Moradia Vale Ferro

Moradia Vale Ferro | Humberto Conde

Propõe-se uma casa que viva da dualidade entre o meio externo e interno, num paradoxo da qual fica ainda mais evidente as inter-relações da Bio e Noosfera: uma casa no campo, um campo em casa. Como exemplo fundamental, temos uma Zona de Estar e de Refeições cujos limites se perdem no horizonte visual.

A casa embora possua uma linguagem e materialidade contemporânea, possui uma forte relação com a arquitetura algarvia, da qual a cor branca, os vãos de dimensões controladas e o usufruto da cobertura plana, leva o habitante a uma vivência plena do objeto construído, sem abdicar da qualidade de cada um dos espaços.

A rematar a casa e a piscina, estará um longo muro trabalhado com pedra local, que irá protegê-la na sua vertente norte. Este muro será acompanhado em toda a sua extensão por um esbelto corredor de água que termina na piscina, da qual uma bica verterá água de uma altura suficiente para que o som provocado não se torne um incómodo, mas sim, um elemento potencializador da qualidade de vida de todo o ambiente.

O programa de toda a habitação desenvolve-se unicamente ao nível do piso 0, suportados por uma malha estrutural organizada de modo a que a sua execução seja toda igual e sequenciada. Os paramentos verticais e horizontais, por sua vez, funcionarão como uma pele que trará coesão a todo o conjunto. O resultado final será de uma casa bastante horizontal, leve em todos os aspetos e sobretudo serena.

De modo sistemático, o Piso 0 encontra-se resguardado por dois planos horizontais que funcionam simultaneamente como pavimento e cobertura, criando zonas de sombreamento contínuas, indispensáveis numa região fustigada pelas altas temperaturas registadas no verão. O acesso à casa é feito através de uma escadaria monumental, de onde se prolonga uma rampa suave, que no somar das duas, resulta numa peça funcional, escultórica e delicada.

A entrada é servida por uma porta pivotante que se estende do chão ao teto, de modo a que quando esteja encerrada, a visão que se tenha seja a de um plano contínuo que reforça ainda mais a horizontalidade da casa.

Do lado de dentro, os espaços organizam-se perpendicularmente ao eixo principal do conjunto edificado, ideia esta reforçada pela presença do corredor e da caixa de escadas: à esquerda, estão as áreas íntimas, com 3 suítes (das quais, duas são regulamentares e com dimensões suficientes para receberem Utentes de Mobilidade Condicionada) e uma Instalação Sanitária social; à direita, uma Cozinha encerrável e uma Zona de Estar e de Refeições unidas numa mesma área. A cozinha, neste caso, será servida por um pequeno jardim de inverno com abertura zenital, que irá ampliar o efeito bucólico do terreno à volta.

O destaque deste piso fica a cargo do enorme alpendre que se projeta em direção ao grande plano d’água que muito será utilizado em dias de maior calor. No alpendre, a meio da cobertura, do enorme rasgo no teto, irá irromper uma majestosa Ginkgo biloba L. que trará mais cor, luz e sombra conforme o avançar das estações do ano. Este pequeno capricho, atenderá não só os aspetos funcionais e convencionais que uma árvore consegue trazer a um projeto de arquitetura, como também estará intimamente ligada com a filosofia de vida do seu futuro proprietário que almeja uma vida serena e longeva, longe das inquietações urbanas.

Ademais, neste piso, todos os vãos procurarão tirar o máximo partido das condições ambientais locais sem jamais comprometer desempenho energético. Por outras palavras, a salubridade estará garantida pelas altas janelas de sacada que irão providenciar uma boa ventilação e iluminação natural.

As preocupações ambientais, técnicas e a vontade do próprio cliente que envolvem e consubstanciam o projeto, em nada prejudicam o grande desafio da arquitetura dos tempos atuais: alcançar o equilíbrio da tríade vitruviana dentro dos preceitos da sustentabilidade atuais.

 

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FICHA TÉCNICA

Nome | Moradia em Vale Ferro

Localização | Algarve

Promotor | Particular

Autor | Humberto Conde

Colaboradores | Victor Hugo Faustino

Modelo 3D | André Cordeiro (HRA-Lisboa)

Data | 2018

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