Prédio Pátio

Prédio Pátio – Habitação social de alta densidade nas zonas urbanas | Ilídio Daio Arquiteto

O projecto Prédio Pátio consiste na Habitação Social de Alta Densidade num contexto de Regeneração Urbana dos Bairros de génese informal com altas densidades populacionais, na ordem dos 350 à 500 pessoas por Hectare.

Tratam-se e 3 Blocos Habitacionais de 5 pisos (sem elevador inicialmente mas com espaço reservado na bomba de escada), com uma área bruta de construção de 1620 m2 cada.

Os 3 Blocos Habitacionais estão inseridos num lote de 138m x 98m.

 

Conceito

Sobre Habitação “Social” em Luanda em bairros de génese informal com densidades populacionais muito altas, urge encontrarmos soluções que vão de encontra aos desafios da economia, aspectos culturais, o clima, dos materiais locais, da flexibilidxade da apropriação dos espaços, capacidade financeira das famílias Vs cooperativas de habitação, a auto-construção dirigida em blocos habitacionais (tipo modelo Mutirão no Brasil), o dimensionamento dos espaços mínimos, a actualização do RGEU, pátios em altura, hortas urbanas, etc.

A habitação social de alta densidade deverá ter um estudo arquitectónico cuidado na sua vertente estética, desmistificando a ideia estereotipada dos blocos de habitação em massa repetitivos e monótonos.

Nos Bairros Informais suburbanos de Luanda, o desafio da Regeneração Urbana e a provisão de Habitação Social, adquire especial ênfase na sócio cultural de um estilo de vida térreo para outro em altura.

O conceito de Prédio Pátio surge na tentativa de responder esta questão, partindo de uma análise e interpretação do Habitat nos Musseques, caracterizados pela forte convivência social fora de casa, nos pátios e ruelas, gerando importantes relações de vizinhança como uma família alargada.

 

Normalmente o acesso às moradias no Musseque é feito pelo Pátio, que proporciona uma ideia de segurança. Esta realidade foi assumida neste projecto onde todos os apartamentos são acedidos pelo pátio por via das galerias de largura generosa.

 

 

Implantação e Contexto Urbano

 

O carácter orgânico e modular dos agrupamentos de casas nos Musseques foi também considerado na configuração da implantação dos Prédios Pátio.

 

Num lote são implantados 3 Prédios Pátio com uma configuração em “P”, criando 3 pracetas, duas para estacionamento e uma central entre os 3 Prédios que funciona como uma praça de confraternização. Os serviços, lojas e esplanadas nesta praça propiciam esta actividade, onde o moradores dos 3 Prédios convergem.

Também existe comunicação visual entre os pátios e a praça.

Este enquadramento urbano permite uma transição gradual entre espaço público (praça), espaço público/privado (Pátio) e espaço privado (apartamento).

É extremamente importante a definição desta hierarquia espacial, para o sucesso da socialização que se pretende sem violar a noção de privacidade.

 

Sustentabilidade

Sociocultural

Com a criação destes Prédios Pátio com as suas galerias de acesso (2m de largura), e com a criação também um pátio em altura por piso, permite recriar o estilo de vida ao nível do piso térreo.

As pessoas no Musseque, passam a maior parte do dia fora de casa, estando num alpendre á sombra, a habitação é mais usada à noite.

Estes espaços de encontro em altura (pátio) estão localizados nos pontos de contacto com os outros Blocos permitindo uma melhor ventilação.

Ao nível do piso térreo o pátio terá um uso flexível, onde os óbitos poderão decorrer neste espaço com a colocação de biombos separadores de forma garantir privacidade aos apartamentos do piso térreo.

ATLs ou espaço de explicação escolar para as crianças poderão também acontecer neste espaço térreo.

 

Ambiental

Foram consideradas as seguintes premissas:

– Garantir a ventilação cruzada pelos pátios e isolamento térmico;

– Redução da insolação directa prevendo no futuro a aplicação dispositivos de ensombramento (brise-soleil);

– Reaproveitamento das águas pluviais pelo pátio, criando um reservatório de 150.000 L (em especial para rega e limpeza).

– Integração de espaços verdes na promoção da qualidade ambiental interna e externa (nos pátios em altura, na praça central).

-Adopção soluções construtivas à base da reciclagem do entulho das demolições, criando painéis de betão celular, minimizando os impactos ambientais no depósito destes entulhos.

 

Económica

A tipologia em altura (máximo 5 pisos prescindindo do elevador) resulta uma solução mais económica que a tipologia térrea com quintal devido a racionalização e optimização das infra-estruturas técnicas.

Mas é possível conciliar o que se perdeu (quintal) na habitação térrea na criação de varandas, pátios em altura, galerias de acesso, nos prédios em altura.

300 usd/m2, implica a adopção da produção de materiais locais (ver o processo na peça desenhada nº 7), bem como a implementação de uma metodologia faseada na autoconstrução dirigida em altura.

Numa 1ª fase, após a conclusão da super estrutura (pilares, vigas e lages aligeiradas pré-fabricadas), são concluídos os núcleos sanitários e os vãos exteriores.

Considerou-se uma estrutura modular que permita maior celeridade no processo construtivo, quer nos aspectos de estruturais (pilares e lages), quer na padronização e estandardização dos elementos construtivos (painéis pré moldados em betão celular, portas e janelas), mas que não constituísse factor de monotonia, mas pelo contrário permitisse flexibilidade não só na composição formal como também numa eventual possibilidade para ocupação dos fogos na vertente da autoconstrução dirigida em altura, criando espaços livres com as infraestruturas mínimas (cozinha e núcleo sanitário) que pudessem ser posteriormente subdivididos em função dos rendimentos e necessidades da família.

 

Solução Construtiva

– Base de assentamento em laje aligeirada de betão armado (com 15 cm de espessura), com acabamento exterior afagado e pintura a

tinta de água mate;

– Pavimento interior em betão afagado;

– Paredes exteriores (12 cm de espessura) e interiores (10 cm de espessura) em painéis compósitos de betão alveolar e pintado a tinta de água mate;

– Vãos exteriores em caixilharia de alumínio termolacado

– Vãos interiores de produção industrial, com aros e folhas em MDF, incluindo todas as ferragens, fechos, fechaduras e puxadores necessários ao seu correcto funcionamento;

– Tecto falso de eventual instalação futura, em gesso cartonado barrado e pintado a tinta de água mate;

– Cozinha em caixotões e frentes em MDF orlados e revestidos a melamina;

equipada com lava-louças e torneira.

– Instalações sanitárias com pavimento em betão afagado, paredes com acabamento a pintura de água anti-fungos mate;

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FICHA TÉCNICA

Projeto
Prédio Pátio

Localização
Luanda, Angola

Arquitetura
Ilídio Daio

Imagens
Ilídio Daio

Galeria
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