Wine Culture Centre Competition

Categorias: Cultura

Menção Honrosa no Concurso de projeto para o Wine Culture Centre em Verona


Preexistência | Linhas de Orientação

A Cantina, apesar de localizada numa zona de vinhedo, não se encontra relacionada com a mesma. A relação entre o edifício e a envolvente é praticamente nula, em grande parte devido ao acesso rodoviário que faz uma brusca separação entre o edifício e a vinha na zona de chegada. Na parte posterior do edifício, o limite do vinhedo e o edifício tocam-se, mas uma possível simbiose entre o construído e o natural é inviabilizada pelo caráter forte e enclausurado do armazém.

O objeto existente é então composto por três volumes, completamente distintos na sua linguagem. A zona de recepção, que apresenta uma linguagem arquitetônica tradicional, a zona de armazém, com o seu caráter industrial e a zona de produção que deixa sobressair as suas especificidades técnicas. Estes três volumes, tão distintos na sua linguagem, ao agruparem-se, conferem a funcionalidade necessária à Cantina, mas impossibilitam a linguagem homogênea de um todo edificado harmonioso.

As linhas orientadoras da intervenção passam por unificar estas diferentes zonas (recepção, produção e armazém) num só objeto, respeitando as diretrizes programáticas, os espaços a intervir e a manter, melhorando ao mesmo tempo a funcionalidade geral da Cantina.

Tem-se por objetivo enfatizar a zona de chegada e recepção, pois esta zona reflete sempre o primeiro contato com o edifício. O percurso visitável obrigatório será todo ao nível térreo, facilitando igualmente a circulação dos visitantes.

Há agora a procura de uma relação entre o objeto e a vinha envolvente, criando um vínculo entre construído e natural, ao mesmo tempo que o tema do vinho, do vinhedo e das várias partes que integram o processo de produção estão na base conceitual de desenvolvimento da ideia.

Pretende-se também que o futuro objeto arquitetônico seja uma imagem identificável da marca NEGRAR.

Conceito
A base programática permite identificar quatro diferentes tipos de espaços: Espaço Público, Espaço Educacional, Espaço Industrial/Armazém e Espaço de Escritório/Direção.

A ideia base passa por separá-los fisicamente em 4 volumes, um por cada espaço identificado, mas também por conjugá-los entre si, cumprindo as questões programáticas assim como a relação com a pré existência. Os volumes vão buscar a sua forma às pipas de vinho, incorporando a temática de vinha na nova forma da adega.

As diferentes dimensões dos volumes permitem a criação de espaços exteriores que se relacionam com a vinha, situada do outro lado da estrada, de uma forma mais direta, trazendo-a também para dentro dos mesmos. A mediateca, os escritórios e o espaço de degustação usufruem em maior proximidade com estas zonas exteriores, dado o seu caráter de permanência.

Uma das principais linhas orientadoras é a precisamente essa unificação entre o existente e a nova construção. Para isso houve a necessidade de criar uma pele inspirada no processo de fabricação de cascos, que se adapta facilmente às duas realidades, não sendo necessário alterar as fachadas do edifício existente aos mesmo tempo que se confere uma nova linguagem de conjunto à nova construção.

Como solicitado no programa, é criado um percurso que se inicia na recepção. Este passa pelos laboratórios, zona de armazém, tem uma ligação ao armazém de fruta através de uma galeria, ao mesmo tempo que usufrui de uma ligação visual com a zona de engarrafamento através de uma grande vitrine, terminando assim na loja que está ligada ao grande atrium de recepção, onde se iniciou o percurso. Este percurso foi todo desenvolvido ao nível do piso térreo para facilitar a circulação de pessoas, sem causar inconvenientes a visitantes de mobilidade reduzida.

É criada uma relação vertical através de um grande vazio que relaciona a recepção, o museu do Piso 1, e a zona de degustação no Piso 2. Isto resulta numa relação visual entre os espaços de caráter público do novo edifício.

Em suma, ao nível do Piso -1 criou-se apenas o armazém de fruta. Ao nível do Piso 0 desenvolveram-se a Recepção, a Loja, os Laboratórios, as Salas de Aula e o Armazém. No Piso 1 surge-nos o museu e a mediateca que está separada da zona de escritórios através de um pátio exterior. Para finalizar, ao nível do Piso 2 encontramos o espaço de degustação com um espaço exterior privado e um segundo nível de escritórios, também estes de um caráter mais hierárquico.

O objeto arquitetónico pretende ser unificador, com uma linguagem que nos remete diretamente à vinicultura e à ideia de adega, assumindo-se uma imponente referência para a marca. A nível espacial o edifício mostra-se extremamente funcional e, embora formalmente rico, consegue-se facilmente identificar os diferentes espaços que possuem características tão diferentes, mas que se revelam como um todo dada a harmonia que se procurou na relação das suas formas.

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FICHA TÉCNICA

Competição

Wine Culture Centre Competition 

Prémio 
Menção Honrosa 

Autores
Miguel José Temudo Malaguerra Bastos Nunes, Susana Cristina de Gouveia Neves Jesus, Bruno Ferreira Martins, Hugo Miguel Rodrigues Lopes Aires, Ivan Araújo Jorge, Joelene de Freitas, Hugo Fernando Moura Pereira, Sara Caldeira Dantas., Francisco Albuquerque
Galeria
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