Palácio de Tavira

Na margem esquerda do rio Gilão, no centro histórico de Tavira, o Fragmentos assina o projeto de reabilitação e ampliação do antigo Palácio dos Tavares, agora transformado num hotel de 5 estrelas que, num projeto combina património, contemporaneidade e identidade local. O Palácio,construído entre os séculos XVIII e XIX, é um dos marcos arquitetónicos da cidade e um testemunho da sua herança aristocrática. Depois demuitos anos em ruína, a intervenção do Fragmentos devolve-lhe o protagonismo urbano e funcional, conciliando a recuperação do Palácio coma criação de uma nova ala – a Medina – inspirada na tradição mourisca e na arquitetura vernácula do sotavento algarvio.

Transversal a todo o projeto está o objetivo de preservar e valorizar a identidade do edifício original, adaptando-o a um novo uso. No Palácio, a intervenção centra-se na reabilitação estrutural e na conservação dos principais elementos arquitetónicos, mantendo a nobreza e a escala dasfachadas, bem como detalhes de cantaria, cerâmica e ferro forjado. O trabalho incidiu também na recuperação integral da escadaria em pedrado século XVIII, na melhoria das condições de conforto e segurança e na adequação dos espaços à nova vivência hoteleira.

No logradouro do Palácio, surge a Medina, um novo corpo, com uma configuração fragmentada e orgânica que resulta num conjunto de volumesinterligados que dialogam com a arquitetura clássica e europeia do Palácio. A Medina organiza-se através de pátios, passagens, escadas eterraços que reinterpretam a imagem das açoteias algarvias e dos tecidos urbanos mouriscos, criando percursos e vistas inesperadas. A sucessão de cheios e vazios, de variações de altura e de cotas, organiza uma experiência espacial quase labiríntica, onde a aparente irregularidade esconde uma lógica precisa de encaixe e continuidade. A rua interior, que atravessa a Medina, percorre as diferentes cotas epermite o acesso direto aos quartos, enquanto a variação de pátios e terraços cria diversidade programática e contribui para a sensação dedescoberta contínua. A luz e a sombra são trabalhadas de forma a garantir que a Medina se integra harmoniosamente com o Palácio, enquanto acrescenta uma nova camada de complexidade arquitetónica ao hotel.

O projeto assume assim a complementaridade entre memória e contemporaneidade: o Palácio, símbolo do passado nobre de Tavira, e aMedina, expressão de uma arquitetura solar e mediterrânica, coexistem num diálogo de equilíbrio e contraste. A intervenção do Fragmentos –recentemente reconhecida com a nomeação para a categoria de Melhor Design de Interiores dos Prémios Hotel & Mantel 2025 da Condé NastTraveler Espanha – reafirma a importância da reabilitação como ato de continuidade e transformação, preservando o valor patrimonial do lugar e projetando-o para o futuro.

Com este projeto, o Fragmentos reforça a sua prática no desenvolvimento de arquitetura hoteleira de excelência, onde a identidade do lugar e aexperiência do espaço são centrais. O Palácio de Tavira junta-se a outros projetos recentes do atelier neste campo, de entre os quaisdestacamos Sublime Comporta Villas, um projeto em curso que vem dar continuidade ao icónico Sublime Comporta Country Retreat & Spa, consolidando um percurso que alia o respeito pela história e pelo lugar à procura de novas formas de hospitalidade contemporânea.

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FICHA TÉCNICA

Projeto
Palácio de Tavira

Localização
Tavira, Portugal
Cliente
UPI Lisbon
Arquitetura
Fragmentos
Especialidades
A400
Arquitetura de interiores
Isabel Câmara Pestana
Arquitetura paisagista
Polen
Fiscalização
Oyster PM
Construtora
MAE
Medições
Hugo Pombo
Fotografias
Francisco Nogueira
Área
2.350,00 m2
Ano
2018-2025
FOTOGRAFADO POR
Galeria
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