Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso

Categorias: Museus

A Fundação Nadir Afonso está situada no terreno na margem direita do rio Tâmega, em Chaves, terreno abrangido pelo Programa Polis. Não é de excluir o risco de uma cheia excepcional. A solução encontrada, não existindo outro local apropriado na zona urbana, foi a de elevar o piso único do edifício por meio de uma série de lâminas estruturais perpendiculares ao rio. O acesso direto estará garantido por uma ligeira rampa, a partir de uma cota já não inundável. Os dois espaços expositivos fundamentais desenvolvem-se paralelamente, sendo um iluminado por lanternim contínuo e o outro aberto ao rio. O programa da Fundação inclui duas oficinas, uma delas à espera de uma presença privilegiada: Nadir Afonso.

Memória Descritiva por Álvaro Siza Vieira

1. A Fundação Nadir Afonso será construída na cidade de Chaves, em terreno situado na margem direita do rio Tâmega, com plano de pormenor elaborado no âmbito do programa Polis.

A área reservada para o edifício localiza-se no lugar de Longras, na freguesia de Santa Maria Maior e foi definida no plano como um rectângulo paralelo ao leito do rio, no futuro parque marginal, compreendido entre o novo percurso pedonal/ciclovia paralelo à avenida 5 de Outubro (a noroeste), a avenida Dr. Mário Soares (a nordeste), o novo arruamento paralelo à rua das Longras (a sudoeste) e o rio (a sudeste).

O piso único do edifício da Fundação assentará em plataforma de betão à cota 351,50, apoiada em muros perpendiculares ao rio, a fim de não estar sujeito a uma eventual inundação. Não é de excluir o risco de uma cheia excepcional. A diferença de cota entre o arruamento a noroeste e o terreno natural será vencida por talude de suave pendente.

2. O acesso principal à plataforma da Fundação será feito por ligeira rampa com pendente de 6%, a partir do passeio à cota 349,13 (cota não inundável). Para além disso foram projectados dois ascensores e duas escadas, a partir do solo natural, a sudoeste (acesso de público) e a nordeste (acesso de serviço, cargas e descargas). Num posicionamento mais central, junto do acesso aos espaços expositivos, existe uma terceira escada para saída de emergência.

3. Os espaços internos programados desenvolvem-se longitudinalmente em três sectores:

a) átrio, recepção, ascensor público (13p.), biblioteca, auditório para 100 pessoas, vestiários, sanitários, livraria e cafetaria, no topo sudoeste do edifício.

b) espaços expositivos, na zona central, subdivididos em 3 alas longitudinais e incluindo sala de exposição permanente e arquivo (do lado noroeste), salas de exposições temporárias (alas central e sudeste).

A sala de exposições da ala central (8,70×36,5), que pode ser dividida em duas de forma assimétrica (8,70×12,50+8,70×23,85), dispõe de lanternim contínuo de iluminação natural e eléctrica; a da ala sudeste será iluminada por abertura horizontal contínua sobre o rio ou por sanca. A sala de exposições temporárias não disporá de luz natural geral mas apenas de uma abertura sobre o pátio que a limita.

c) o topo nordeste do edifício inclui centro de controlo e segurança, monta-cargas (3,45×2,5m), escada de serviço, recepção e acesso aos arquivos (a noroeste); sanitários, sala do pessoal e áreas de administração (a sudeste); atelier de artes plásticas e de Nadir Afonso (dispondo de luz zenital e de vista sobre o rio).

4. No piso superior, com acesso a partir do centro de controlo segurança, encontra-se um conjunto de espaços técnicos (interior e terraço exterior) dos quais se facilita o acesso aos lanternins e a um segundo espaço técnico que se situa sobre o auditório.

5. O edifício será construído com muros estruturais em betão branco exteriormente aparente; a cobertura é ajardinada em quase toda a sua extensão, sendo a cobertura dos lanternins e da casa das máquinas revestida a camarinha de zinco. Os acabamentos interiores essenciais serão em soalho de madeira nos pavimentos, gesso cartonado nas paredes e tectos e mármore branco nas zonas de água. As esquadrias interiores serão em madeira e aço inox; as exteriores em madeira e alumínio.

