Palácio da Igreja Velha

O Palácio da Igreja Velha, de finais do séc.XIX no Norte de Portugal, com elementos barrocos e neogóticos, cresceu ao longo do tempo de forma desigual. No briefing, é pedido um novo volume para a realização de eventos, que respeite o protagonismo do antigo Palácio e que acomode 6 metros de pé direito, sem disrupção visual no conjunto histórico da valiosa propriedade.

A resposta estava na região: os espigueiros minhotos, tradicionais construções rurais para secar o milho e para protegê-lo dos roedores, através de fissuras laterais e da elevação do solo, foram a base conceptual.

O desenho nasce então de um novo olhar metálico para o espigueiro do séc. XXI, que parece levitar com a sua fina pele em aço corten sobre uma base de pedra e vidro, desafiando através do processo construtivo original, a lógica dos materiais – o pesado metal em cima do delicado vidro – mas mantendo a desejada harmonia cromática e volumétrica.

O novo volume funde-se na paisagem construída e natural, pelo desenho paralelipipédico, pelas diversas continuidades que respeita, pelos alinhamentos, promovendo e reforçando o eixo pedonal que atravessa todo o centro do palácio.

Este eixo termina num volume saliente em consola, cuja forma especial parece fazer o edifício levitar, tal como os espigueiros tradicionais. A fina pala que o constitui, configura uma linha de continuidade entre o edifício antigo e o novo, materializando o caminho que é percorrido por quem acede ao espaço de eventos, numa metáfora evolutiva do passado para o futuro.

Um esqueleto estrutural em ferro sustenta todo o conjunto, numa inovadora solução construtiva, oculta do olhar, e que reforça a leveza do conjunto.
Inovadora é também a utlização do metal enquanto esqueleto estrutural e epiderme envolvente, como solução para fundir um volume com 1000 m2 de área e 6 m de altura no edificado pré-existente e na paisagem natural.

A relação interior/exterior afirma a sustentabilidade necessária, pelos grandes envidraçados, sem comprometer a eficiência energética do edifício. O ripado em madeira – que permite o sombreamento – faz o contraponto à grande exposição solar que garante iluminação natural abundante.

O contraste antigo/novo presente no mix de materiais, bem como os processos construtivos originais, permitiram manter uma harmonia cromática e volumétrica na paisagem, numa solução cuja qualidade respondeu ao desafio de integrar, sem comprometer, a nova Arquitectura no património existente.

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FICHA TÉCNICA

Projeto
Palácio da Igreja Velha 🔗

Localização
Vermoim, Vila Nova de Famalicão, Portugal

Arquitetura
VISIOARQ 🔗

Fotografias
Fernando Guerra | FG+SG

Ano
2015

 

FOTOGRAFADO POR
Galeria
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