manter estabelecendo, paralelamente, relações visuais com a Serra de Sintra situada a nascente.

Os volumes organizam-se estrategicamente (ainda) em torno de uma clareira central, (de acordo com os vazios existentes entre os pinheiros), que recebe o plano de água e é marcado por ela, assim originando um espaço de natureza agregadora e potenciadora da vivência da família no exterior para onde convergem as coberturas inclinadas dos diferentes volumes que compõem a casa. A necessidade de libertar/soltar os volumes do chão – dada a consistência porosa e permeável do terreno – veio contribuir, complementarmente, para a leitura orgânica do conjunto edificado, cuja suspensão dos corpos é reforçada pela densa vegetação de sombra que se desenvolve sob os mesmos. Do ponto de vista paisagístico o desafio concentrou-se então na manutenção do pinhal existente tendo em vista a sua valorização enquanto conjunto que articula jardim utilizável e cenário para o interior da casa.

Do ponto de vista programático, a casa dispõe de uma área de estacionamento, uma zona de serviços onde se localizam a lavandaria, despensas, cozinha e instalação sanitária social, uma área social que compreende num espaço único – a sala de estar, espaço de refeições e sala de piano – e, finalmente, três quartos, um deles de uso flexível (escritório), à parte das áreas técnicas que se localizam sob a sala aproveitando o desnível do terreno.

A casa deveria incorporar materiais que assegurarem um aspeto cru e em bruto alinhados com a organicidade do projeto sem deixar, porém, de se distinguir como uma massa construída em diálogo com o contexto. Os volumes são revestidos exteriormente por chapas metálicas caneladas com cortiça projetada, cuja textura, molde e tonalidade proporcionam uma aparência natural e irregular (alinhada com a presença dos pinheiros), facilitando o escoamento das águas na direção do solo e cuja composição assegura um bom isolamento acústico. Em torno da clareira abrem-se planos de vidro a partir dos quais é estabelecido o contacto visual com o exterior.

Sobre as superfícies envidraçadas que conformam as passarelas de distribuição, vão sendo colocadas contínuas portadas em ripas de madeira, as quais propiciam uma temperatura cálida e uma atmosfera de conforto, visível desde o interior, filtrando paralelamente a intensa exposição solar a sul. Também no interior é introduzida a madeira, presente nos vãos e nos tetos dos espaços. Na grande sala – espaço primordial da casa –, é exponenciada a sua presença pela criação de um teto composto por caixotões que, além de garantirem a qualidade acústica do espaço, promovem um ambiente particular. Todos os pavimentos e paredes interiores são acabados em microcimento de cor cinza clara, cuja luminosidade e simplicidade – textura abstrata, sem padrão – contrastam com a exuberância patente no exterior, permitindo acolher as peças de coleção da família.

A construção da casa adotou ainda um conjunto de princípios ecológicos na sua construção tais como: Redução do consumo de recursos por via do sistema construtivo adotado, que contempla uma estrutura integral em madeira sustentável montada in situ; um sistema de fachada ventilada que beneficia de uma primeira pele acabada com cortiça projetada (potenciando simultaneamente as vertentes de estética, durabilidade e conforto térmico); utilização exaustiva de materiais naturais, como o cânhamo e a cortiça, em todos os níveis da construção; reduzida utilização de energia garantida através da exploração de sistemas passivos e de sistemas de ventilação descentralizada com recuperação de calor, possibilitando máximo conforto sem recurso a Ar Condicionado ou outros sistemas de maior consumo e desgaste; seleção de materiais não tóxicos, não contaminantes ou suscetíveis de libertação de químicos (seja no processo de aplicação em obra ou no decurso da vida útil do material), que inclui opções sobre tintas naturais; ausência de vernizes tóxicos; prevalência sobre opções obtidas em processo ecológico e sustentável; princípio da durabilidade e da baixa manutenção, privilegiando soluções em que Arquitetura e Construção funcionam em simbiose e garantem a longevidade e qualidade das soluções.

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FICHA TÉCNICA

Projeto

Casa na Praia Grande

 

Localização

Colares, Sintra, Portugal

 

Arquitetura

Atelier Data

 

Equipa

Filipe Rodrigues, Inês Vicente, Marta Frazão, António Faria, Filipa Neiva, Paulo Jorge Dias, Rafael Gomes

 

Arquitetura Paisagista
Polen
Especialidades
Green Heritage

 

Fotografias

Richard John Seymour

 

Área 
428 m²

 

Ano
2017

Galeria
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