6. Os pavimentos exteriores serão em lajeado de granito nas escadas e patamar de acesso; e em mármore branco nas varandas. No que se refere ao projecto de paisagismo e arranjos exteriores, a proposta prevê a limpeza e consolidação das ruínas da canelha das Longras, à semelhança do que foi efectuado na intervenção recentemente realizada nas margens do Tâmega, assim como a preservação de algumas das árvores de fruto existentes. Como suporte às actividades da Fundação no exterior, prevê-se o revestimento do solo com um prado em quase toda a extensão da área a intervir, com excepção do solo natural correspondente à projecção do edifício, para o qual se prevê a instalação de um tapete de hera. A vegetação arbórea e arbustiva proposta será composta maioritariamente por espécies autóctones, preferencialmente provenientes de propágulos recolhidos localmente, ou na região. A sua utilização tem como objectivo estabelecer maciços capazes de gerar sebes não talhadas de protecção, necessárias à organização e leitura do espaço. A vegetação será ripícola. O sistema de rega será automático por aspersores e, pontualmente, por nebulizadores e pulverizadores.

7. O esquema de acessibilidades e zonas exclusivas para pessoas com mobilidade condicionada, tal como indicação de lugares de estacionamento, está apresentado em desenho na folha 5.

Junto ao acesso principal da Fundação, no arruamento a Noroeste, serão disponibilizados 2 lugares de estacionamento dedicados a pessoas com mobilidade condicionada que poderão aceder ao edifício através da rampa com pendente de 6%. Para além deste, prevê-se a Sudoeste, um parque de estacionamento com mais 4 lugares. Este percurso poderá desenvolver-se, pelo trajecto mais curto, à cota do solo natural. O acesso ao edifício será através de ascensor.

O programa da Fundação desenvolve-se num piso único. Os degraus de soleiras, no acesso ao edifício, nunca ultrapassam os 2cm de altura. No auditório prevê-se 2 lugares dedicados a pessoas com mobilidade condicionada, que se encontram de nível com o acesso do espaço. As instalações sanitárias de utilização geral dispõem de espaços reservados para pessoas com mobilidade condicionada.

8. O edifício está enquadrado de acordo com o Plano de Pormenor das Margens do Tâmega e respeita os parâmetros urbanísticos em vigor no P.D.M. da C. M. de Chaves, tendo como valores globais:

Área do lote: 16.658m2
Área de implantação: 2.768m2
Área de construção: 2.768m2
Volume de construção: 20.538m3
Cércea: 11,6m
Número de pisos abaixo da cota de soleira: 1
Número de pisos acima da cota de soleira: 1

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FICHA TÉCNICA

Projeto

Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso

 

Localização
Chaves, Portugal
Área
2768.0 m2

 

Ano do projeto
2015

 

Arquitetos
Álvaro Siza Vieira

 

Arquiteto Coordenador (Construção) 
Álvaro Fonseca
Arquiteto Coordenador (Projeto Executivo)
Paulo Teodósio
Colaboradora (Projeto Executivo)
Lola Bataller Alberola
Projeto de Licenciamento
José Carlos Oliveira
Arquitetos Coordenadores (Estudo Prévio)
Avelino Silva, Tatiana Berger
Colaboradores (Estudo Prévio)
Álvaro Fonseca, Marco Rampulla, Kenji Araya, Rita Amaral
Estruturas
GOP, Lda – Eng.º Jorge Nunes da Silva, Eng. Filipa Abreu
Projeto de Electricidade e Segurança
GOP, Lda – Eng.º Alexandre Martins (GPIC, Lda)
Projeto de Avac
GOP, Lda – Eng.º Raul Bessa (GET, Lda)
Projeto de Águas e Saneamento
GOP, Lda – Eng.º Raquel Fernandes
Projeto de Condicionamento
Acústico GOP, Lda – Eng. Octávio Inácio (InAcoustics, Lda)
Projeto do espaço exterior
Atelier do Beco da Bela Vista, Lda – Arq. Paisagista Luis Guedes de Carvalho
Fotografias
Fernando Guerra | FG+SG
Galeria
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