Confeitaria em Gondomar

Categorias: Restauração

Antes de iniciar o projeto visitamos e analisamos espaços similares na intenção de encontrar erros que estivessem a ser cometidos e que pudessem ser corrigidos. Apercebemo-nos que um erro básico se prendia ao facto de a maioria destes espaços estarem a ser desenhados apenas com uma área. Ou seja, independentemente do individuo se deslocar ao local sozinho ou com várias pessoas, de necessitar de se resguardar mais para ler um documento ou sentir a vontade de socializar com o restante público as características espaciais eram sempre as mesmas. Esta postura criativa ignora as variações de humor que sentimos durante o dia e mina o potencial comercial do espaço. 

Assim para corrigir esta falha, criamos três ambientes com graus de exposição distintos para que o cliente pudesse escolher o espaço que melhor se relacionasse com o seu estado de espirito, em vez de o obrigar a adaptar-se a um único ambiente que se poderia tornar impositivo. Desta forma ampliamos em três vezes o potencial comercial do espaço. 

Mas um cliente só o é realmente depois de entrar no espaço. Como o podemos atrair?

Numa época consumida pelo estilo de vida metropolitano, todos os dias lidamos com milhões de inputs, desde sinais de trânsito, a publicidade, a carros, a pessoas etc. A forma que o cérebro arranjou para lidar com esse excesso de informação foi enviar maior parte dela para o inconsciente, libertando o consciente de informação excessiva. Consoante nos deslocamos pela cidade o cérebro vai captando a informação envolvente e cria um género de cenário, que baseado num sistema de predictabilidade é construído pelo inconsciente, libertando a mente consciente para todas as novas variáveis que vai experienciando fora desse cenário. Esta estratégia parte de um sistema de sobrevivência herdado dos tempos da savana para que se por exemplo, um predador se movesse no meio das árvores pudéssemos, sem ter de captar de forma consciente toda a restante informação envolvente, aperceber-nos do movimento do mesmo e reagir de forma garantir a sobrevivência.

Ligando a esta linha de pensamento o facto conhecido de que 70% desses inputs são visuais e de que o homem como a maior parte dos animais se sente naturalmente atraído pela luz, compreendemos que deveríamos criar um input que se fizesse distinguir do restante cenário da cidade para que se ativasse a perceção consciente. Para isso utilizamos a luz como principal fonte de atração.
Estudamos a aproximação do observador ao espaço e compreendemos que o plano visualmente mais relevante desde o exterior era o teto, por isso focamo-nos nele.

Nos nossos estudos compreendemos também que tanto a iluminação, pela utilização de luzes diretas que tende a aquecer o ambiente e a criar cantos ensombrados transformando-os quase sempre em locais pouco convidativos, como os problemas de barulho excessivo principalmente resultante do efeito de reverberação não estavam a ser devidamente resolvidos.
Para resolver estes dois problemas sabíamos que tínhamos de quebrar as ondas sonoras e refractar a luz. E assim fizemos, através da criação de um segundo teto que resulta da repetição de ripas de madeira, encontramos um sistema que resolve os dois problemas de uma vez só.

Nas nossas pesquisas tomamos conhecimento de estudos que provam que a presença de cores e formas que se assemelhem com comida aumentam a sensação de fome no utilizador. Assim, para conseguir esse input, fizemos uma recolha dos vinte produtos mais procurados no pão quente, e com base num padrão de identificação global chegamos a um tom intermédio que aplicamos nas paredes. Em termos formais fizemos o teto “derreter” em algumas zonas para que este se assemelhasse à cobertura de um bolo.
Também propusemos um novo logotipo ao cliente, e desenhamos um espaço parcialmente baseado nele. As ripas de madeira descendem por duas das paredes criando um efeito que dialoga diretamente com o consumidor. Quando o individuo se desloca pelo espaço este deixa perceber algumas formas escondidas por trás das paredes ripadas. Essas formas são o resultado de uma abstração do logotipo proposto. A intenção é a de reforçar inconscientemente a imagem da empresa no consumidor.

Gostamos de pensar as nossas intervenções como manipulações positivas do cérebro humano. Assim focamo-nos em transmitir inputs positivos aos cinco sentidos (sempre que possível) para podermos alterar o nível homeostático das pessoas, o que inevitavelmente as fará mais felizes.

TAGS
FICHA TÉCNICA

Office
Paulo Merlini arquitectura


Type
Commission


Client

Gondodoce


Collaborators

André Santos Silva


Area

460 m2

Location
Gondomar, Porto


Architect in charge

Paulo Merlini


Year of construction

2013


Photographs

João Morgado


Motion Graphic Credits

João Merlini and Pedro Davis

FOTOGRAFADO POR
Galeria
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