O arquitecto Mário Sua Kay, fundador da Sua Kay Arquitectos, recebeu o Prémio Personalidade Mérito 2025, atribuído pela Magazine Imobiliário.
Esta distinção reconhece não só um percurso dedicado à arquitectura e ao urbanismo em Portugal e no estrangeiro, mas também a visão de uma prática assente na qualidade, na durabilidade e na sustentabilidade.
“É um orgulho ver o nosso atelier, com mais de 40 anos de experiência, associado a este reconhecimento público, que reforça o nosso compromisso em criar projectos intemporais, bem construídos e pensados para servir gerações.” — Publicação no Linkedin da Sua Kay Arquitectos.
Há percursos discretos que, quando vistos de perto, se revelam extraordinários. O de Mário Sua Kay é um desses.
Não é só a geografia que marca o seu caminho, entre Lourenço Marques, Queluz, Londres, Lisboa, mas a forma como o percorreu: com curiosidade sem limites, com rigor e com a sensibilidade de quem vê mais além do traço.
Foi em Moçambique que começou a desenhar o mundo. Frequentou escolas marcadas pela diversidade cultural, étnica e ideológica, talvez aí tenha nascido o olhara aberto que atravessa toda a sua obra. Em Londres, convenceu a Universidade de Westminster com dois desenhos a tinta-da-china de pássaros imaginários. Preferiu a imagem à palavra. E nunca deixou de desenhar. Como dizia Le Corbusier: “desenhar é mais rápido e deixa menos espaço para mentiras”.
Ao fundar o seu atelier em Lisboa, em 1984, iniciou uma viagem entre escalas, linguagens e continentes. Assinou moradias, torres, centros comerciais, sedes de empresas, equipamentos desportivos de saúde, sempre com um raro equilíbrio entre funcionalidade e identidade. Os prémios acumulam-se: Monsanto, Espace, Alegri Setúbal, Coressi, Nova Arcada… Mas mais do que troféus, o que o move á ver os edificos vivos, úteis, intactos. Acredita que sustentabilidade é, acima de tudo quaidade que perdure.
Hoje, continua a acompanhar obras com entusiamo, visita com carinho projectos de há décadas, rabisca ideias, cultiva o jardim, caminha ao amanhecer, pinta quadros que diz que só ele gosta. Trabalha para fazer bem. No fundo esse é o mistério de uma vida inteira dedicada à arquitectura: uma pática silenciosa e generosa. Ou, como gosta de dizer “we just do it — no fuss, no hassle (Fazemos de forma simples – sem complicações, sem problemas).”
Foto: Anabela Loureiro