Centro Avançado de Formação Pós-Graduada

O conjunto de edifícios onde a Câmara de Guimarães agora construiu o Centro Avançado de Formação Pós-Graduada para a Universidade do Minho, situa-se na Zona de Couros, e relaciona-se com a restante área de Couros pelo conjunto de pequenas ruelas e caminhos que, acompanhando o Ribeiro, constituem a estrutura viária da zona.

 

A imagem da Zona de Couros é marcada por edifícios abandonados ou transformados mas também de memórias, às vezes imaginárias e subjectivas, que os habitantes da cidade foram elaborando a partir dos fragmentos que chegaram até hoje. Desses fragmentos importa reter os tanques de tratamento dos couros que existem um pouco por toda a área, as construções e as estruturas em madeira e naturalmente o Ribeiro de Couros que foi a razão de ser da instalação desta actividade (o tratamento de couros) nesta Zona.

 

Importou desde logo ao projecto a localização do edifício na Zona de Couros, que sabendo-se adjacente do núcleo muralhado do centro histórico de Guimarães, sofreu relativamente ao restante tecido urbano alguma segregação, mas sedimentou um conjunto rico e autónomo de soluções edilícias e construtivas traduzidas em edifícios industriais que no seu conjunto tem inegável interesse arquitectónico, e que desde logo forneceram alguns temas para reflexão e desenvolvimento.

 

Os edifícios e o programa que deveriam acolher colocaram um dilema na elaboração do projecto porque nos pôs, primeiro, perante a realidade de um edifício muito descaracterizado e pouco aliciante, e logo depois, perante a expectativa existente na sua recuperação e reabilitação. À pergunta sobre qual seria a atitude adequada face às expectativas de recuperação do edificado respondeu-se com uma proposta de grande flexibilidade nas opções do projecto. Ao contrário de uma intervenção rígida de abordagem e concretização, apostou-se em respostas pragmáticas e circunstanciadas para cada uma das equações e problemas que o projecto enfrentou. Face ao desconhecimento de uma realidade (o edifício original) tudo teria que passar pela sua reinvenção usando imagens esquemáticas e portanto depuradas dos seus conteúdos concretos.

Assim, e genericamente, no projecto propôs-se a demolição de todas as áreas onde se adivinharam a substituição das soluções construtivas originais por paredes em tijolo e a demolição integral das estruturas existentes em betão armado. Paradoxalmente propõe também como principio fundamental a manutenção da volumetria entendida como repositório essencial da memória do edificado existente.

Este será o paradoxo do projecto, a reinvenção do edifício mantendo inalterada a sua volumetria, usando para sua definição exterior aquilo que é caracterizador da zona de Couros, os revestimentos em madeira e em granito, ou ainda o recurso a sistemas de construção ligeira para a definição das envolventes quando propõe o acabamento em cobre de uma parte significativa do edificado. Simultaneamente propõe-se a reconstrução integral dos interiores com recurso a materiais e linguagens contemporâneas com o intuito de acomodar e responder às exigências de conforto impostas pelos regulamentos vigentes.

 

O projecto de arranjos exteriores foi limitado ao pequeno pátio interior formado pelos edifícios objecto de intervenção e propôs para além do dominante lajeado em granito que marca percurso e acessos, a introdução pontual de pequenas áreas verdes e de um paver em tijolo maciço que assegurasse a intimidade destes espaços num desenho mínimo que reforçasse a presença da chaminé industrial em tijolo.

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FICHA TÉCNICA

PROJECTO/PROJECT
CENTRO AVANÇADO DE FORMAÇÃO PÓS-GRADUADO

LOCALIZAÇÃO

GUIMARÃES

DATA DO PROJECTO
2009

DATA DE CONCLUSÃO DA OBRA
2013

COLABORAÇÃO
Marlene Sousa, Arq.
Mariana Paiva, Arq.
Carla Guimarães, Arq.
Francisco Oliveira, Des.
Hélio Pinto, Des.

MODELAÇÃO 3D

João Andias Carvalho, Arq.

FOTOGRAFIA
JOSÉ CAMPOS PHOTOGRAPHY

FOTOGRAFADO POR
Galeria
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