Promise . Cottage House

Grande parte deste projeto Promise . Cottage House, foi uma descoberta. Não partimos de nenhuma forma predefinida. Estivemos sempre no limite entre fusão e imposição. No exterior, procurámos que a construção se adaptasse ao seu contexto mas que, ao mesmo tempo, lhe pudesse acrescentar alguma coisa. Pelo interior, queriamos apenas tirar partido das variações da luz, do cheiro e movimento das árvores, sentindo a mutação da paisagem ao longo do ano.

Descrição geral

Esta construção, a Casa do Caseiro, fica situada no concelho de Grândola e faz parte de uma conjunto com quatro partes, juntamente com a Garagem, a Casa Principal e a Piscina. Estes quatro elementos posicionam-se no território em sítios muito distintos, de forma a garantir e maximizar a sua integração no mesmo.

Nesta região as propriedades são grandes, e juntas, formam uma maravilhosa extensão de pinheiros mansos, oliveiras e sobreiros protegidos. O terreno é belo e sereno, com ligeiros movimentos da topografia, sendo possível avistar o Oceano Atlântico dos pontos mais elevados.

A Casa do Caseiro é a mais pequena das quatro partes do projeto e a primeira a estar concluída. É composta por um alpendre de entrada, uma sala/cozinha, dois quartos de dormir, um quarto de banho, uma despensa e um terraço informal.

O modo como a casa foi implantada permite que tenha uma dupla leitura: por um lado tem um volume bem visível por onde é feito o acesso e por outro, sentimos que é apenas um muro baixo no terreno que contorna as árvores. Essas árvores existentes ajudaram a definir, com maior rigor, critérios de medida e posição.

Conceito / Contexto e Estratégia

No terreno existiam algumas construções espontâneas, nomeadamente uma casa agrícola e algumas estruturas para animais. Foi-nos pedido que desenvolvêssemos uma construção/abrigo para celebrar e contemplar a natureza.

Procurámos sempre que os espaços tivessem alguma simplicidade, como que reduzidos à sua essência. É certo que podem transmitir uma certa rudeza, mas esta acaba por ser compensada por outros elementos. Neste projeto tivemos especial interesse pela sombra e pela espessura nas transições.

As paredes e tectos interiores por vezes continuam para o exterior. Ao recolhermos totalmente a caixilharia o espaço interior cresce e o limite é redefinido. Os materiais, dentro e fora, são exatamente os mesmos. No entanto, existem variações de textura. Escolhemos materiais sólidos, com assinalável espessura e peso. O modo de envelhecer de cada um foi fundamental para essas escolhas. Queremos sentir que o Tempo passa pela construção, tal como por todos nós.

Construção / Materiais e Estrutura

A construção desta pequena casa serviu de teste para todos os componentes a utilizar nas outras partes do projeto. O conforto térmico foi uma das nossas grandes preocupações, especialmente no verão, por se tratar de uma zona com elevadas temperaturas. Evitámos recorrer a sistemas mecânicos auxiliares sobretudo porque temos uma cobertura vegetal e paredes com espessura considerável.

Utilizámos betão nas paredes e tectos, mármore da região para os pavimentos, bronze e cobre para os caixilhos exteriores e latão para as portas interiores.

Foi necessário testar e descobrir a tonalidade exata e o modo de construir o betão. O pigmento utilizado, ligeiramente rosa, permite uma forte relação cromática com o solo. Optámos por um betão liso no interior e por um betão texturado no exterior (betão-taipa). Essa opção pelo betão-taipa surge pelo nosso interesse por técnicas antigas de construção em terra (em tempos frequentes na região do Alentejo), pela relação subtil com os sobreiros (tronco normalmente texturado e mais liso quando retirada a cortiça) e pela procura da imperfeição como elemento de equilíbrio no desenho de arquitetura.

Normalmente queremos elementos mais perfeitos, mas neste caso, para que fosse mais natural, isso não poderia acontecer sempre. A aceitação da imperfeição e o elogio da espontaneidade são valores orientais que tentámos incorporar.

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FICHA TÉCNICA

Projeto
Promise . Cottage House

Cliente
OJ

Localização
Grândola, Portugal

Arquitetura
ATELIER 1111

Autores
Camilo Rebelo, Cristina Chicau e Patricio Guedes

Colaboradores
Carlota Amorim, Catarina Machado, Mariana Barreira, Sara Ruas, Rui Roncha

Parceiro/Escultor
Rui Chafes

Engenharia-Estruturas
GOP . Jorge Nunes da Silva, Raquel Dias, Edgar Quelhas Lima

Engenharia-Infraestruturas Hidráulicas
GOP . Raquel Fernandes

Engenharia-Electricidade
GPIC . Alexandre Martins, Fernando Aires, Hélder Morgardo

Engenharia-Infraestruturas Mecânicas
GET . Raul Bessa, Telmo Mesquita, Ricardo Carreto

Engenharia-Acústica
InAcoustics . Octávio Inácio

Fotografia
Nuno Pinto

Área bruta da construção
130 m2

Área da propriedade
146200 m2

Fase de projeto
09.2013 – 09.2018

Fase de construção
04.2015 – 11.2018

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